Áudio 28 – Bilan: “Lisboa podia apostar mais na música africana alternativa”

Bilan, músico de Cabo Verde, São Vicente, acredita no potencial de Lisboa para desenvolver mais a música africana alternativa mas não deixa de apontar alguns pontos a melhorar. No entanto, depois de ter vivido vários anos no Porto, cidade que o marcou, Bilan encontrou uma africanidade mais intensa em Lisboa ao ponto de dizer, em tom de brincadeira, que, para muitos cabo-verdianos, a capital portuguesa é “a décima primeira ilha de Cabo Verde”.

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Para ouvir o Bilan: Projeto de Bilan & Madou Sidiki Diabate – Sur le Niger

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2 comentários sobre “Áudio 28 – Bilan: “Lisboa podia apostar mais na música africana alternativa”

  1. Discordo totalmente da afirmação feita logo nos primeiros minutos da gravação: “Portugal é ainda um país fortemente colonial”, enquanto justificação de um marcado gosto musical “africano” em Portugal. Pessoalmente, prefiro olhar para os gostos musicais e os terrenos de partilha dos mesmos, como indício de uma sensibilidade comum e partilhada e não como o resultado de uma actividade obsoleta e de certeza não artística.

    • Olá Laura, obrigada por partilhar a sua opinião. A AfroLis desenvolve um trabalho que se baseia na experiência de afrodescendentes e falamos das nossas vivências na diáspora que são diversas. Infelizmente, para nós, o colonialismo não é algo que possa ser designado como obsoleto. O colonialismo destruiu a percepção que o africano tem de si próprio, causou danos irreparáveis aos povos que oprimiu e continua a oprimir a vários níveis. Seja pelo discurso que se pratica em relação a esses povos e nações oprimidas ou pelas relações sociais, políticas, económicas com esses povos, que ainda se baseiam em valores hegemónicos. A afirmação “Portugal é ainda um país extremamente colonial, se virmos em termos de produções culturais e dos media, não há um pensamento pós-colonial forte.” Explica-se por si só. Nós também gostaríamos de olhar para “os gostos musicais e terrenos de partilha dos mesmos com indício de uma sensibilidade partilhada” no entanto, é uma partilha que não é plena. Sugiro que ouça o nosso primeiro áudio para saber um pouco mais sobre o contexto em que a frase em questão foi dita https://radioafrolis.com/2014/04/17/programa-1-media-e-estereotipos-raciais/

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