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O trabalho realizado através do audioblgue Rádio AfroLis deu origem à criação da AFROLIS – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, em outubro de 2015!

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Ciclo Mundos – A periferia trás música ao centro (Songhoy Blues)

Entrevista com Aliou Toure, vocalista da banda Songhoy Blues que esteve presente no Festival Ciclo Mundos, no Teatro da Trindade (25/08/16). (Áudio em inglês)

Aliou Touré (AT): Aliou Touré, vocalista da banda Songhoy Blues. Songhoy Blues é uma banda jovem nova do Mali, África Ocidental, e estamos em Lisboa hoje para um espetáculo fantástico. O espetáculo foi muito bom e ficaria muito feliz de voltar em breve.

Rádio Afrolis (RA): Pode descrever a tipo de música que fazem?

AT: A nossa música é, basicamente, música africana. Então, nós somos uma geração africana nova, temos de nos certificar de que as gerações jovens do resto do mundo entendam finalmente o verdadeiro significado da música africana. Porque se pegares no Blues, no Rock, no Hip Hop, Reggaeton todas essas musicas vêm basicamente de África e as pessoas em todo mundo usam essa música. Quando vais para os Estados Unidos e ouves sobre Blues americano, não, não é Blues americano, vem de África. Então, a nossa música é uma mistura de todos estes tipos de música, Reggae, Hip Hop, Rcok com música tradicional africana para fazer algo especial.

RA: É a vossa primeira vez aqui em Portugal?

AT: A segunda vez. A primeira vez em Lisboa.

RA: E como sente o público aqui?

AT: O público aqui tem uma boa energia. A audiência muito boa. É como se eles compreendessem o que estamos a dizer. Eles mexem-se como em África. Eles têm uma grande comunidade africana aqui. Lisboa é cidade com uma mistura grande e boa, com pessoas africanas, com pessoas de diferentes sítios e isso faz uma mistura cultural muito grande e nós adoramos isso.

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RA: Onde vai ser a vossa próxima paragem?

AT: Vamos estar na Escócia para o próximo concerto e a seguir em Brighton, em Inglaterra, e depois França.

RA: Então têm estado a viajar muito pelo mundo com o vosso grupo.

AT: Sim, estamos a viajar há 3 anos pelo mundo para promover este álbum, “Music in Exile”

RA: E como é quando volta a tocar em África.

AT: Sempre que estamos fora e voltamos ao nosso país organizamos algo para amigos e alguns fãs que temos. Tocamos sempre no nosso país quando voltamos.

RA: E qual é a sensação?

AT: É ótimo. As pessoas ficam muito orgulhosas e muito felizes por nos ver de volta.

RA: Disse que vocês são uma jovem banda e que um dos vossos objetivos é também mostrar ao mundo que a música africana tem muitas influências e que se desenvolveu muito, acho que outros jovens em África estão a tentar fazer o mesmo?

AT: Sim, claro. Porque hoje todos em África têm Internet. Muitos artistas têm o seu próprio estúdio em casa e podem misturar diferentes estilos de música e tentar fazer a sua própria música.

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RA: Que tipo de mensagem deixaria para um jovem negro que tenha nascido e crescido na Europa relativamente à música africana? Que tipo de relação deveriam construir com a música africana?

AT: Quando tocamos na Europa ou algures fora de África, quando estão lá pessoas africanas negras elas sentem-se me casa. Nós fazemos com que elas sintam que querem voltar para África para viver lá. Quando acabamos de tocar, algumas pessoas choram, algumas pessoas ficam muito orgulhosas da música africana, de ver uma banda africana a tocar pelo mundo. Nós queremos mostrar-lhes que a vida que têm aqui também podem ter em África. Esta vida boa em África. É por isso que estamos a tentar pôr esta música boa daqui com a música boa de África para mostrar-lhes que com a música a mistura é possível.

Ciclo Mundos no Teatro da Trindade – A periferia trás música ao centro (FMM & Inatel)

O Teatro da Trindade recebeu, na quinta-feira, dia 18 de agosto, Ballaké Sissoko & Vicent Ségal (Mali/França)  no âmbito do Festival Ciclo Mundos (FMM / INATEL). A Afrolis esteve no concerto e conversou com os músicos.

Ballaké Sissoko & Vincent Ségal -CICLO MUNDOS

Carlos Seixas, organizador do Festival Músicas do Mundo de Sines (FMM), afirma que o Ciclo Mundos reflete um movimento diferente: “A periferia trás a música ao centro”.

Hoje, 25 de agosto, o Ciclo do Mundo trás o concerto dos SONGHOY BLUES do Mali, uma banda jovem músicos com raízes no norte do país. “Inspiram-se na cultura da etnia Songhoy, que vive nas margens do rio Níger, entre as cidades de Timbuktu e Gao, e nasceram em reação ao conflito que se desenrolou na região em 2012 e 2013. Nessa altura, tocavam sobretudo para exilados do norte a viver em Bamako, até serem descobertos pelo produtor Marc-Antoine Moreau, quando procurava músicos para o projeto Africa Express de Damon Albarn. A sua música funde tambaka de Gao, guitarra tuaregue, trance Songhoy e melodias do deserto. “Music in Exile”, o seu disco de estreia, foi lançado em fevereiro 2015.”

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Áudio 120 – Sobre o “Afro Lisboa”, filme realizado por Ariel de Bigault

Ariel de Bigault e francesa e foi precursora da divulgação das ‘culturas chamadas lusófonas’, E uma agente cultural, investigadora e documentarista. Dois dos seus filmes chamaram-nos a atenção, o Afro Lisboa e o Margem Atlântica. Na entrevista de hoje falamos sobre estes trabalhos, que mostram que a luta por um espaço na cena cultural portuguesa, por parte de afrodescendentes, já vem de há muito.

Áudio 119 – Ativismos em África com Mojana Vargas

Mojana Vargas é docente no curso de Relações Internacionais Universidade Federal da Paraíba, no Brasil, e, de momento, encontra-se a fazer um doutoramento em Estudos Africanos  no ISCTE-IUL, em Lisboa. Está a organizar em conjunto com uma equipa de investigadores uma conferência com o tema Activisms in Africa [Ativismos em África]. Vamos saber mais sobre esta conferência.

Áudio 118 – Afrodescendentes no cinema português – Fernando Arenas

Fernando Arenas é professor de Estudos Culturais da Lusofonia , com ênfase na literatura, cinema e música popular, que ele estuda a partir de um prisma interdisciplinar e de uma teoria centrada em fenómenos ligados às consequências do colonialismo e globalização. Fernando Arenas, o nosso entrevistado de hoje, faz uma análise de longas-metragens ligadas às experiências de africanos e afrodescendentes no Portugal contemporâneo, visando investigar como, a produção cultural reflete uma nação portuguesa em plena mudança, onde as fronteiras entre o Portugal e territórios africanos, tal como as noções acerca do que é “ser africano” ou “ser europeu”, estão a ser redefinidas.

 

(Foto – Hangar)

Áudio 117 – “Scúru Fitchádu”, Primeiro EP de Marcus Veiga

Na entrevista de hoje, lançamos luz sobre Scúru Fitchádu (em crioulo de Cabo-Verde) ou Escuro Cerrado, o primeiro trabalho musical de Marcus Veiga, também conhecido como Sette Sujidade. Nasceu em Lisboa mas tem origens em Angola e Cabo-Verde. Um EP com cinco faixas lançado no dia cinco de julho (dia da independência de Cabo-Verde), o que parecendo que não, foi apenas  uma coincidência. O EP “Scúru Fitchádu” de Marcus Veiga pode ser ouvido, ao vivo, no concerto agendado para sexta-feira 29 de julho no Ginjal Terrasse, em Cacilhas. A mistura: Punk e Funaná!!!

Sinlge: Ken Ki Fra (Quem disse [que estou sentado])

Mais música: https://scurufitchadu.bandcamp.com/track/ken-ki-fr

 

Comentando a música pós-colonial no Lisboa Mistura

O Lisboa Mistura está de volta em 2016 e a Afrolis esteve na Casa Intendente para ouvir a conversa sobre “A música pós-colonial de Portugal – do irromper do Hip Hop nos anos 1990 às manifestações Afro-House do presente”
com Vitor Belanciano, António Brito Guterres, Teresa Fradique, António Contador, Rui Miguel Abreu.

António Contador, um dos oradores:

“Música pós-colonial pode ser o rap que se fazia cá nos anos noventa, pode ser também o Kuduro que se fazia em Portugal nos anos noventa aqui, em Lisboa, e que mudou, que se transformou e que hoje é consumido, se calhar, em maior escala, em Portugal, em Lisboa, mas também nos arredores, em Paris, etc. É também, eventualmente, o Funaná que se dança no BLeza, mas, se calhar, o que me interessava mais dizer é a profunda repulsa que tenho com o termo pós-colonial. Eu acho que há um grande trabalho a fazer em encontrar um novo termo que sirva melhor, que seja mais positivo, que seja mais construtivo. Da mesma forma como segunda geração de imigrantes não serve para classificar ou para qualificar os jovens filhos de imigrantes africanos que são, em larga maioria, portugueses. E, por isso, música pós-colonial serve, se calhar, o contexto histórico português que, talvez, exista ainda, mas que é necessário ultrapassar. E, talvez, o trabalho a fazer é, precisamente, desconstruir esse termo pós-colonial e, sobretudo, substitui-lo por outro, que seja mais carregado de vida e menos carregado do passado histórico complicado. Portanto, se calhar há um trabalho a fazer sobre a história de Portugal, sobre a história da vida dos portugueses, brancos e pretos, mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais, para que esses termos deixem de fazer sentido.” (António Contador – orador)

“É interessante, de facto, ouvir essa questão sobre música pós-colonial, porque à priori uma pessoa pode-se questionar “o que é, de facto, música colonial e música pós-colonial?”  até porque a chamada música colonial também tem um histórico de mistura e de origens diversificadas, como a chamada música pós-colonial, que se produz hoje em Portugal, fruto desse território plantado à beira-mar, que hoje se chama Portugal. Por isso, a mim, me faz imensa confusão ter que se criar um caixote para se chamar essa música produzida nos dias de hoje e a dos outros tempos, como se ela não tivesse sido produzida no mesmo território e fruto de experiências diversificadas de um passado e de um presente. Eu acho que não é nenhuma novidade, os povos andarem a trocar experiências, a enriquecerem o que chamam de cultura popular ou cultura nacional. Eu acho que é importante, em primeiro lugar, olhar para essa dimensão do que é a música em Portugal. Agora, os caixotes, eu acho que isso é um problema de quem precisa de colocar as pessoas num espaço que não é um espaço global, que não é um espaço total, e assim os coloca à parte, e fora do chamado público geral. Eu próprio digo várias vezes que há uma questão fundamental, para qualquer artista, a sua maior ambição, seja nas artes plásticas, no cinema, na dança ou na música, a sua primeira ambição é atingir um público global, não é atingir um público em específico. Por isso, essa ideia da música pós-colonial nos remete para uma dimensão de público específico, que parar mim é discriminatório, porque a produção artística visa, única e exclusivamente, todas as pessoas interessadas nela. “ (Manuel dos Santos – público)