Áudio 124 – Manter-se firme de corpo e alma depois da prisão

Ti Lenda nasceu em Angola, mas os pais são de Cabo Verde. Em Portugal a vida levou-o para caminhos que acabaram por fazer com que fosse para a prisão. Fora da prisão, sem documentos e sem emprego a vida torna-se difícil e o apoio nem sempre chega. Ti Lenda conta-nos como tem conseguido manter-se firme de corpo e alma depois da prisão.

 

Anúncios

Áudio 123 – Maimuna Jalles regressa à música a solo

Maimuna Jalles, filha de pai guineense e mãe polaca judia, “uma bela mistura”, descreve a cantora afrolisboeta. A sua voz já acompanhou nomes como General D, Sara Tavares, Guto Pires e To Cruz. Depois de uma pausa de alguns anos, Maimuna Jalles volta ao mundo da música mas a solo…

Foto: Marlene Nobre

Próxima participação de Maimuna Jalles será no concerto de Remna Schwarz no Centro Interculturacidade (23 de setembro)!

 

 

 

 

 

Áudio 122 – Espaço Djairsound partilhando sonhos

Djairsound Bar / Restaurante é um espaço onde se cruzam sonhos de artistas que partilham o seu talento entre amigos e pessoas desconhecidas mas abertas a novas experiências sonoras e não só. Jair Pina, músico e empresário cabo-verdiano, apresenta este cantinho familiar que se encontra situado na Rua das Janelas Verdes número 22.

Podem ver o Jair Pina a apoiar o músico de rua Gaspar Silva no B.leza

gapar-silva-bo-bleza-c-jair

Áudio 121 – Tabacaria Tropical Sta Bazofo

“Bazofo” é uma palavra do crioulo de Cabo Verde que descreve alguém com estilo e atitude. Mas é também uma pequena marca de roupa sustentável e ética da Cova da Moura, fundada por Vítor Sanches, o dono da Tabacaria Tropical. A Tabacaria Tropical abriu em Junho de 2015 e já tem um vasto leque de eventos realizados naquele espaço que” sta bazofo”! Na Cova da Moura não é raro ouvir-se dizer `Bu sta bazofo!`, não só porque muitas pessoas falam crioulo, mas também porque, segundo Vitor Sanches, há muita gente com muito estilo que representa a cultura daquele bairro a sua identidade.

A Bazofo e a Tabacaria Tropical estão presentes nas seguintes redes sociais:

Especial: Amor Djidiu

Djidiu – herança do ouvido é uma iniciativa da Afrolis – Associação Cultural que convida poetas, contadores de histórias e interessados na produção literária africana e negra a participar ativamente na produção e divulgação de textos da própria autoria ou de autores que considerem relevantes. Todos os meses temos uma sessão publica num local diferente de Lisboa. O mês de Agosto teve como tema o “Amor” e, pela primeira vez, saímos do centro de Lisboa, estivemos na Tabacaria Tropical, na Cova da Moura e deixamos aqui algumas impressões de mais um encontra do família Djidiu.

Há quanto tempo…

(Autor: Apolo de Carvalho)

Há quanto tempo?
Há quanto tempo lutamos?
Há quanto tempo protestamos?
Há quanto tempo nas ruas marchamos, longas faixas erguemos e em uníssono, gritamos NÃO! BASTA! JAMAIS!
Ainda assim, há quanto tempo temos sido espezinhados, marginalizados, segregados, coisificados, desumanizados, amordaçados, silenciados?

Há quanto tempo temos sido ridicularizados, linchados e chacinados?
Há quanto tempo sofremos, choramos e em vão lamentamos?
Há quanto tempo dura o nosso luto, quantas vezes o repetimos? Quantas mais teremos?
Há quanto tempo nos rapinam e nos MATAM?

Nesses tempos tão longos, trilhos tão penosos, nos quais me perco… Quantos sonhos se dissiparam? Quantas vidas se ceifaram?

Há quanto tempo nos empurram para bairros degradados, ghettos estigmatizados e prisões, essas nada mais do que empresas que lucram como nosso infortúnio?
Há quanto tempo temos sido combustíveis, matérias-primas, mãos-de-obra barata, trunfos de vitórias alheias, objetos…?
Há quanto tempo temos sido escudos de outrem, servido em batalhas não nossas, tidos como despojos a partilhar?
Há quanto tempo nos roubam, usurpam, pilham, violam, violentam e nada fazemos?

Nesses tempos tão longos, mares de sangue nos quais me afogo… Quantas valas comuns serviram nossos corpos de leito? Quantos de nós fomos esquecidos?

Há quantos tempos temos sido acusados de, sentir dor e verbalizar o nosso sofrimento?
Há quanto tempo nos consome esta impotente raiva?
Há quanto temos desistido, relegado e consentido ?
Há quanto tempo temos sido lobotomizados, ludibriados e iludidos a ponto de reforçar a nossa própria opressão?
Há quanto apregoamos a unidade e contudo, mal nos reconhecemos como irmãos?
Há quanto tempo guerrilhamos e nos autodestruímos para deleite do inimigo?

HÁ QUANTO TEMPO DEIXAMOS DE NOS AMAR?

Por quanto tempo mais, permaneceremos meros sonhadores,
exímios instrumentos, perfeitas marionetas?
Por quanto tempo mais, continuaremos a ser vítimas, oprimidos, minorias, incapazes, obrigados a mendigar o que é nosso?
Por quanto tempo, nesta Terra berço, que nos pariu e nos amamentou, seremos exilados, indesejados, refugiados, labelados elegais?

Por quanto tempo ainda, nos contentaremos com esta esperança que com migalhas nos alimenta e que entre miragens entorpecedoras nos esconde e recusa a verdadeira bonança?

IRMÃOS!

Há quanto tempo dura esta nossa inquietante hibernação?
Há quanto tempo deixamos de existir?
Há tanto… tanto tempo que já nem nos recordamos
Há tantas… tantas gerações que já nem nos importamos
Há tantos…. tantos séculos que outros tantos se mostram necessários para que um novo começo se projete

O tempo é tanto que passou o prazo da reivindicação, perdemos direito à reparação, a legitimidade para a vitimização. Dizem-nos.
Bem tentamos pressionar e contestar.
De vez em quando, para conter uma ou outra insurreição,
Umas leis memorias aqui… uma data comemorativa acolá… uns monumentos além e, ainda que extremamente raro um simbólico pedido de desculpas mas claro, obviamente que sem direito à reparação.
-Foi há tanto tempo que as vossas feridas já deveriam ter sarado. Não temos culpa do que vos aconteceu, nós também sofremos, somos todos humanos, acabem com esse vitimismo e sigam em frente que ninguém vos impede.
Assim dizem, para estupefacção nossa, os nossos humanistas de plantão, esses Pôncio Pilatos, pretensos messias da liberdade e belicosos “cruzadas da paz perpétua”

Mas a verdade, é que não se importam. Pouco se lixam
E já não basta dizermos basta a esta casta que não se basta de ser paternalista racista, hipócrita e umbiguista
Já não basta sentir raiva e resistir passivamente
Já não basta perdoar, compreender, tentar esquecer, ser resiliente e seguir em frente

Não somos minorias, muito menos incapazes, é tempo de agirmos, coordenar nossa luta, unirmo-nos e fazer frente
Já não basta protestar, dialogar e propor. É preciso AFIRMAR, PURGAR E BOICOTAR
É tempo de RECUPERAR, OCUPAR, DOMINAR E RECOMEÇAR

O tempo que passou é nosso testemunho, os tempos que virão, papiros ainda virgens. E nós, os flagelados dos tempos, seremos escribas de um futuro nosso.

Nãos nos perderemos em saudosismos nem nos tardaremos com melancolias.

Assumiremos plenamente a nossa História sem nos rendermos a vaticínios e deslumbramentos. Pensaremos e forjaremos nós mesmos o nosso querer.

NÃO ACEITAREMOS LIÇÕES, RECOMENDAÇÕES, RESOLUÇÕES OU SANÇÕES.
NUNCA MAIS NOS CURVAREMOS,

SEREMOS INVICTUS.

Amar-nos-emos sem reservas nem condicionalismos
E nossa amada Mãe Negra erguer-se-á esplendorosa