Bem-vindo à Rádio AfroLis! Todas as quintas-feiras com novos programas!

O trabalho realizado através do audioblgue Rádio AfroLis deu origem à criação da AFROLIS – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, em outubro de 2015!

Contamos contigo para mais momentos de partilha! Contamos contigo como parte da nossa visão de partilha! Contamos com o teu apoio como sócio/a! A ficha de inscrição está aqui AQUI e deixamos também aqui o nosso agradecimento do fundo do coração!

Áudio 123 – Maimuna Jalles regressa à música a solo

Maimuna Jalles, filha de pai guineense e mãe polaca judia, “uma bela mistura”, descreve a cantora afrolisboeta. A sua voz já acompanhou nomes como General D, Sara Tavares, Guto Pires e To Cruz. Depois de uma pausa de alguns anos, Maimuna Jalles volta ao mundo da música mas a solo…

Foto: Marlene Nobre

Próxima participação de Maimuna Jalles será no concerto de Remna Schwarz no Centro Interculturacidade (23 de setembro)!

 

 

 

 

 

Áudio 122 – Espaço Djairsound partilhando sonhos

Djairsound Bar / Restaurante é um espaço onde se cruzam sonhos de artistas que partilham o seu talento entre amigos e pessoas desconhecidas mas abertas a novas experiências sonoras e não só. Jair Pina, músico e empresário cabo-verdiano, apresenta este cantinho familiar que se encontra situado na Rua das Janelas Verdes número 22.

Podem ver o Jair Pina a apoiar o músico de rua Gaspar Silva no B.leza

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Áudio 121 – Tabacaria Tropical Sta Bazofo

“Bazofo” é uma palavra do crioulo de Cabo Verde que descreve alguém com estilo e atitude. Mas é também uma pequena marca de roupa sustentável e ética da Cova da Moura, fundada por Vítor Sanches, o dono da Tabacaria Tropical. A Tabacaria Tropical abriu em Junho de 2015 e já tem um vasto leque de eventos realizados naquele espaço que” sta bazofo”! Na Cova da Moura não é raro ouvir-se dizer `Bu sta bazofo!`, não só porque muitas pessoas falam crioulo, mas também porque, segundo Vitor Sanches, há muita gente com muito estilo que representa a cultura daquele bairro a sua identidade.

A Bazofo e a Tabacaria Tropical estão presentes nas seguintes redes sociais:

Especial: Amor Djidiu

Djidiu – herança do ouvido é uma iniciativa da Afrolis – Associação Cultural que convida poetas, contadores de histórias e interessados na produção literária africana e negra a participar ativamente na produção e divulgação de textos da própria autoria ou de autores que considerem relevantes. Todos os meses temos uma sessão publica num local diferente de Lisboa. O mês de Agosto teve como tema o “Amor” e, pela primeira vez, saímos do centro de Lisboa, estivemos na Tabacaria Tropical, na Cova da Moura e deixamos aqui algumas impressões de mais um encontra do família Djidiu.

Há quanto tempo…

(Autor: Apolo de Carvalho)

Há quanto tempo?
Há quanto tempo lutamos?
Há quanto tempo protestamos?
Há quanto tempo nas ruas marchamos, longas faixas erguemos e em uníssono, gritamos NÃO! BASTA! JAMAIS!
Ainda assim, há quanto tempo temos sido espezinhados, marginalizados, segregados, coisificados, desumanizados, amordaçados, silenciados?

Há quanto tempo temos sido ridicularizados, linchados e chacinados?
Há quanto tempo sofremos, choramos e em vão lamentamos?
Há quanto tempo dura o nosso luto, quantas vezes o repetimos? Quantas mais teremos?
Há quanto tempo nos rapinam e nos MATAM?

Nesses tempos tão longos, trilhos tão penosos, nos quais me perco… Quantos sonhos se dissiparam? Quantas vidas se ceifaram?

Há quanto tempo nos empurram para bairros degradados, ghettos estigmatizados e prisões, essas nada mais do que empresas que lucram como nosso infortúnio?
Há quanto tempo temos sido combustíveis, matérias-primas, mãos-de-obra barata, trunfos de vitórias alheias, objetos…?
Há quanto tempo temos sido escudos de outrem, servido em batalhas não nossas, tidos como despojos a partilhar?
Há quanto tempo nos roubam, usurpam, pilham, violam, violentam e nada fazemos?

Nesses tempos tão longos, mares de sangue nos quais me afogo… Quantas valas comuns serviram nossos corpos de leito? Quantos de nós fomos esquecidos?

Há quantos tempos temos sido acusados de, sentir dor e verbalizar o nosso sofrimento?
Há quanto tempo nos consome esta impotente raiva?
Há quanto temos desistido, relegado e consentido ?
Há quanto tempo temos sido lobotomizados, ludibriados e iludidos a ponto de reforçar a nossa própria opressão?
Há quanto apregoamos a unidade e contudo, mal nos reconhecemos como irmãos?
Há quanto tempo guerrilhamos e nos autodestruímos para deleite do inimigo?

HÁ QUANTO TEMPO DEIXAMOS DE NOS AMAR?

Por quanto tempo mais, permaneceremos meros sonhadores,
exímios instrumentos, perfeitas marionetas?
Por quanto tempo mais, continuaremos a ser vítimas, oprimidos, minorias, incapazes, obrigados a mendigar o que é nosso?
Por quanto tempo, nesta Terra berço, que nos pariu e nos amamentou, seremos exilados, indesejados, refugiados, labelados elegais?

Por quanto tempo ainda, nos contentaremos com esta esperança que com migalhas nos alimenta e que entre miragens entorpecedoras nos esconde e recusa a verdadeira bonança?

IRMÃOS!

Há quanto tempo dura esta nossa inquietante hibernação?
Há quanto tempo deixamos de existir?
Há tanto… tanto tempo que já nem nos recordamos
Há tantas… tantas gerações que já nem nos importamos
Há tantos…. tantos séculos que outros tantos se mostram necessários para que um novo começo se projete

O tempo é tanto que passou o prazo da reivindicação, perdemos direito à reparação, a legitimidade para a vitimização. Dizem-nos.
Bem tentamos pressionar e contestar.
De vez em quando, para conter uma ou outra insurreição,
Umas leis memorias aqui… uma data comemorativa acolá… uns monumentos além e, ainda que extremamente raro um simbólico pedido de desculpas mas claro, obviamente que sem direito à reparação.
-Foi há tanto tempo que as vossas feridas já deveriam ter sarado. Não temos culpa do que vos aconteceu, nós também sofremos, somos todos humanos, acabem com esse vitimismo e sigam em frente que ninguém vos impede.
Assim dizem, para estupefacção nossa, os nossos humanistas de plantão, esses Pôncio Pilatos, pretensos messias da liberdade e belicosos “cruzadas da paz perpétua”

Mas a verdade, é que não se importam. Pouco se lixam
E já não basta dizermos basta a esta casta que não se basta de ser paternalista racista, hipócrita e umbiguista
Já não basta sentir raiva e resistir passivamente
Já não basta perdoar, compreender, tentar esquecer, ser resiliente e seguir em frente

Não somos minorias, muito menos incapazes, é tempo de agirmos, coordenar nossa luta, unirmo-nos e fazer frente
Já não basta protestar, dialogar e propor. É preciso AFIRMAR, PURGAR E BOICOTAR
É tempo de RECUPERAR, OCUPAR, DOMINAR E RECOMEÇAR

O tempo que passou é nosso testemunho, os tempos que virão, papiros ainda virgens. E nós, os flagelados dos tempos, seremos escribas de um futuro nosso.

Nãos nos perderemos em saudosismos nem nos tardaremos com melancolias.

Assumiremos plenamente a nossa História sem nos rendermos a vaticínios e deslumbramentos. Pensaremos e forjaremos nós mesmos o nosso querer.

NÃO ACEITAREMOS LIÇÕES, RECOMENDAÇÕES, RESOLUÇÕES OU SANÇÕES.
NUNCA MAIS NOS CURVAREMOS,

SEREMOS INVICTUS.

Amar-nos-emos sem reservas nem condicionalismos
E nossa amada Mãe Negra erguer-se-á esplendorosa

 

 

Ciclo Mundos – A periferia trás música ao centro (Songhoy Blues)

Entrevista com Aliou Toure, vocalista da banda Songhoy Blues que esteve presente no Festival Ciclo Mundos, no Teatro da Trindade (25/08/16). (Áudio em inglês)

Aliou Touré (AT): Aliou Touré, vocalista da banda Songhoy Blues. Songhoy Blues é uma banda jovem nova do Mali, África Ocidental, e estamos em Lisboa hoje para um espetáculo fantástico. O espetáculo foi muito bom e ficaria muito feliz de voltar em breve.

Rádio Afrolis (RA): Pode descrever a tipo de música que fazem?

AT: A nossa música é, basicamente, música africana. Então, nós somos uma geração africana nova, temos de nos certificar de que as gerações jovens do resto do mundo entendam finalmente o verdadeiro significado da música africana. Porque se pegares no Blues, no Rock, no Hip Hop, Reggaeton todas essas musicas vêm basicamente de África e as pessoas em todo mundo usam essa música. Quando vais para os Estados Unidos e ouves sobre Blues americano, não, não é Blues americano, vem de África. Então, a nossa música é uma mistura de todos estes tipos de música, Reggae, Hip Hop, Rcok com música tradicional africana para fazer algo especial.

RA: É a vossa primeira vez aqui em Portugal?

AT: A segunda vez. A primeira vez em Lisboa.

RA: E como sente o público aqui?

AT: O público aqui tem uma boa energia. A audiência muito boa. É como se eles compreendessem o que estamos a dizer. Eles mexem-se como em África. Eles têm uma grande comunidade africana aqui. Lisboa é cidade com uma mistura grande e boa, com pessoas africanas, com pessoas de diferentes sítios e isso faz uma mistura cultural muito grande e nós adoramos isso.

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RA: Onde vai ser a vossa próxima paragem?

AT: Vamos estar na Escócia para o próximo concerto e a seguir em Brighton, em Inglaterra, e depois França.

RA: Então têm estado a viajar muito pelo mundo com o vosso grupo.

AT: Sim, estamos a viajar há 3 anos pelo mundo para promover este álbum, “Music in Exile”

RA: E como é quando volta a tocar em África.

AT: Sempre que estamos fora e voltamos ao nosso país organizamos algo para amigos e alguns fãs que temos. Tocamos sempre no nosso país quando voltamos.

RA: E qual é a sensação?

AT: É ótimo. As pessoas ficam muito orgulhosas e muito felizes por nos ver de volta.

RA: Disse que vocês são uma jovem banda e que um dos vossos objetivos é também mostrar ao mundo que a música africana tem muitas influências e que se desenvolveu muito, acho que outros jovens em África estão a tentar fazer o mesmo?

AT: Sim, claro. Porque hoje todos em África têm Internet. Muitos artistas têm o seu próprio estúdio em casa e podem misturar diferentes estilos de música e tentar fazer a sua própria música.

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RA: Que tipo de mensagem deixaria para um jovem negro que tenha nascido e crescido na Europa relativamente à música africana? Que tipo de relação deveriam construir com a música africana?

AT: Quando tocamos na Europa ou algures fora de África, quando estão lá pessoas africanas negras elas sentem-se me casa. Nós fazemos com que elas sintam que querem voltar para África para viver lá. Quando acabamos de tocar, algumas pessoas choram, algumas pessoas ficam muito orgulhosas da música africana, de ver uma banda africana a tocar pelo mundo. Nós queremos mostrar-lhes que a vida que têm aqui também podem ter em África. Esta vida boa em África. É por isso que estamos a tentar pôr esta música boa daqui com a música boa de África para mostrar-lhes que com a música a mistura é possível.

Ciclo Mundos no Teatro da Trindade – A periferia trás música ao centro (FMM & Inatel)

O Teatro da Trindade recebeu, na quinta-feira, dia 18 de agosto, Ballaké Sissoko & Vicent Ségal (Mali/França)  no âmbito do Festival Ciclo Mundos (FMM / INATEL). A Afrolis esteve no concerto e conversou com os músicos.

Ballaké Sissoko & Vincent Ségal -CICLO MUNDOS

Carlos Seixas, organizador do Festival Músicas do Mundo de Sines (FMM), afirma que o Ciclo Mundos reflete um movimento diferente: “A periferia trás a música ao centro”.

Hoje, 25 de agosto, o Ciclo do Mundo trás o concerto dos SONGHOY BLUES do Mali, uma banda jovem músicos com raízes no norte do país. “Inspiram-se na cultura da etnia Songhoy, que vive nas margens do rio Níger, entre as cidades de Timbuktu e Gao, e nasceram em reação ao conflito que se desenrolou na região em 2012 e 2013. Nessa altura, tocavam sobretudo para exilados do norte a viver em Bamako, até serem descobertos pelo produtor Marc-Antoine Moreau, quando procurava músicos para o projeto Africa Express de Damon Albarn. A sua música funde tambaka de Gao, guitarra tuaregue, trance Songhoy e melodias do deserto. “Music in Exile”, o seu disco de estreia, foi lançado em fevereiro 2015.”

Mais infos AQUI

Áudio 120 – Sobre o “Afro Lisboa”, filme realizado por Ariel de Bigault

Ariel de Bigault e francesa e foi precursora da divulgação das ‘culturas chamadas lusófonas’, E uma agente cultural, investigadora e documentarista. Dois dos seus filmes chamaram-nos a atenção, o Afro Lisboa e o Margem Atlântica. Na entrevista de hoje falamos sobre estes trabalhos, que mostram que a luta por um espaço na cena cultural portuguesa, por parte de afrodescendentes, já vem de há muito.