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Áudio 196 – Sentença Caso da Esquadra de Alfragide: Comentários da Comunidade Negra

O programa de hoje dedica-se ao caso conhecido como Caso da Esquadra de Alfragide, que remonta a 2015. No dia 5 de fevereiro desse ano 6 jovens da Cova da Moura foram levados para a esquadra de Alfragide e agredidos por agentes da polícia. Um desses moradores e Flávio Almada, que entrevistei na altura e falou do que sofreram nas mãos daqueles agentes. 17 agentes acabaram por ser acusados de sequestro, tortura, racismo, coacção e falsificação de provas. O julgamento durou um ano, com 30 sessões e mais de 100 pessoas ouvidas.
A Sentença foi lida, esta semana, no dia 20 de maio, de 2019 e pedi a algumas pessoas da comunidade negra para comentarem a sentença, nomeadamente, a socióloga Cristina Roldão, Melissa Rodrigues, Mamadou Ba e José Semedo Fernandes.

Links de interesse:

Oito polícias de Alfragide condenados, nove absolvidos. Vítimas vão receber indemnizações

Murros, insultos e uma shotgun: o que ficou provado no caso das agressões aos jovens da Cova da Moura

“Falta de prova médica” não indica inexistência de tortura, diz comité europeu

Áudio 195 – Exposição “Para a história do movimento negro em Portugal, 1911-1933”

O nosso convidado de hoje é José Pereira, um dos curadores da exposição “Para uma história do movimento negro em Portugal, 1911-1933”. Esta exposição pretende resgatar a memória de uma geração de afrodescendentes que, no início do século XX, constituiu o primeiro movimento panafricanista da cidade de Lisboa. Este contributo para a divulgação da história dos portugueses negros que tem sido silenciada em Portugal, decorre de 14/05 a 24/05, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. A visita guiada com os autores decorrerá no dia 22/05 às 14h30. A iniciativa partiu do Roteiro para uma Educação Antirracista e é da autoria de José Pereira (Coletivo Consciência Negra), Pedro Varela (CES-UC) e Cristina Roldão (ESE-IPS e CIES-IUL).

 

 

Áudio 194 – Welket Bungué, no IndieLisboa, com o filme “Arriaga”

Welket Bungué, ator e realizador de origem guineense, a residir entre Berlim e o Rio de Janeiro, vai estrear-se no IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema  –  com o filme “Arriaga”, a 4 de maio, às 21h30, no Cinema São Jorge, com uma segunda sessão no dia 8 de maio, no mesmo local a mesma hora, com a presença do realizador.

O filme “Arriaga” explora o universo da diáspora africana dos arredores de Lisboa e conta com atores como Isabél Zuaa, Cleo Tavares, Mauro Hermínio, Paulo Pascoal, Nádia Yracema e Miguel Valle.

Welket Bungué estará também presente no Hangar, no dia 7 de maio (ver evento Aqui).

Filmografia

Websérie

 

 

Áudio 193- Selma Uamusse apresenta o evento solidário “Mão dada a Moçambique”

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabué e Maláui fez centenas de mortos, segundo os balanços oficiais. Em Moçambique, o número de mortos confirmados supera os 400 e o de pessoas afetadas subiu para quase 800mil e os números continuam em atualização. A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.
Perante esta catástrofe humanitária, assistimos a uma onda de solidariedade por todo o mundo. E, em Lisboa, na próxima terça-feira, dia 2 de Abril, mais de 50 músicos portugueses e internacionais vão participar no evento “Mão dada a Moçambique”, no Capitólio, com o objetivo de angariar receitas para ajudar os afetados pelo ciclone Idai. A mentora e organizadora desta iniciativa é a artista moçambicana Selma Uamusse.
(Foto: Pedro Medeiros)

Representatividade de comunidades racializadas na política em Portugal

Por Mamadou Ba

Na década de 90, o PCP e o PS tiveram dois deputados negros, o Manuel Correia e o Fernando Ka em regime de substituição que desapareceram estranhamente do espaço político depois da legislatura, sem nada o justificasse. Até hoje, nem o PCP nem o PS voltariam a ter em lugares elegíveis candidatos racializados, à excepção do António Costa, para as legislativas e Carlos Miguel para as autárquicas. Pode-se sempre sublinhar a presença de Francisca Van Dunem e de Carlos Miguel no actual governo. Mas não deixa de ser verdade, que não é a mesma coisa ser convidado para um governo ou ser um candidato a eleições. Na década de 90, Helena Lopes da Silva, pelo PSR e o General D pela Política XXI, seriam candidatos às europeias em lugares de destaque. Em 2009, o MEP colocaria a Anabela Rodrigues em sexto lugar e o Bloco, a Beatriz Gomes Dias no oitavo lugar para as legislativas e no décimo sétimo lugar para as Europeias. Em 2011, Beatriz Gomes Dias vai em oitavo lugar nas legislativas pelo Bloco de Esquerda. Em 2014, outra vez para as europeias, o Bloco coloca o Jorge Silva no décimo sétimo lugar e no sétimo lugar para as legislativas de 2015. Para as europeias deste ano de 2019, o Bloco coloca a Anabela Rodrigues em quarto lugar. Enquanto isso, à direita, o CDS e o PSD elegem respectivamente e há vários anos candidatos racializados, entre eles Narana Coissoró, Hélder Amaral e Nilza de Sousa para o Parlamento Nacional. Na verdade, à excepção dos partidos da direita, nunca mais nenhum partido se furtou ao triste folclore de apenas colorir as suas listas com candidatos racializados em lugares não elegíveis. Em 2019, é o Livre que coloca Joacine Katar Moreira, uma mulher negra, num lugar cimeiro para disputar as eleições europeias e legislativas. É um facto histórico que merece ser assinalado. E o que torna esta circunstância ainda mais histórica e notável é o facto de nos últimos 20anos, os partidos com mais hipóteses de eleger deputadas/os – portanto com maior responsabilidade para o fazer – nunca terem feito esta escolha. Tanto o Bloco, como o PCP e o PS preferiram sempre o conforto de não arriscar eleitoralmente confrontar a sociedade portuguesa com candidatos assumidamente não brancos (apesar do recente coming out do nosso Primeiro Ministro). Nem quiseram confrontar-se com a tibieza do seu compromisso com o combate ao racismo. Se é verdade que a estes partidos muito se deve do pouco que se conseguiu neste campo, não deixa sobretudo de ser verdade que a eles se deve parte substancial de tudo o que está por fazer e que poderia começar pela representatividade das comunidades racializadas na disputa política. A retórica anti-racista nestes partidos não correspondeu a nenhuma visibilidade de sujeitos políticos racializados na disputa eleitoral. Por isso tudo e muito mais, o lugar de destaque atribuído à Joacine Katar Moreira no Livre, é mais do que uma lufada de ar fresco e um contributo para desenferrujar as velhas práticas partidárias cinicamente atreladas a uma inconsequente retórica anti-racista. E é por isso mesmo, também um desafio aos restantes partidos para, para lá da retórica e da coreografia legislativa, assumirem as suas responsabilidades.
O Livre está de parabéns por ter permitido que a vontade e a determinação da sua militante correspondesse à coragem e à lucidez dos militantes que a escolheram.
O país precisa de um assomo de coragem para enfrentar o racismo e ceder espaços de visibilidade e poder para aqueles e aquelas que continuam marginalizados e excluídos da sociedade.
A presença de Joacine e de Anabela, duas mulheres negras feministas nas listas do Livre e do Bloco pode ser o início de um novo ciclo? Esperemos que sim.
Por tudo isso, desejo todas as felicidades à Joacine e ao Livre e também à Anabela e ao Bloco. Espero que os eleitores estejam à altura do desafio que se nos coloca enquanto comunidade política.

(texto originalmente publicado na página do Facebook de Mamadou Ba)

Áudio 192 – 7ª Conferência Bianual da Rede Afroeuropeans

A 7ª Conferência Bianual da Rede Afroeuropeans vai realizar-se em Lisboa, tendo como local central o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, de 4 a 6 de julho. Esta conferência já foi realizada em León and Cádiz (Espanha), Londres (Inglaterra), Münster (Alemanha) and Tampere (Finland) sob diferentes temáticas. A Afroeuropeans também oferece a oportunidade de fortalecer e alargar redes entre académicos, activistas e artistas que questionem o racismo estrutural e estejam envolvidos criticamente na produção de conhecimento pós-colonial sobre a negritude europeia e a diáspora africana. Estas redes de diálogo serão promovidas através de palestras, painéis temáticos, mesas-redondas, comunicações individuais e um programa artístico e cultural. Em Lisboa, o tema vai ser “In/Visibilidades Negras Contestadas”. A nossa convidada de hoje e Raquel Lima e vai falar-nos mais sobre a conferência.

Áudio 191 – Como se (des)constrói o racismo nos média? (Roteiro para Educação Antirracista)

Registo da mesa do seminário de abertura do Roteiro para uma Educação Antirracista, no dia 26 de janeiro, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, com o tema “Como se (des)constrói o racismo nos média?”.  Os convidados, Diana Andringa, (documentarista) Joana Gorjão  Henriques (jornalista do Publico), e José do Rosendo (jornalista da Antena 1),  falaram de casos específicos para descreverem qual tem sido o papel dos media na construção e qual poderia ser a sua atuação para contribuir para desconstrução do racismo nos media.

Diana Andringa destaca o episódio do suposto “arrastão” (roubo em massa) que teria sido feito por jovens negros, na praia de Carcavelos (2005), para realçar a importância de se fazer jornalismo “com os pés”, ou seja, ir aos locais e falar com diferentes fontes mas também ter um espírito critico.  (Ver documentário da autoria de Diana Andringa “Era uma vez um arrastão”)

Joana Gorjão Henriques, revisitou o episódio da esquadra de Alfragide (2015), em que um grupo de jovens da Cova da Moura foi acusado de tentar invadir a esquadra da policia, quando apenas ia saber de um amigo que tinha sido detido. O caso encontra-se em julgamento. A jornalista menciona também a atuação dos media relativamente ao caso do bairro da Jamaica (2019).

José do Rosendo diz que espaços como a iniciativa Roteiro para uma Educação Antirracista são “balões de oxigénio” numa “sociedade que está doente” e em que os media são um reflexo dessa condição.”

Cristina Roldão, uma docente e investigadora responsável por esta iniciativa, declarou que “Este roteiro é a possibilidade de, até junho, termos todos os meses um espaço de debate sobre como desconstruir o racismo dentro da educação em diferentes áreas”. O próximo seminário vai ser no dia 23 de fevereiro.