Áudio 73 – “Esse cablelo” explicado por Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola (Luanda) mas cresceu nos arredores de Lisboa. A paixão pela escrita levou-a a tirar um doutoramento em Teoria da Literatura, mas foram as questões sobre a sua identidade que fizeram com que o sonho de escrever um livro se realizasse. Djaimilia Pereira de Almeida passou da teoria à prática e publicou o seu primeiro livro intitulado “Esse cabelo”. – “A história da relação desta rapariga com o cabelo tem a ver com o facto de aquilo que lhe é natural ser qualquer coisa que ela vive como um inimigo. ”

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Áudio 72 – Mikas cria novas formas de saborear a noite lisboeta

“Eu gosto do lado da aventura, porque estimula essa necessidade de fazeres diferente, de marcares a diferença! (…)”

Mikas é um nome simples, a sua forma de estar é igualmente simples. Mas o que estará por detrás do Mikas empreendedor? Hoje vamos conversar com um moçambicano empreendedor que tem mudado a noite Lisboeta há décadas, seja através de restaurantes com comida de fusão ou bares nocturnos com uma programação variada e alternativa. O Bicaense, a Velha Senhora, Restaurante Costa do Castelo, Clube Ferroviário, só para menciona alguns locais, fazem parte da lista de espaços impulsionados ou dinamizados por Mikas. Recentemente o bar A Tabacaria na Rua de São Paulo n° 75-77 juntou-se a estes nomes de referencia. Recomenda-se!

Áudio 71 – Lisbon Djumbai Cafe com Lucette Mendes e Sophie Baessa

No programa de hoje vamos falar sobre um Djumbai, um convívio, para o qual estamos todos convidados.  O convite é o resultado do empenho de duas jovens empreendedoras guineenses, que querem enriquecer a cultura de troca de experiências na área de negócios ligados à Guiné-Bissau através do Lisbon Djumbai CAFE. Um convívio a realizar-se na sexta-feira, 21 de agosto, no restaurante/bar Isa In Chiado. Mas, por enquanto, vamos conhecer as duas organizadoras do evento, Lucette Mendes, designer, e Sophie Baessa, responsável pelo evento Miss Guiné-Bissau em Portugal.

‘LISBON DJUMBAI CAFÉ EVENT’

Local: Restaurante/Bar ISA IN CHIADO
14 RUA DA MISERICORDIA
1200 LISBOA (no ESPAÇO CHIADO)

Hora: 19h00 – 00h00

Podem confirmar a presença através dos contactos:

Tel. 967789945 (Lucette Mendes)
Email: lucettedjesus@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/djumbaicafe?fref=ts

Áudio 70 – Nina Fung fala de misturas e culturas

Sobre produtos culturais africanos: “A capulana tem sido agora uma coisa mais na moda, mas existe desde sempre e é bonita desde sempre. Mas só agora é que nos desenvergonhámos um pouco e toda a gente quer adotar e usar e transportar o tecido africano e ter orgulho nisso. E eu acho que nos estamos aperceber agora de que conhecemos pouco e exibimos pouco.” (Nina Fung)

Hoje vamos falar sobre misturas e culturas com Nina Fung, cantora moçambicana a viver em Lisboa. atualmente em dois projetos: o quinteto Njinjiritane e Sal, Pimenta & Cacau, onde as misturas musicais são feitas com músicos amigos de Angola e Moçambique.

Músicas no programa:

Xonguile

Mamana África

Nós Nos Livros: “Americanah” de Chimamanda Adichie

Eu acho importante ler este livro porque…

Por Eliana Nzualo

Este livro conta a história de uma jovem nigeriana nos Estados Unidos da América, que devido à instabilidade política é levada a abandonar a Universidade no seu país de origem.

À medida que o drama se vai desenrolando Ifemelu, a protagonista, é levada a confrontar-se com o desespero de se querer integrar, com a obrigatoriedade de fugir de estereótipos e com a necessidade de descobrir quem ela é para além da cor da pele ou da textura do cabelo.

A prosa da nigeriana Adichie, rica em poesia, consegue retratar a complexidade das partidas e chegadas de quem vive imigrantemente. Uma das minhas passagens favoritas é a seguinte:

“Alexa and the other guests, and perhaps even Georgina, all understood the fleeing from war, from the kind of poverty that crushed human souls, but they would not understand the need to escape from the oppressive lethargy of choicelessness. They would not understand why people like him who were raised well fed and watered but mired in dissatisfaction, conditioned from birth to look towards somewhere else, eternally convinced that real lives happened in that somewhere else, were now resolved to do dangerous things, illegal things, so as to leave, none of them starving, or raped, or from burned villages, but merely hungry for choice and certainty.”

Americanah[Alexa e os outros hóspedes, e talvez até mesmo Georgina, todos entendiam a fuga da guerra, do tipo de pobreza que esmaga as almas humanas, mas eles não entendiam a necessidade de escapar da letargia opressivo da não-escolha. Elas não entendiam por que pessoas como ele que foram criados bem alimentados e com água para beber mas que estavam mergulhados na insatisfação, condicionados desde o nascimento a olhar para outro lugar, eternamente convencidos de que a vida real acontece em algum outro lugar, estavam agora decididos a fazer coisas perigosas, coisas ilegais, como partir, nenhum deles faminto, ou estuprado, ou vindo de aldeias queimadas, mas apenas famintos por ter escolhas e certezas.]

A autora consegue, com muito humor e elegância, debater racismo e xenofobia de um modo atrevido.

“Dear Non-American Black, when you make the choice to come to America, you become black. Stop arguing. Stop saying I’m Jamaican or I’m Ghanaian. America doesn’t care.”

Em vários romances facilmente a mulher não passa de uma sombra para o homem, o herói. Não em Americanah. Embora haja uma constante história de amor, o centro de tudo é Ifemelu e todas as dúvidas existenciais que a atormentam.

Ifemelu apaixona-se por homens negros e brancos. Debate-se entre o regresso à Nigéria e a permanência nos Estados Unidos. Chora pelo seu cabelo natural e desfrisado. E nesses dilemas vai-se reencontrando e perdendo mais um pouco.

Recomendo este livro pela forma que ele me conhece e retrata como uma jovem africana, muitas vezes em situações que me colocam em conflito com a(s) minha(s) própria(s) identidade(s), num mundo em que a busca por um habitat saudável para o meu crescimento é difícil e desconfortável, não só para mim, mas para todos os que me rodeiam.

 

Áudio 68 – Solidariedade para com ativistas angolanos presos

Hoje não vamos ter uma entrevista como é habitual, vamos antes fazer fotografias sonoras do que foi a concentração pela libertação dos presos políticos em Angola. Desde o dia 20 de junho foram colocados em prisão preventiva, 15 jovens ativistas, suspeitos de estarem a preparar em Luanda um atentado contra o Presidente e outros membros dos órgãos de soberania. Na ocasião, a informação foi dada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola à agência noticiosa Lusa. Esta quarta-feira, dia 29 de julho, a solidariedade para com os ativistas angolanos fez-se notar também em Lisboa com uma concentração no Largo de S. domingos no Rossio. Testemunhos de Aline Frazão, José Eduardo Agualusa, Kiluanji Kia Henda, Selma Uamusse​, entre outros cidadãos solidários.

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