Reportagem: Exposição Sangue Novo

À entrada Flying House Lisboa mulheres brancas com símbolos escuros na pele dão as boas-vindas aos visitantes da exposição sangue novo. Este evento organizado por Danilo Fortunato decorre de 25 a 27 de Setembro e reúne obras de 6  jovens artistas angolanos. Danilo Fortunato é o curador da exposição  é um amante de arte assumido. Tem até uma galeria de arte online a Mostra Art Galeria.

Autoria: Ana Yekenha Ernesto

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PéKáPéLá: Angolanamente…

Por Cristina Carlos

Eu sou angolana, mas não posso, nem devo falar pelo povo. Para “eles” o meu gingar é tão estranho como o meu falar – rápido demais, mesmo para o Semba e em flagrante desrespeito pelas regras básicas da dança nacional.

Na vida como na dança, o homem manda e não se enfrentam os obstáculos, contornam-se! E, entre a saída da mulher e um retrocesso bem feito, mantendo calmamente a postura, como que se caminhando, fala-se sorrindo com o adversário, enquanto a música chora “ me tiraram a vaidade…”.

Gosto da dança, admito. Não respeito todas as regras e, por vezes, o meu par fica cansado. Mas com uma risada nervosa,  é verdade, já não peço desculpa – disfarço! Aula N.1: a mulher nunca se engana é mal conduzida!

Angolanamente

Kizomba é uma dança completa, complexa e tão distinta como cada parceiro que te pede para dançar.  Aprendi a ter calma e não aceitar dançar com toda a gente, porque os meus passos são jovens e inseguros, logo convém ganhar confiança…  Gosto de dançar com o profissional que  me faz brilhar, com uma condução sem falhas,  e até eu que sou novata na coisa pareço ter nascido a dançar. Também posso dançar com o moço gostoso que  “me deixa nervosa” , mas tem sempre algo de novo para me ensinar, mesmo  que  pare a meio para me corrigir, desde que fale e  continue a dançar. Adoro o querido que se esforça tanto para me ensinar novos passos, que aposta em dar reforço positivo. Ele faz tanto esforço,  vejo-o a lutar contra os meus vícios, lá sorri e diz “vamos começar de novo”. Mas fico  bem longe do  Mr. Swag que,  simplesmente, não permite espaço entre nós, peço licença e ele diz “ Vê-se logo que é de Lisboa!”.

Mas o meu cabelo já é tissagem brasileira e tenho roupa que só uso em Angola.  Por isso vou-me deixar estar assim,  entre o  Semba e a passada até aprender a atarraxar em sociedade… quiçá a minha fala se molde ao ritmo nacional e aí sim eu seja uma Angolana de verdade.

 

Áudio 75 – Um olhar angolano sobre Lisboa em pintura

 

“É inserir a arte no ambiente em que vivo.” Eunice Nepalanga  é angolana, vive em Portugal há mais de 20 anos e é artista de rua. Há cerca de 9 anos, tem as ruas de Lisboa como motivos para as suas pinturas, que vão nas memórias e nas bagagens de muitos turistas que visitam a capital portuguesa. Saibam como contactar com Eunice Nepalanga clicando aqui.

Foto retirada do site Bantumen

Áudio 74 – Nu Sta Djunto – Estamos Juntos

“Se estamos a combater a pobreza, estamos a combater a pobreza.  (…) Se é para lutar contra a diferença, não vamos só criticar o que não se faz. É fazer o que não se faz.” Mário  do movimento Nu Sta Djunto

Nu Sta Djunto – Estamos Juntos é um movimento de entreajuda e auto-gestão baseado nos princípios da união, apoio-mútuo, auto-suficiência e solidariedade. Mário ou Boss, um jovem ativista afrodescendente a viver aqui em Lisboa, vai apresentar-nos este movimento. Na realidade, vamos ficar a saber mais sobre a próxima atividade do movimento que se realiza já este fim-de-semana que se chama Nu Sta Djunto na Malha Dá Saúde.

Mais infos para quem queira participar aqui

Programa Nu Sta Djunto

 

Áudio 73 – “Esse cabelo” explicado por Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola (Luanda) mas cresceu nos arredores de Lisboa. A paixão pela escrita levou-a a tirar um doutoramento em Teoria da Literatura, mas foram as questões sobre a sua identidade que fizeram com que o sonho de escrever um livro se realizasse. Djaimilia Pereira de Almeida passou da teoria à prática e publicou o seu primeiro livro intitulado “Esse cabelo”. – “A história da relação desta rapariga com o cabelo tem a ver com o facto de aquilo que lhe é natural ser qualquer coisa que ela vive como um inimigo. ”

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