Áudio 28 – Bilan: “Lisboa podia apostar mais na música africana alternativa”

Bilan, músico de Cabo Verde, São Vicente, acredita no potencial de Lisboa para desenvolver mais a música africana alternativa mas não deixa de apontar alguns pontos a melhorar. No entanto, depois de ter vivido vários anos no Porto, cidade que o marcou, Bilan encontrou uma africanidade mais intensa em Lisboa ao ponto de dizer, em tom de brincadeira, que, para muitos cabo-verdianos, a capital portuguesa é “a décima primeira ilha de Cabo Verde”.

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Para ouvir o Bilan: Projeto de Bilan & Madou Sidiki Diabate – Sur le Niger

Áudio 27 – Será que África está na moda?

Será que África está na moda? O que é preciso fazer para que os africanos se aproximem da sua moda e dos seus eventos culturais? Herberto Smith traz-nos as respostas de designers africanos que apresentaram as suas criações no Africa Fashion Day-LXD (10.10.14). Entre os designers estavam Sofia Cadissil, Ana de Sá, Geraldo Fashions, Kilumba, Jacqueline Roxo e Roselyn Silva.

 

Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave

Ocorre-me agora
a pupila minúscula de uma criança.
A sua engenharia
desde o corpo na guerreira pequenez
ao dedo provador da boca.
Ocorre-me esta criança
este monge da franqueza em seu templo de inocência.
Amo-a. Vivo-a.

Voar é poder amar uma criança.
Sonhar-lhe o peso no colo, as mãos acariciantes
sobre a palma da alma.

Voar é tardar a boca
na rosa do rosto de uma criança.
Pronunciar-lhe a ternura,
a seda fresca e pura
da sua infância.

Voar é adormecer o homem
na mão sonhadora
de uma criança.

(Autor:  Eduardo White

Leitura: Eugénia Quaresma)

 

Áudio 26 – Meios de Comunicação Étnicos em Portugal, explicados por Isabela Salim

Isabela Salim é brasileira mas vive em Lisboa há 9 anos. Atualmente trabalha para a Organização Internacional para as Migrações mas o seu interesse pelas migrações já é antigo. Como investigadora participou de vários projetos nessa área. Um dos seus estudos intitula-se Meios de Comunicação Étnicos em Portugal e foi publicado sob a égide do Observatório da Imigração em 2008. No programa de hoje Isabela Salim fala-nos do significado dos meios de comunicação étnicos tanto para comunidades imigrantes como para as populações dos países de acolhimento.

Áudio 25 – A velocidade é o seu desporto mas o reconhecimento é demorado – Holder da Silva

Holder da Silva é um atleta africano a viver em Lisboa. O velocista esteve nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 e é também recordista da Guiné-Bissau nas distâncias de 100 e 200 metros. Enfrentou destratos, racismo e falsas promessas ao longo da sua carreira em Portugal mas também teve boas experiências que diz serem inesquecíveis. Agora o seu sonho é ser reconhecido, especialmente, no seu país, Guiné-Bissau, mas também em Portugal.

Foto: GUINEASPORA GLOBAL (Armando Conte)

Impressões: Queer Focus On Africa, por Cemiclay Vera Santos

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CEMICLAY VERA SANTOS 27/09/2014

O Festival de Cinema Queer decorreu em Lisboa, entre os dias 19 e 27 de setembro, no Cinemateca Portuguesa e no Cinema de São Jorge.
A semana foi marcada por várias exibições de curtas e longas-metragens, com variadas manifestações do cinema e da cultura Queer.
A partir da visualização dos filmes, os visitantes do Festival de Cinema Queer poderam ter acesso a narrativas sobre diversos modos de expressar sexualidades marginalizadas na sociedade, podendo assim falar sobre o assunto ou até mesmo esclarecer várias dúvidas.
Na exibição do filme: “ The Man Who Drove with Mandela”, eram vários os visitantes. Entre eles, muitos estrangeiros, alguns portugueses, sendo que cada um tinha uma expectativa para com o filme e o Festival.

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Alguns já tinham estado presentes em outros festivais, por isso, tinham boas expectativas para este “Queer Focus on Africa”. Outros eram curiosos e até mesmo pessoas que pretendiam quebrar os seus preconceitos perante a homossexualidade.

O público era variado, desde jovens até idosos. A homofobia foi um dos temas presentes nos vários filmes, particularmente do “Queer Focus on Africa”, que também foi discutido em debate numa das salas do Cinema de São Jorge.

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“África para lá da heteronormatividade” foi outro dos temas dos debates, com a presença de Beverley Palesa Ditsie, Lia Viola, Albino Cunha, Amanda Kerdahi, como oradores e José Fernandes Dias, como moderador. Os oradores partilharam com o público as suas várias experiências e reflexões dentro do tema, procurando debater as várias expressões queer no continente africano.

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Lia Viola, antropóloga cultural, através do seu estudo e reflexão sobre a homofobia na África subsariana, chamou a atenção para o facto de a homofobia já atingir um grau de violência tal que se não houver um cuidado, esta pode vir a ser tornar-se um culto contra os homossexuais. Lia Viola salienta também que a luta contra a homofobia é uma responsabilidade social.

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A palavra homossexualidade já foi e continua a ser, em determinados pontos do continente africano, tomada como “tabu”. São vários os mitos que descrevem África, como um continente sem homossexualidade, mas o cinema queer abre portas para o esclarecimento dos mesmos e a distinção entre “homossexualidade” e “comportamentos homossexuais”.

 

Opinião Queer Focus on Africa, por Cemiclay Vera Santos

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Quando olhamos para o tema, o primeiro público que imaginamos é a comunidade africana. Mas, essa não foi a realidade do Queer Focus On Africa que este ano foi o foco do Festival Internacional de Cinema Queer.

A comunidade africana tem o espírito habitual de estar presente em tudo o que representa a sua cultura, pois a nossa educação faz de nós seres mais unidos, e devido a nossa história de termos vivido em comunidade, somos seres de natural partilha.

Mas o tema do Festival de Cinema poderá ser um dos motivos que alterou a natureza africana de cada um, a palavra homossexualidade poderá ter sido um dos motivos que manteve longe os africanos. Como sabemos, o tema continua a ser um tabu para muitos em África.

Tomei a liberdade de questionar a alguns afrodescendentes e até mesmos africanos, o porquê de estes não interpretarem este tema como algo interessante, ou até mesmo curioso de ser abordado e discutido. Na maioria das respostas, todos foram sinceros e esclareceram que o facto de irem ao Festival de Cinema Queer poderiam ser vistos como homossexuais.

Mas, como foi dito num dos debates do Queer Focus Africa, é necessário questionar, discutir sobre o tema para que os nossos pontos de vista possam mudar, para que tenhamos uma visão mais ampla e até mesmo livre de preconceitos, pois não podemos basear-nos apenas no que ouvimos mas sobretudo nas respostas que conseguimos obter.

Esta é a proposta que faço a cada africano, que possam sair da sua zona de conforto, não tenham medo de serem conotados, mas sim vençam preconceitos que vêm de uma história, de uma cultura que pode ser moldada.

Áudio 24 – Poemografias por Heduardo Kiesse

Filósofo de formação e poeta de vocação. Faz poesia através de fotografias. A poesia que faz está, literalmente, cheia de imagens. O seu mais recente trabalho foi ilustrar a capa do livro de Alice Vieira “Os Armários da Noite” mas também já ilustrou António Lobo Antunes e fez exposições individuais. Heduardo Kiesse é angolano, vive em Lisboa e é o criador do projeto Paradoxos onde expõe as suas poemografias.