Bem-vindo à Rádio AfroLis! Todas as quintas-feiras com novos programas!

O trabalho realizado através do audioblgue Rádio AfroLis deu origem à criação da AFROLIS – ASSOCIAÇÃO CULTURAL, em outubro de 2015!

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Áudio 198 – Cristina Roldão comenta luta pela inclusão de categorias étnico-raciais no Censos 2021

Em 2018, iniciou-se uma caminhada no sentido de se apurar a possibilidade de se inserir uma pergunta relativa a categorias étnico-raciais no Censos com a criação do Grupo de Trabalho Censos 2021 – Questões “Étnico-Raciais” (GT). O Grupo é constituído por académicos de diferentes instituições do país, representantes do Instituto Nacional de Estatística, dos Observatórios da Imigração e das Comunidades Ciganas, da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, da associação SOS Racismo, e, por reivindicação de coletivos por representantes de afrodescendentes, comunidades ciganas e imigrantes. Em abril de 2019, este grupo apresentou o seu relatório final com recomendações à tutela. E esta semana o INE chumbou a inclusão de uma pergunta sobre categorias étnico-raciais no Censos de 2021.  Apesar desta decisão, o INE propôs a criação de um inquérito que, segundo a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana vieira da Silva, em declarações ao jornal Público, será apoiado pelo Governo, assim como a renovação deste Grupo de Trabalho, uma vez que existe consenso na necessidade de se apurar dados relativamente à discriminação racial para a criação de politicas publicas que a combatam.  Cristina Roldão é socióloga, professora convidada da ESE-IPS, investigadora no CIES-IUL fala-nos do chumbo da inclusão desta pergunta, por parte do Instituto Nacional de Estatística anunciado esta segunda-feira, 17 de junho.

 Esta é a última entrevista do projeto Rádio Afrolis que, ao longo de cinco anos, espelhou o olhar de comunidades negras a viver em Lisboa sobre si mesmas e sobre o resto da sociedade. No próximo programa vamos fazer um apanhado destes cinco anos e deixar os nossos agradecimentos a todas as pessoas que contribuíram para a realização deste projeto.

 

Ler também:

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Governo garante que INE terá meios para fazer inquérito sobre racismo

 

Áudio 197 – I We Colloquium – Capacitação, Diversidade e Inclusão Social

O I Colóquio NÓS de Capacitação, Diversidade e Inclusão Social – We Colloquium – pretende apresentar e sugerir ferramentas práticas para o exercício de fundamentos humanitários contrários a condutas destrutivas, discriminatórias ou que visem a segregação de qualquer grupo e pessoa. O evento será realizado entre 29 e 31 de maio, em Lisboa, no ISEG – Lisbon School of Economics & Management.

Organizado pela Muxima BV e Muxima Bio PT, pelo Secret Women´s Meeting, pelo ELAS Fundo de Investimento Social, pela Femafro, pela Apiariv by Ação Pela Identidade, pela Punch Comunicação e pelo ISEG – Lisbon School of Economics & Management, o I Colóquio NÓS de Capacitação, Diversidade e Inclusão Social – We Colloquium é-nos aqui apresentado por Myriam Taylor.

Sigam as atualizações do Colóquio AQUI

 

Áudio 196 – Sentença Caso da Esquadra de Alfragide: Comentários da Comunidade Negra

O programa de hoje dedica-se ao caso conhecido como Caso da Esquadra de Alfragide, que remonta a 2015. No dia 5 de fevereiro desse ano 6 jovens da Cova da Moura foram levados para a esquadra de Alfragide e agredidos por agentes da polícia. Um desses moradores e Flávio Almada, que entrevistei na altura e falou do que sofreram nas mãos daqueles agentes. 17 agentes acabaram por ser acusados de sequestro, tortura, racismo, coacção e falsificação de provas. O julgamento durou um ano, com 30 sessões e mais de 100 pessoas ouvidas.
A Sentença foi lida, esta semana, no dia 20 de maio, de 2019 e pedi a algumas pessoas da comunidade negra para comentarem a sentença, nomeadamente, a socióloga Cristina Roldão, Melissa Rodrigues, Mamadou Ba e José Semedo Fernandes.

Links de interesse:

Oito polícias de Alfragide condenados, nove absolvidos. Vítimas vão receber indemnizações

Murros, insultos e uma shotgun: o que ficou provado no caso das agressões aos jovens da Cova da Moura

“Falta de prova médica” não indica inexistência de tortura, diz comité europeu

Áudio 195 – Exposição “Para a história do movimento negro em Portugal, 1911-1933”

O nosso convidado de hoje é José Pereira, um dos curadores da exposição “Para uma história do movimento negro em Portugal, 1911-1933”. Esta exposição pretende resgatar a memória de uma geração de afrodescendentes que, no início do século XX, constituiu o primeiro movimento panafricanista da cidade de Lisboa. Este contributo para a divulgação da história dos portugueses negros que tem sido silenciada em Portugal, decorre de 14/05 a 24/05, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. A visita guiada com os autores decorrerá no dia 22/05 às 14h30. A iniciativa partiu do Roteiro para uma Educação Antirracista e é da autoria de José Pereira (Coletivo Consciência Negra), Pedro Varela (CES-UC) e Cristina Roldão (ESE-IPS e CIES-IUL).

 

 

Áudio 194 – Welket Bungué, no IndieLisboa, com o filme “Arriaga”

Welket Bungué, ator e realizador de origem guineense, a residir entre Berlim e o Rio de Janeiro, vai estrear-se no IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema  –  com o filme “Arriaga”, a 4 de maio, às 21h30, no Cinema São Jorge, com uma segunda sessão no dia 8 de maio, no mesmo local a mesma hora, com a presença do realizador.

O filme “Arriaga” explora o universo da diáspora africana dos arredores de Lisboa e conta com atores como Isabél Zuaa, Cleo Tavares, Mauro Hermínio, Paulo Pascoal, Nádia Yracema e Miguel Valle.

Welket Bungué estará também presente no Hangar, no dia 7 de maio (ver evento Aqui).

Filmografia

Websérie

 

 

Áudio 193- Selma Uamusse apresenta o evento solidário “Mão dada a Moçambique”

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabué e Maláui fez centenas de mortos, segundo os balanços oficiais. Em Moçambique, o número de mortos confirmados supera os 400 e o de pessoas afetadas subiu para quase 800mil e os números continuam em atualização. A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.
Perante esta catástrofe humanitária, assistimos a uma onda de solidariedade por todo o mundo. E, em Lisboa, na próxima terça-feira, dia 2 de Abril, mais de 50 músicos portugueses e internacionais vão participar no evento “Mão dada a Moçambique”, no Capitólio, com o objetivo de angariar receitas para ajudar os afetados pelo ciclone Idai. A mentora e organizadora desta iniciativa é a artista moçambicana Selma Uamusse.
(Foto: Pedro Medeiros)

Representatividade de comunidades racializadas na política em Portugal

Por Mamadou Ba

Na década de 90, o PCP e o PS tiveram dois deputados negros, o Manuel Correia e o Fernando Ka em regime de substituição que desapareceram estranhamente do espaço político depois da legislatura, sem nada o justificasse. Até hoje, nem o PCP nem o PS voltariam a ter em lugares elegíveis candidatos racializados, à excepção do António Costa, para as legislativas e Carlos Miguel para as autárquicas. Pode-se sempre sublinhar a presença de Francisca Van Dunem e de Carlos Miguel no actual governo. Mas não deixa de ser verdade, que não é a mesma coisa ser convidado para um governo ou ser um candidato a eleições. Na década de 90, Helena Lopes da Silva, pelo PSR e o General D pela Política XXI, seriam candidatos às europeias em lugares de destaque. Em 2009, o MEP colocaria a Anabela Rodrigues em sexto lugar e o Bloco, a Beatriz Gomes Dias no oitavo lugar para as legislativas e no décimo sétimo lugar para as Europeias. Em 2011, Beatriz Gomes Dias vai em oitavo lugar nas legislativas pelo Bloco de Esquerda. Em 2014, outra vez para as europeias, o Bloco coloca o Jorge Silva no décimo sétimo lugar e no sétimo lugar para as legislativas de 2015. Para as europeias deste ano de 2019, o Bloco coloca a Anabela Rodrigues em quarto lugar. Enquanto isso, à direita, o CDS e o PSD elegem respectivamente e há vários anos candidatos racializados, entre eles Narana Coissoró, Hélder Amaral e Nilza de Sousa para o Parlamento Nacional. Na verdade, à excepção dos partidos da direita, nunca mais nenhum partido se furtou ao triste folclore de apenas colorir as suas listas com candidatos racializados em lugares não elegíveis. Em 2019, é o Livre que coloca Joacine Katar Moreira, uma mulher negra, num lugar cimeiro para disputar as eleições europeias e legislativas. É um facto histórico que merece ser assinalado. E o que torna esta circunstância ainda mais histórica e notável é o facto de nos últimos 20anos, os partidos com mais hipóteses de eleger deputadas/os – portanto com maior responsabilidade para o fazer – nunca terem feito esta escolha. Tanto o Bloco, como o PCP e o PS preferiram sempre o conforto de não arriscar eleitoralmente confrontar a sociedade portuguesa com candidatos assumidamente não brancos (apesar do recente coming out do nosso Primeiro Ministro). Nem quiseram confrontar-se com a tibieza do seu compromisso com o combate ao racismo. Se é verdade que a estes partidos muito se deve do pouco que se conseguiu neste campo, não deixa sobretudo de ser verdade que a eles se deve parte substancial de tudo o que está por fazer e que poderia começar pela representatividade das comunidades racializadas na disputa política. A retórica anti-racista nestes partidos não correspondeu a nenhuma visibilidade de sujeitos políticos racializados na disputa eleitoral. Por isso tudo e muito mais, o lugar de destaque atribuído à Joacine Katar Moreira no Livre, é mais do que uma lufada de ar fresco e um contributo para desenferrujar as velhas práticas partidárias cinicamente atreladas a uma inconsequente retórica anti-racista. E é por isso mesmo, também um desafio aos restantes partidos para, para lá da retórica e da coreografia legislativa, assumirem as suas responsabilidades.
O Livre está de parabéns por ter permitido que a vontade e a determinação da sua militante correspondesse à coragem e à lucidez dos militantes que a escolheram.
O país precisa de um assomo de coragem para enfrentar o racismo e ceder espaços de visibilidade e poder para aqueles e aquelas que continuam marginalizados e excluídos da sociedade.
A presença de Joacine e de Anabela, duas mulheres negras feministas nas listas do Livre e do Bloco pode ser o início de um novo ciclo? Esperemos que sim.
Por tudo isso, desejo todas as felicidades à Joacine e ao Livre e também à Anabela e ao Bloco. Espero que os eleitores estejam à altura do desafio que se nos coloca enquanto comunidade política.

(texto originalmente publicado na página do Facebook de Mamadou Ba)