Áudio 90 – Falando Sobre Desenvolvimento Com Cláudia Semedo

Cláudia Semedo é uma actriz, jornalista, locutora, dobradora e apresentadora de televisão portuguesa. Cláudia Semedo foi embaixadora do ano Europeu para o Desenvolvimento e é com ela que terminamos o ano de 2015.  O conselho para fazermos o queremos no mundo profissional: “Acredita em ti. Acredita de uma forma ativa. É ir sem medo, com conhecimento e com a capacidade a 100%!”

 

 

 

 

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Áudio 89 – Negros Racistas? Será que existem?

O convidado deste programa é Dércio Tomás Ferreira, estudante angolano, que criou um canal no youtube e estreou-se com o vídeo: “Negros racistas?? Será que existem mesmo?”. No vídeo, Dércio traz-nos uma definição de racismo onde defende que o sistema de opressão, que é o racismo, está tão bem estruturado, que os negros não podem sequer ser racistas.  Vamos conhecer melhor o Dércio Tomás Ferreira.

 

 

 

 

 

Áudio 88 – Combater Duas Vezes – Mulheres Na Luta Armada Em Angola

Margarida Paredes é autora do livro Combater duas vezes – Mulheres na luta armada em Angola , lançado esta semana, em Lisboa, na livraria Buchholz. Neste livro temos acesso a entrevistas a mulheres que fizeram parte da luta armada em Angola dos movimentos envolvidos. A investigadora e professora na Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil, é natural do Penedo da Saudade, em Coimbra. No entanto, em 1974, abandonou o curso universitário na Bélgica para lutar pela independência de Angola ao lado do MPLA, movimento a que aderiu em 1973. Passou por Brazzaville e foi uma das primeiras militantes vindas do Congo a entrar em Luanda após o 25 de Abril de 1974. Depois da independência abandonou o exército angolano para trabalhar no Conselho Nacional de Cultura com o poeta António Jacinto. Aí desenvolveu projetos na área dos espetáculos e artes plásticas, trabalhando com «crianças-soldado» e órfãos de guerra. Regressou a Portugal em 1981.Licenciada em Estudos Africanos pela Faculdade de Letras de Lisboa, obteve o grau de Doutora em Antropologia pelo ISCTE-IUL com o tema “Mulheres na Luta Armada em Angola”. No pós-doutoramento, trabalhou o tema “Mulheres Afrodescendentes da Polícia Militar em Salvador”. É investigadora e professora na Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil. Desenvolve uma linha de pesquisa sobre Masculinidades Femininas no Campo Militar.

Áudio 87 – Projeto contra violência doméstica STP: Elsa Figueira

Peka G Boom é um rapper de intervenção social e está a preparar um álbum com o título “Banho Público”.  E é também neste álbum que está a música do vídeo que ilustra a situação de violência doméstica incorporada pela figura fictícia Elsa Figueira, que dá voz a muitas mulheres e homens que sofrem com o problema da violência doméstica. Peka G Boom espera lançar o álbum “Banho Público”, em São Tomé e Príncipe, já em fevereiro de 2016. Vamos conhecer melhor este jovem músico santomense.

 

Video lançado a 10/12/15:

Documentário Sobre Elsa Figueira:

Dizer, Ouvir, Posicionar e Agir para combater o racismo

“Eu sou uma mulher negra. Eu sou a mulher que, depois de violada em frente ao seu marido, amamentou o filho do seu violador porque a sua mulher não tinha leite. Eu sou a mulher que foi obrigada a entregar o seu próprio filho para trabalhar em casa do seu agressor.”

Será que é esta a narrativa que queremos continuar a repetir? Ou queremos Dizer a nossa verdade, Ouvir a verdade do outro, Posicionar-nos em relação à realidade que ouvimos e exprimimos  e Agir sobre essa mesma realidade?

Nós nos livros – A Cor em Mim: a identidade em reconstrução

a_cor_em_mimCristina Carlos, A Cor em Mim: a identidade em reconstrução, Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2015.

Lido por Djaimilia Pereira de Almeida

Resultante de uma investigação apresentada ao ISPA, em 2005, no contexto da pós-graduação da autora em Reabilitação e Inserção Social, A Cor em Mim, de Cristina Carlos, é construído a partir de uma entrevista a uma única pessoa: José (nome fictício), “um jovem de vinte e quatro anos (…), que habita num dos bairros ‘problema’ da periferia de Lisboa» (p. 64), «escolheu ser cabo-verdiano» (p. 98), embora se declare um «sem terra», «nómada… à procura de um sítio para estar». (p. 138). Como esclarece a autora, esta opção metodológica decorre do objectivo de arriscar a «personalização possível de um grupo que tantas vezes é representado na terceira pessoa» (p. 11). O ponto de vista da autora revela, deste modo, a tentativa de o procedimento adoptado por quem faz as perguntas não incorrer no estigma que pretende questionar, em particular, o de se aproximar de pessoas como José através de categorias impessoais. A conversa de Cristina Carlos com o rapaz, como a reflexão que a mesma suscita, não confia na pergunta «Quem és tu?» como meio para ouvir José sobre si mesmo, antes depende da possibilidade dessa pergunta como condição do reconhecimento a outrem do «direito de ser sujeito». A pergunta «Quem és tu?» surge enquanto o avesso da pergunta «Quem sou eu?», a qual nos recorda que não nos interpelamos uns aos outros, nem nos auto-concebemos, «no vácuo» (p. 11). O estudo de Cristina Carlos tem a virtude de sublinhar a mútua dependência de ambas as questões, iluminando o que é, nas suas palavras, negado a rapazes como José. Parte importante do «direito de ser sujeito» dependerá de José não se ver repetidamente substituído na resposta a essa pergunta. A Cor em Mim aponta, assim, para uma concepção dialógica da identidade: por um lado, definimo-nos enquanto quem responde; por outro lado, é no contexto de uma conversa que nos transcende que questionamos quem somos e para onde vamos. O estudo de Cristina Carlos revela assim a forma como, ao depender da possibilidade de nos questionarmos sobre quem somos, o que dizemos é indissociável da teia de relações que nos liga, uma de cada vez, a outras pessoas, as mesmas que nos podem entender ou estigmatizar. A entrevista a José, transcrita na íntegra no final do estudo, tem por perto a condição de possibilidade do próprio estudo, no sentido em que respeita à relação entre duas pessoas: Cristina e José. «Sei lá dizia que sou um gajo calmo, porque não gosto de muita bagunça». (123), responderá o rapaz, laconicamente, à pergunta «O que dirias de ti?». Para Cristina Carlos, no entanto, é menos importante esta resposta, do que a possibilidade de José responder. «Quem é o José?», questiona a autora, na reflexão final, deixando a pergunta em suspenso entre outras perguntas. Pode ser que a possibilidade de se ser um sujeito diga respeito à de deixarmos esta questão em aberto, quando falamos sobre nós e sobre os outros.
Djaimilia

 

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda em 1982. É autora do livro ‘Esse Cabelo’ (Teorema, 2015). Vive e trabalha em Lisboa.

Áudio 86 – Kora apresentado pelo Mestre Galissá

Foto: Afonso Bastos

O nosso convidado de hoje toca um instrumento encantador, o Kora – “o instrumento que abrange tudo”. Braima Galissá, ou simplesmente  Mestre Galissá é guineense e está em Portugal desde 1998. Mas no seu país, Guiné-Bissau, foi compositor do Ballet Nacional e professor de Kora na Escola Nacional de Música José Carlos Schwarz durante 11 anos. Já participou em atividades culturais em vários países e Portugal não é uma exceção. Vamos conhecer melhor Braima Galissá.