Bem-vindo à Rádio AfroLis! Todas as quintas-feiras com novos programas!

O trabalho realizado através do audioblgue Rádio AfroLis deu origem à criação da AFROLIS – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, em outubro de 2015!

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Áudio 117 – “Scúru Fitchádu”, Primeiro EP de Marcus Veiga

Na entrevista de hoje, lançamos luz sobre Scúru Fitchádu (em crioulo de Cabo-Verde) ou Escuro Cerrado, o primeiro trabalho musical de Marcus Veiga, também conhecido como Sette Sujidade. Nasceu em Lisboa mas tem origens em Angola e Cabo-Verde. Um EP com cinco faixas lançado no dia cinco de julho (dia da independência de Cabo-Verde), o que parecendo que não, foi apenas  uma coincidência. O EP “Scúru Fitchádu” de Marcus Veiga pode ser ouvido, ao vivo, no concerto agendado para sexta-feira 29 de julho no Ginjal Terrasse, em Cacilhas. A mistura: Punk e Funaná!!!

Sinlge: Ken Ki Fra (Quem disse [que estou sentado])

Mais música: https://scurufitchadu.bandcamp.com/track/ken-ki-fr

 

Comentando a música pós-colonial no Lisboa Mistura

O Lisboa Mistura está de volta em 2016 e a Afrolis esteve na Casa Intendente para ouvir a conversa sobre “A música pós-colonial de Portugal – do irromper do Hip Hop nos anos 1990 às manifestações Afro-House do presente”
com Vitor Belanciano, António Brito Guterres, Teresa Fradique, António Contador, Rui Miguel Abreu.

António Contador, um dos oradores:

“Música pós-colonial pode ser o rap que se fazia cá nos anos noventa, pode ser também o Kuduro que se fazia em Portugal nos anos noventa aqui, em Lisboa, e que mudou, que se transformou e que hoje é consumido, se calhar, em maior escala, em Portugal, em Lisboa, mas também nos arredores, em Paris, etc. É também, eventualmente, o Funaná que se dança no BLeza, mas, se calhar, o que me interessava mais dizer é a profunda repulsa que tenho com o termo pós-colonial. Eu acho que há um grande trabalho a fazer em encontrar um novo termo que sirva melhor, que seja mais positivo, que seja mais construtivo. Da mesma forma como segunda geração de imigrantes não serve para classificar ou para qualificar os jovens filhos de imigrantes africanos que são, em larga maioria, portugueses. E, por isso, música pós-colonial serve, se calhar, o contexto histórico português que, talvez, exista ainda, mas que é necessário ultrapassar. E, talvez, o trabalho a fazer é, precisamente, desconstruir esse termo pós-colonial e, sobretudo, substitui-lo por outro, que seja mais carregado de vida e menos carregado do passado histórico complicado. Portanto, se calhar há um trabalho a fazer sobre a história de Portugal, sobre a história da vida dos portugueses, brancos e pretos, mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais, para que esses termos deixem de fazer sentido.” (António Contador – orador)

“É interessante, de facto, ouvir essa questão sobre música pós-colonial, porque à priori uma pessoa pode-se questionar “o que é, de facto, música colonial e música pós-colonial?”  até porque a chamada música colonial também tem um histórico de mistura e de origens diversificadas, como a chamada música pós-colonial, que se produz hoje em Portugal, fruto desse território plantado à beira-mar, que hoje se chama Portugal. Por isso, a mim, me faz imensa confusão ter que se criar um caixote para se chamar essa música produzida nos dias de hoje e a dos outros tempos, como se ela não tivesse sido produzida no mesmo território e fruto de experiências diversificadas de um passado e de um presente. Eu acho que não é nenhuma novidade, os povos andarem a trocar experiências, a enriquecerem o que chamam de cultura popular ou cultura nacional. Eu acho que é importante, em primeiro lugar, olhar para essa dimensão do que é a música em Portugal. Agora, os caixotes, eu acho que isso é um problema de quem precisa de colocar as pessoas num espaço que não é um espaço global, que não é um espaço total, e assim os coloca à parte, e fora do chamado público geral. Eu próprio digo várias vezes que há uma questão fundamental, para qualquer artista, a sua maior ambição, seja nas artes plásticas, no cinema, na dança ou na música, a sua primeira ambição é atingir um público global, não é atingir um público em específico. Por isso, essa ideia da música pós-colonial nos remete para uma dimensão de público específico, que parar mim é discriminatório, porque a produção artística visa, única e exclusivamente, todas as pessoas interessadas nela. “ (Manuel dos Santos – público)

 

Áudio 116 – I Mostra Internacional de Cinema na Cova – África e suas Diásporas

Entre os dias 19 e 23 de julho, durante o Kova M Festival 2016, será realizada a I Mostra Internacional de Cinema na Cova da Moura: África e suas Diásporas. A curadoria e de Janaína Oliveira e Maíra Zenun, a nossa convidada.

Haverá também uma oficina de 72 horas sobre como se desenvolveu uma rede de produtoras e realizadoras mulheres no Brasil, e de que maneira esta conjuntura surge para dar espaço a que a outros grupos possam produzir as suas próprias imagens.
Organização:
NÊGA FILMES

Parceiros:
Associação Cultural MOINHO da Juventude e FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro

Especial Reportagem: Visita Guiada Por Uma Lisboa Africana com a Batoto Yetu

Largo de S. Domingo

Largo de S. Domingos / Rossio

A Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal encontra-se a desenvolver um projeto, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, no qual pretende explorar a presença histórica de africanos na cidade de Lisboa. No dia 21 de junho realizou-se uma visita guiada em tuk tuk por Lisboa com a Professora Doutora Isabel Castro Henriques do Centro de Estudos sobre África, Ásia e a América Latina (ISEG) que indicou os lugares de memória da presença africana na cidade. Cristina Carlos, membro da Afrolis acompanhou a visita e deixa-nos aqui o seu relato.  

Por Cristina Carlos

Sousa Martins

José Tomás de Sousa Martins ( 7 de Março de 1843 — 18 de Agosto de 1897) , médico negro.

A presença visível de negros em Lisboa é uma prova viva das histórias vividas entre Portugal e os vários países de onde somos oriundos. Histórias essas que continuam e explicam aquela senhora aos pés da estátua de Sá da Bandeira,  no Largo de São Domingos –  um ponto de encontro africano mesmo ali no Rossio, ou a continua devoção ao beatificado Dr. Sousa Martins, a quem ainda hoje, 120 anos após a sua morte, são atribuídas curas milagrosas.

Lisboa tem uma história africana e “Cada vez mais é importante que se conheçam os lugares onde as pessoas passaram e existiram.” refere a Prof. Isabel Castro Henriques, que mostrou um percurso que promove o conhecimento dos lugares onde africanos escravizados estiveram com mais força, num período desde o Séc. XV até ao Séc. XIX, altura em que é abolida oficialmente a escravatura. Muitos lugares já não existem fisicamente, mas estão ligados à presença dos africanos em Lisboa, uma história pouco trabalhada e pouco conhecida.”, acrescenta a investigadora.

Tuk Tuk

(Frente dt.) José Lino (Direcção da Batoto Yetu) e Prof. Isabel Castro Henriques e convidados

Que lugares são esses? Que marcos têm? A toponímia da cidade revela alguns pontos, o inexistente Poço dos Negros, que se encontra tão próximo do lugar de castigo, agora é um triângulo de onde foi retirado o pelourinho. A Rua das Pretas, e o bairro das colónia são referências que ficaram na história e que deixam antever estórias de sujeitos sem direito a um lugar na história.
Fazendo o percurso em Tuk Tuk eléctrico, percorremos caminhos que ilustram a presença africana em Lisboa, que no Séc. XVI era estimada ser cerca de 10% da população lisboeta. Nessa altura, poderiam ver-se negro nas suas atividades de carga e descarga, no Cais Sodré, na construção de naus, na Ribeira das Naus e até mesmo a participar numa série de actos da vida portuguesa, sem segregação espacial entre brancos e negros, em que o ponto mais alto eram as músicas e as danças dos africanos, criando um ambiente festivo.

Nossa sr Rosario

Santos de pele negra, africanos

Santos negros (2)

Igreja da Graça – A presença de negros na cidade de Lisboa está num dos altares da Igreja, o de Nossa Senhora do Rosário

Mas nem só de festa são feitas as vivências dos negros em Lisboa, o Poço dos Negros, os Pelourinhos – lugares de castigo – mas também a Igreja do Carmo com a Nossa Senhora do Rosário e o Largo de São Domingo com a sua mística chamada para o encontro africano, presente mesmo nos tempos de hoje. “Foi sempre um lugar de encontro dos africanos, o que é extraordinário é que este lugar de encontro continua até aos nossos dias. Acredito que não haja conhecimento que neste lugar foram protegidos e aceites [africanos escravizados] numa confraria religiosa que lhes permitia comprar a liberdade (…), mas existe uma tradição oral sobre o facto deste ser o local do encontro.” Prof. Isabel Castro Henriques.

E é na busca deste encontro que a Associação Batoto Yeto pretende promover com o projecto Kadjibu 2016, Inês Pinto refere “O nosso objetivo é fazer o percurso e ver, em parceria com a professora [Isabel Castro Henriques], quais são estes locais mais importantes e que símbolos é que podemos realçar com uma placa a explicar a importância do local ou da pessoa. Incluir a informação em rotas turísticas aumentar a visibilidade e o interesse por este passeio. É estranho pensarmos que Portugal não tem um Museu de História Africana ou dedicado aos
povos africanos que fazem parte importantíssima da história de Portugal.”

Isabel CHEste primeiro passeio teve a locução da Prof. Isabel Castro Henriques e a presença de ilustres convidados, todos interessados na Presença Africana em Portugal. Soube a pouco. E para quem já ama Lisboa, é importante sentir que os africanos não são uma presença aleatória, mas que sempre fazem parte da cidade de Lisboa.

Áudio 115 – Kimi Djabaté, Músico Griot

“Nós não podemos ter vergonha de quem somos! Eu não tenho vergonha de ser griot”

Músico guineense, vocalista, balafonista, guitarrista e considerado embaixador da cultura mandinga e guineense em Portugal, Kimi Djabaté, é o nosso convidado de hoje.
No próximo sábado, 2 de julho, estará no palco do Grupo Desportivo da Pena, em Lisboa, para fechar a tour da Musa.

 

 

Áudio 114 – Clemente Tsamba e estórias de artes

Ator, contador de histórias e músico moçambicano, Celmente Tsamba, acredita que a missão de todos no mundo deveria ser passar o conhecimento ao próximo. Tsamba passa os seus conhecimentos a crianças através de oficinas de arte, mas não deixa de partilhar o que sabe e quer aprender com quem estiver disposto a ver, a ouvir e, principalmente, a participar.

O seu espetáculo mais recente foi “Nos Tempos de Gungunhana”,uma criação e interpretação de Clemente Tsamba, a partir da obra “Ualalapi”, do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Para que este espetáculo seja apresentado num palco perto de si, basta ligar para o artista: 961971787

Página profissional de Clemente Tsamba: Aqui

Áudio 113 – Racismo em Português, com Joana Gorjão Henriques

A nossa entrevistada de hoje é Joana Gorjão Henriques, jornalista do Público e autora do livro Racismo em Português.

Consciente do meu lugar de privilégio – o de jornalista branca de um país que tem dominado a versão do que foi a história colonial – procurei na escrita das reportagens dar primazia aos testemunhos pessoais. Mais do que tecer julgamentos sobre se o que as pessoas contaram estava certo ou errado, quis sobretudo ouvir o que sentem e como olham para a discriminação racial exercida pelos portugueses durante o colonialismo, que narrativas perduram em cada país, que cicatrizes permanecem. Quis ouvir a sua versão da história.Joana Gorjão Henriques

O livro já pode ser comprado na página da editora Tinta da China e, a partir de dia 24 de junho, podem comprá-lo em todas as livrarias do país.

Apoios para a realização do trabalho de Joana Gorjão Henriques: Público e Fundação Francisco Manuel dos Santos.