Comentando a música pós-colonial no Lisboa Mistura

O Lisboa Mistura está de volta em 2016 e a Afrolis esteve na Casa Intendente para ouvir a conversa sobre “A música pós-colonial de Portugal – do irromper do Hip Hop nos anos 1990 às manifestações Afro-House do presente”
com Vitor Belanciano, António Brito Guterres, Teresa Fradique, António Contador, Rui Miguel Abreu.

António Contador, um dos oradores:

“Música pós-colonial pode ser o rap que se fazia cá nos anos noventa, pode ser também o Kuduro que se fazia em Portugal nos anos noventa aqui, em Lisboa, e que mudou, que se transformou e que hoje é consumido, se calhar, em maior escala, em Portugal, em Lisboa, mas também nos arredores, em Paris, etc. É também, eventualmente, o Funaná que se dança no BLeza, mas, se calhar, o que me interessava mais dizer é a profunda repulsa que tenho com o termo pós-colonial. Eu acho que há um grande trabalho a fazer em encontrar um novo termo que sirva melhor, que seja mais positivo, que seja mais construtivo. Da mesma forma como segunda geração de imigrantes não serve para classificar ou para qualificar os jovens filhos de imigrantes africanos que são, em larga maioria, portugueses. E, por isso, música pós-colonial serve, se calhar, o contexto histórico português que, talvez, exista ainda, mas que é necessário ultrapassar. E, talvez, o trabalho a fazer é, precisamente, desconstruir esse termo pós-colonial e, sobretudo, substitui-lo por outro, que seja mais carregado de vida e menos carregado do passado histórico complicado. Portanto, se calhar há um trabalho a fazer sobre a história de Portugal, sobre a história da vida dos portugueses, brancos e pretos, mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais, para que esses termos deixem de fazer sentido.” (António Contador – orador)

“É interessante, de facto, ouvir essa questão sobre música pós-colonial, porque à priori uma pessoa pode-se questionar “o que é, de facto, música colonial e música pós-colonial?”  até porque a chamada música colonial também tem um histórico de mistura e de origens diversificadas, como a chamada música pós-colonial, que se produz hoje em Portugal, fruto desse território plantado à beira-mar, que hoje se chama Portugal. Por isso, a mim, me faz imensa confusão ter que se criar um caixote para se chamar essa música produzida nos dias de hoje e a dos outros tempos, como se ela não tivesse sido produzida no mesmo território e fruto de experiências diversificadas de um passado e de um presente. Eu acho que não é nenhuma novidade, os povos andarem a trocar experiências, a enriquecerem o que chamam de cultura popular ou cultura nacional. Eu acho que é importante, em primeiro lugar, olhar para essa dimensão do que é a música em Portugal. Agora, os caixotes, eu acho que isso é um problema de quem precisa de colocar as pessoas num espaço que não é um espaço global, que não é um espaço total, e assim os coloca à parte, e fora do chamado público geral. Eu próprio digo várias vezes que há uma questão fundamental, para qualquer artista, a sua maior ambição, seja nas artes plásticas, no cinema, na dança ou na música, a sua primeira ambição é atingir um público global, não é atingir um público em específico. Por isso, essa ideia da música pós-colonial nos remete para uma dimensão de público específico, que parar mim é discriminatório, porque a produção artística visa, única e exclusivamente, todas as pessoas interessadas nela. “ (Manuel dos Santos – público)

 

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2 comentários sobre “Comentando a música pós-colonial no Lisboa Mistura

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