Convite: Exibição do Documentário “Mulheres africanas – Rede invisível” e debate “Direitos e Desafios das mulheres”

Mulheres invisiveisMulheres africanas – Rede invisível é um filme sobre todas as mulheres. É um filme que expõe uma invisibilidade universal no que toca as mulheres. Esta invisibilidade dessensibiliza-nos para os contributos das mulheres em diferentes sociedades, seja na política, na área dos negócios, na ciência, na cultura ou na vida familiar. Criar espaços de promoção desta rede invisível que envolve, fortalece e enriquece o mundo é tarefa de todos.

A AfroLis convida-vos a estar, no dia 1 de abril, no Grupo Excursionista e Recreativo Amigos do Minho, pelas 19h, para a exibição do documentário “Mulheres Africanas – A Rede Invisível”, incluído no Mouradoc – Ciclo de cinema da Associação Renovar A Mouraria.

Sinopse

Este documentário oferece um panorama das conquistas e lutas das mulheres do continente africano no último século. Conta com depoimentos de cinco mulheres que contam suas histórias de vida: Graça Machel, ativista de direitos humanos e esposa de Nelson Mandela; Mama Sara Masari, empresária; Leymah Gbowee, vencedora do Prémio Nobel da Paz; Luísa Diogo, ex-Primeira Ministra de Moçambique e Nadine Gordiner, vencedora do Prémio Nobel de Literatura. Além disso, o documentário celebra as vitórias das mulheres comuns que encaram os desafios do dia-a-dia com esperança e determinação.

Após o filme, a AfroLis dinamiza o debate sobre “Direitos e Desafios das mulheres”
com a presença de:

Romualda Fernandes

 

– Romualda Fernandes, jurista e assessora na Assembleia Municipal

 

Eugénia Costa Quaresma I – Eugénia Costa Quaresma, diretora do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana, responsável da Obra Católica Portuguesa de Migrações

 

Beatriz Gomes Diaz

 

– Beatriz Gomes Dias, ativista do SOS Racismo e Membro da Assembleia da freguesia de Arroios

 

Belinha

 

– Anabela Rodrigues, co-cordenadora da Associação Grupo Teatro do Oprimido de Lisboa e uma das mentoras do AMI-AFRO

Hora: 19h

Local: Grupo Excursionista e Recreativo Os Amigos do Minho

Morada: R. do Benformoso 244 1º, 1100- 086 Lisboa (Zona do Intendente)

Afrosons 3 – Mixtape Irmãos Makossa

A AfroLis também é música feita, ouvida e dançada por afrolisboetas. Este sábado temos música escolhida a dedo e ouvido pelos Irmãos Makossa.
“Irmãos Makossa, dois amigos, pesquisadores de música africana da década de 70 e suas influências, decidiram cruzar os seus gostos e divulgar ao público o seu conhecimento! Os Dj sets dos Irmãos Makossa são a história de uma viagem por África e como África influenciou o mundo musical, contada pela música extraída dos vinis e cds que preenchem as suas malas! A referência desta dupla é Fela Kuti, criador do Afrobeat, mas não só, Manu Dibango, Ebo Taylor, Tony Allen, O.P. du Cotonou…”

Áudio 50 – “Racistas são os outros”, reflexão apresentada por Fernando Conceição

“Racistas são os outros” é o mote de um ciclo de debates mensais que estão a ser realizados na Universidade Nova de Lisboa desde Novembro de 2014 com continuidade até Julho de 2015. Fernando Conceição,  professor na Universidade Federal da Bahia, no Brasil, fala sobre as temáticas que estão a ser debatidas neste ciclo, que cria uma ponte entre o Brasil e Portugal nas questões relacionadas com o racismo.

Vidas Negras Importam: as vozes do Largo de S. Domingos

20150321-IMG_0053No dia 21 de Março, o Largo de São Domingos ficou repleto de pessoas que marcaram o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial com um protesto que alterou a dinâmica normal do Largo. A AfroLis quis saber o que pensam aqueles que, normalmente, frequentam o Largo de S. Domingos, um largo que há vários séculos é um ponto de encontro para comunidades africanas, como é descrito no livro “Lisboa, cidade africana Percursos e Lugares de Memória da Presença Africana Séculos XV – XXI” de Isabel Castro Henrique e Pedro Pereira Leite:

“Ontem como hoje, o Rossio e o Largo de São Domingos são os lugares do encontro preferidos pelos africanos. Se o Rossio era, para todos – incluindo os africanos -, o largo da feira onde tudo se comprava e se vendia, o local onde se podiam encontrar artesãos à espera de clientes, o espaço das muitas festas, das touradas, dos conflitos, das tabernas, do Hospital de Todos os Santos, dos muitos espetáculos como os autos-da-fé da Inquisição, a Praça da Figueira, ao lado, acolhia forasteiros que aí encontravam grandes feiras especializadas onde era possível tocar as produções nacionais e as mercadorias importadas. Entre as duas praças, mas ligado ao Rossio, o Largo de São Domingos foi o lugar onde homens e mulheres de África puderam encontrar desde finais do século XV acolhimento e apoio que tornaram menos dura a sua integração na sociedade lisboeta. Inserida no Mosteiro de São Domingos, a igreja do mesmo nome abriu as suas portas à primeira confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos(…). Hoje, os africanos continuam a fixar-se neste lugar, onde se cruzam línguas, religiões e culturas de África (…)”  

Vidas Negras Importam: “O que acha deste protesto?” Mussussane e Nené

Mussusane “Está muito bom. Fiquei contente. Porque, quando cheguei aqui, tratavam tão mal os imigrantes! Não estava nada bom.…” / Nené Djalo “Para ajudar os africanos, porque os africanos estão muito mal neste país. O problema do racismo para os africanos é muito mau. Nós ficamos muito contentes por vocês.”

 

Vidas Negras Importam: “O que acha deste protesto?” Boubacar Baldé

“Com esta manifestação, sinto-me bem porque as palavras que eles estão a falar são verdades que a polícia praticou, principalmente no Largo do Rossio. (…) Portanto com esta manifestação eu sinto-me bem!”

 

Vidas Negras Importam: “O que acha deste protesto?” Nene Baldé

“Não estou contra mas não estou a favor. Porque a crise que passamos em Lisboa é demais mas temos que suportar não são só os africanos, são todos, sejam brancos ou africanos. É no mundo. Não me posso defender só como africana, posso defender todos.  Vivo em Portugal há quase mais de 20 anos, temos de suportar. Tenho de suportar para cuidar dos meus filhos mais novos, por causa da educação deles na escola. O meu marido não tem saúde. A saúde dele só melhorou desde que está em Lisboa. No meu país em África, a saúde dele não estava bem. Mas o que eu peço é que liberem empregos, principalmente para as mulheres. Nós mulheres sofremos muito aqui em Lisboa. Tens filhos, tens família. Tu não podes andar para cima e para baixo, temos que ficar no meio. Pedimos em nome de Deus, dos governos português para aliviar este sacrifício, essa crise que acontece connosco. E é tudo, obrigada. Graças a Deus Portugal. Viva África! Vivo o Rossio!”

 

A AfroLis quis também ouvir as vozes de quem se deslocou ao largo especialmente para o protesto:

 

Vidas Negras Importam: “O que acha deste protesto?” Piménio Ferreira

“É importante haver uma manifestação para que possamos juntar as nossas vozes e criar uma voz que possa ser ouvida. Uma voz que não fique ignorada. Uma voz que possa passar para além das barreiras do não vejo, não ouço e também não comento. “

 

Vidas Negras Importam: “O que acha deste protesto?” Rui Pereira

“Eu vim porque é algo que a mim me toca pessoalmente. Eu, pessoalmente, nunca senti injustiça, nem brutalidade policial mas tenho amigos meus e familiares que já sofreram isso na pele. Sei que é uma coisa que existe.”

 

Mais infos:

Protesto contra a violência policial juntou algumas dezenas em Lisboa

 Vidas negras importam

Protesto em Lisboa contra o racismo

Vidas Negras Importam: intervenção sobre consciência negra contra o racismo institucional

Transcrição parcial de uma das várias intervenções que houve durante o protesto no Largo de S. Domingos, em Lisboa, no dia internacional para a eliminação da discriminação racial, organizado pelo “Grupo contra a violência e o racismo institucional”.

“Nós temos esta consciência negra porque nós conhecemos a especificidade a particularidade de sermos negros numa sociedade racista. E o racismo de que nós falamos não é o racismo banal. Não é o racismo de ao passarmos na rua chamarem pretos. Não! Esse racismo não nos importa. O racismo que nos importa e que nós criticamos é o racismo das instituições que têm poder. Que têm poder político e que têm poder económico. Têm poder económico para nos dar um trabalho. É por isso que, se a nível nacional a taxa de desemprego está em cerca dos 18%, 19%, nos bairros, onde moram trabalhadores negros e negras, a taxa de desemprego está acima dos 50%. Esse é o racismo institucional que nós vamos combater.

Mas deixa-me dizer também, esta nossa consciência negra é uma consciência aberta e universal. É uma consciência negra aberta ao mundo para nos enriquecermos, para trabalharmos conjuntamente para mudarmos esta sociedade. Esta consciência negra é para nos unirmos ao outro. E quem é o outro?, perguntam. O outro é o meu colega da universidade branco, cigano ou imigrante. O outro é o meu colega de trabalho branco, cigano ou imigrante. O outro é o meu colega que vive no bairro cigano, banco ou imigrante.

Essa nossa consciência negra é uma consciência negra revolucionária!”

Mais info:

Vidas negras importam

Protesto em Lisboa contra o racismo

 

 

Nós Nos Livros: “Desejos de Aminata” de Lopito Feijóo

Desejos AminataEu acho importante ler este livro porque…

Por João Carlos (jornalista)

Como amante da poesia, penso ser um estímulo para fomentar o gosto por esta forma de arte literária. Não se trata de poesia revolucionária a exortar a emancipação nem a propaganda política.

Em Desejos de Aminata, o escritor angolano Lopito Feijóo apresenta uma coleção de 40 textos poéticos, diga-se intimista e com uma intensidade erótica, mas que valem pela doçura da escrita, pelo amor com que foram produzidos os poemas dedicados à sua mulher, Aminata, jornalista cultural da Rádio Nacional de Angola.

Digo que vale a pena ler porque, confesso, só depois de uma longa conversa com o autor, em sua casa em Lisboa, interiorizei a profundidade dos versos de João André da Silva Feijó, seu nome verdadeiro, nascido em Malanje aos 25 de setembro de 1963.

Na essência, são poemas que evocam a grandeza da mulher africana, inspirados em motivos como o mar Atlântico, no colorido dos trajes tradicionais de África, que Feijóo assume em chamar de berço da Humanidade. Não interpretando mal o sentido erótico e intimista dos versos nesta obra, entre as que tem publicado, o escritor singulariza assim uma sublime homenagem à mulher do continente mãe, por intermédio de Aminata Goubel:

“A Negra quase encaracolada

Semblante misterioso

Pescoço naturalmente cheiroso

Um único braço

Com mão de mil dedos” (…).

Aquela a que reconhece ser a mulher da sua vida.

É um livro pequeno, mas rico – por vezes ousado, mas sincero – que se lê com brevidade à cabeceira da cama ou a caminho de uma viagem, ou ainda numa tarde de sábado debaixo de um imbondeiro, descontraíndo-se dos excessos da semana de trabalho ou dos abalos da vida. Ou, quem sabe, não seja também uma escola para a aprendizagem da arte de escrever poesia.

Ainda mais sentido faz a leitura na semana do Dia Mundial da Poesia, que se assinala no dia 21 de Março. Eis mais um pretexto para deliciar os poemas íntimos do escritor angolano, considerado um dos 15 maiores poetas africanos dos anos 80, e que se assume como um escritor de crítica social. O ex-deputado é membro da União dos Escritores de Angola, um dos fundadores  da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e do Coletivo de Trabalhos Literários (OHANDANJI).

Outras propostas de Lopito Feijóo: “Andarilho & Doutrinário – 50 Anos… Poemas”;

“Marcas da Guerra – Percepção Íntima & Outros Fonemas Doutrinários”.

 

Áudio 49 – Fado dançado projeto da Associação Batoto Yetu

A associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal não tem fins lucrativos e é a partir das danças tradicionais africanas que desenvolve um trabalho de apoio junto das crianças e dos jovens da área metropolitana de Lisboa. Batoto yetu significa “as nossas crianças” em suaíli. Entre muitos dos projetos da Batoto Yetu está o “Fado dançado”. José Lino Neves é membro da direção da Associação Cultural e Juvenil, e fala-nos dos aspetos multiculturais do fado. O Fado património com influências de culturas mouriscas, angolanas, brasileiras e cabo-verdianas.

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