Áudio 137 – Kombersu Di Amigus: desejo para 2017!

 

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Todos já dissemos (ou já ouvimos dizer) que as crianças são o futuro da humanidade. Pois bem, para a Associação GOTA D’ARTE , esta afirmação é verdade.  O projeto Kombersu di Amigus é um CD, resultado do trabalho de um grupo de crianças e jovens em torno de conversas sobre vários assuntos: a família, educação, direito das crianças, tradição, cultura, arte, amizade, sociedade e claro as brincadeiras. Conversas essas que se transformam  em músicas…
A Associação GOTA D’ARTE, foi criada na Ilha de Santigo, em Cabo Verde, pelo músico  Fernando Carlos aka N’Du e pela bailarina Betty Fernandes. Eles querem inspirar e ensinar jovens e crianças a serem a arte em que acreditam, seja ela música, dança ou teatro.

O nosso adeus ao ano de 2016 deixa-vos o desejo de que  o ano de 2017 seja como uma conversa entre amigos, cheia de inspiração e vontade de dar mais!

 

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Especial – O B.Leza está de parabéns! 21 anos em Beleza…

O B.Leza está de parabéns e partilha: “Há 21 anos atrás, entre tábuas de madeira, baldes de tinta, martelos e outras ferramentas que tais, transformávamos aquele que era “O Baile”, desde 1988, no B.Leza, em homenagem a Francisco Xavier da Cruz. A equipa, meia dúzia, sabia pouco, mas a vontade de fazer acontecer era muita. Pela noitinha começávamos a receber os primeiros curiosos. À espera dos que entretanto iam chegando, os de sempre, até hoje. Os que se foram juntando pelo caminho, e foram muitos, fizeram-nos maiores e ainda mais felizes.”

No dia 21 Dezembro, realizou-se o evento Sul da Língua, em que Ana Sofia Paiva convidou vários mestres da palavra  para as partilharem nos diferentes sotaques do português.  A Afrolis falou com Adriano Reis (Cabo Verde), Costa Neto (Moçambique), Miguel Sermão (Angola) e Ana Sofia Paiva (Portugal) [ordem de aparição no áudio].

Hoje, 22 de dezembro há mais festa com entrada gratuita para tod@s!

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Áudio 136 – Primeira Edição da Feira Afro na Crew Hassan

Feira Afro: “Esta iniciativa tem como objetivos principais contribuir para a promoção, valorização das culturas e artes africanas feitas também por afrodescendentes, dando visibilidade aos trabalhos das/os criadoras/es de várias disciplinas, num processo de pontes que permitam uma ampla e saudável vivência com respeito entre os mesmos e mais cidadãos do mundo tudo num ambiente harmonioso de uma feira o que proporciona oportunidade de trocas, vendas e descobertas.” É assim que os organizadores da Feira Afro apresentam este espaço de trocas culturais. Aqui, na Afrolis, quem fala mais sobre a iniciativa é Alexandre Yewa, membro da chamada Afro Crew e do Coletivo kilomboewa.

No final da Feira Afro, ainda se pode assistir ao concerto do Afroroots com Klement Tsamba, que também estará no espaço Crew Hassan na noite de 23 de dezembro.

Gravação feita através do Skype

Áudio 134 – Afrodescendentes Enviam Carta Aberta Sobre Desigualdades Raciais Em Portugal À ONU

“O Racismo não é uma opinião, é um crime! (…) Ninguém vai combater o racismo se não contar com as vítimas de racismo. Ninguém!”

O nosso convidado é Mamadou Ba, dirigente associativo da SOS Racismo uma das associações que assinaram uma Carta Aberta enviada ao Comité para a Eliminação de todas as formas de discriminação racial das Nações Unidas. A Carta Aberta reclama o reconhecimento de ações específicas para comunidades afrodescendentes no combate ao racismo em Portugal, apontando uma série de desigualdades raciais. A Afrolis também assinou a Carta Aberta, assim como outras 20 associações, que trabalham em torno de questões relacionadas com comunidades afrodescendentes. Vamos partilhar mais sobre esta ação coletiva para que outros se possam juntar a nós. E começamos por falar sobre a lei contra a discriminação racial.

 

Mais infos:

Retrato da desigualdade racial em Portugal   

Afrodescendentes denunciam Portugal à ONU por não combater discriminação racial

O manto de invisibilidade que cobre o racismo

Especial – Entrevista sobre documentário Behind the Lines (FRELIMO)

Behind the Lines é um dos mais emblemáticos filmes da luta armada da FRELIMO contra o colonialismo português em Moçambique. Foi filmado em 1970, no Niassa, quando a região foi alvo da ofensiva “Nó Górdio”, apresentando entrevistas com combatentes e quadros da FRELIMO, e procurando ilustrar a organização da vida civil nas áreas libertadas.”

Na sessão de apresentação de 2 de dezembro de 2016, no espaço Hangar, falámos com Margaret Dickinson, a realizadora do documentário. A entrevista esta em inglês mas deixamos aqui a transcrição para quem preferir ler em português.

RA: A Margaret Dickinson realizou um filme chamado Behind the Lines,  em Moçambique, nos anos de 1970…

MD: Sim, foi filmado em 1970 e publicado em 1971.

RA: Gostava que nos apresentasse a Margaret de 1970 e a Margaret de 2016.

MD: Em 1970, eu tinha… Devia ter 27 anos, não era assim tão jovem, trabalhava na indústria cinematográfica há algum tempo, e tinha estado a trabalhar de 1968 a 69 na Tanzânia com a FRELIMO na Tanzânia.

RA: E agora em 2016?

MD: Agora são uma mulher velha… [gargalhadas] Mas apesar de ser uma mulher velha ainda sou politizada, continuo a fazer filmes de uma forma mais modesta. Na realidade já me reformei do mercado comercial mas voltei a fazer filmes porque estou interessada em algo.

RA: Quando estava a ver o filme [Behind the Lines] achei muito interessante a forma como o filme retratou relações familiares, de género, educação e o crescimento de um sentido de nação. Uma das coisas que mais me interessou foi a ideia de comunidade e como as pessoas começaram a relacionar-se por causa deste ambiente de guerra. Pode falar sobre esse aspeto, a construção de uma comunidade?

MD: Sim, eu acho que quando diz um ambiente de guerra, o facto é que, antes da guerra, eles tinham tido um ambiente de colonialismo que já tinha produzido pressões dolorosas. O homem mais velho no filme fala de refugiados de Moçambique. Houve muitas ondas de moçambicanos a fugir para a Tanzânia, porque tendo o colonialismo britânico sido o mau, o colonialismo português foi pior ainda. Então as pessoas até fugiam de um mau governo para outro mau governo, mas é um indicativo do quão mau as coisas tinham sido antes da guerra. Então, não é tanto a guerra, e que quando o movimento de libertação se instalou nas províncias do norte,  acho que foram capazes de dar esperança às pessoas de lá, apesar do facto de as coisas estarem ainda mais difíceis porque havia uma guerra. Havia a possibilidade de que as dificuldades anteriores que eles tinham sofrido por causa do colonialismo pudessem mudar.

RA: E como descreveria a forma de organização nesse ambiente?

MD: Suponho que tenha sido uma organização clássica do tipo guerrilha, onde existe um número de unidades que operam de forma bastante independente. Mas não sou uma perita em assuntos militares, então, não sei exatamente como organizaram o exército. Mas, ao mesmo tempo, há uma forte tentativa de organizar a população civil em grupos políticos modernos, onde as pessoas teriam, em teoria, uma voz igual. Claro que tudo isto não acontece imediatamente, e as pessoas que estavam habituadas a dominar teriam continuado a dominar. Mas a FRELIMO tentou dar mais voz aos jovens e as mulheres.

RA: E a mulheres, exatamente. No filme foi mencionado que as mulheres também tinham acesso a educação, também tinham armas, também lutaram. Não estavam lá apenas para cozinhar, ou só para cuidar dos órfãos que recebiam. Havia um sentimento de igualdade ou as pessoas sentiam essa igualdade?

MD: Para ser honesta é difícil dizer porque não estive la o tempo suficiente e porque só falava português, não podia comunicar nas línguas das pessoas. Mas as mulheres sempre trabalharam muito, mas não se esperaria que as mulheres andassem com armas ou que tivessem uma voz política ou que fossem ouvidas em oposição aos homens. Então, é um problema diferente. E não sei até que ponto as mulheres no exército tinham uma palavra a dizer e o quanto elas…

RA: Mas no filme foi retratado como se as mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens ou assumissem os mesmos papéis.

MD: Bem, papéis semelhantes. Não exatamente os mesmos. Até mesmo no filme nos ouvimos o que as mulheres estavam a dizer mas a tendência era que elas fizessem um trabalho social,  tratassem mais das crianças ou da organização de mulheres. Então não acho que elas fossem idênticas aos homens, mas seria possível se elas quisessem, ser como foi com a Josina Muthemba, a mulher de Samora Machel. Ela era uma grande líder militar na luta.

RA: Chegou a conhecê-la?

MA: Sim, conheci-a. Ela era uma mulher maravilhosa. Foi triste ela ter morrido tão jovem.

RA: E a motivação para fazer este filme? Achei muito honesto e interessante a Margaret ter dito no final [da apresentação] que foi um acidente…

MA: Ah, não, foi um acidente encontrar a FRELIMO. Isso aconteceu acidentalmente. Mas uma vez que isso aconteceu, fiquei muito envolvida. Tinha passado um ano a trabalhar com a FRELIMO, tinha amigos la e sentia um compromisso para com a causa deles. O que queria dizer é que não teria saído à procura deles [da guerrilha no terreno] porque não imaginava que poderia ajudá-los. Mas quando os encontrei, sim, quis fazer qualquer coisa que fosse útil.

RA: Depois do filme, estava ansiosa por mostrá-lo ao mundo? Onde foi exibido?

MA: Sim, claro. E uma grande luta fazer um filme em fita, na altura, e o objetivo era ajudar a luta de libertação, então, sim, queria muito mostrá-lo.  Fiquei desapontada com o filme, porque não conseguimos fazer o que queríamos fazer. Tivemos de trabalhar às pressas e parecia a muitos outros filmes de guerrilhas, onde andamos com a guerrilha, vemos um pouco do programa que fazem com os civis e parece que não é muito profundo. Mas mesmo assim, eu sabia que ia ser útil e foi muito útil. Alertou pessoas para a existência da luta e ajudou a conseguir apoios, então gostei de exibi-lo.

RA: No final, o filme foi essencialmente, um instrumento de luta também, no sentido em que alertou pessoas e deu-lhes a possibilidade dar o seu apoio.

MD: Sim. E importante saber que o filme não teria existido se não houvesse já um movimento político de solidariedade forte que fez a realização do filme parecer algo pertinente, porque depois eles poderia certificar-se de que seria visto. E quando foi feito, eles asseguraram a sua exibição.

RA: Quem assegurou que o filme tenha sido visto e onde foi visto?

MA: Inicialmente havia o Comité para a Liberdade em Moçambique, Guiné e Angola [Committee for Freedom in Mozambique, Guinea and Angola], que era um movimento britânico solidário com as lutas de libertação das colónias portuguesas. Mas mais ou menos ao mesmo tempo, possivelmente uma imitação, houve movimentos semelhantes a formar-se no Canada, na Holanda maior parte de países na Escandinávia e eventualmente em França e na Alemanha. Então havia a possibilidade de mostrar [o filme] por toda a Europa.

RA: E aqui em Portugal, foi dito que o filme foi mostrado há cinco anos num Festival, DocLisboa, e agora foi mostrado aqui [na sessão de exibição do filme no Hangar 2/12/16]. Quer dizer que o filme só foi mostrado 2 vezes aqui [em Portugal]?

MA: A não ser que alguém tenha mostrado, pelo que sei, sim, foram as únicas duas vezes que foi mostrado em Portugal.

RA: E em Moçambique foi exibido lá?

MA: Sim, claro. Assim que veio a independência foram-lhes dadas copias.

RA: E qual foi o feedback? Teve acesso ao público quando o filme foi exibido?

MA: Sim, foi bastante emocional. Alguns ex-combatentes vieram e algumas lágrimas foram derramadas.

RA: Qual a avaliação que faz do seu filme, tendo em consideração as varias apresentações feitas ao longo dos anos?

MA: Em alguns aspetos agora sinto-me melhor porque as vezes, filmes, assim como o vinho, melhoram com a idade. Tornam-se algo raro. Torna-se mais difícil compreender aquele período sem ver um filme, então, apesar de todos os seu defeitos, parece trazer algo de útil agora. Na altura também foi útil, mas eu estava mais consciente do facto de não estar a apresentar o suficiente. Mas aquilo que apresenta gora, porque não existe tanto material. Tem um outro tipo de utilidade.

 

 

 

 

 

 

Áudio 133 – Campanha pelo direito à nacionalidade portuguesa

O Coletivo Consciência Negra apresenta este sábado [3 de dezembro, 2016], pelas 17h30 na Casa do Brasil de Lisboa a

PROPOSTA DE CAMPANHA PELO DIREITO IMEDIATO À NACIONALIDADE PORTUGUESA A TODOS OS FILHOS DE IMIGRANTES NASCIDOS EM PORTUGAL

“Os últimos tempos têm sido marcados por vários eventos, tomadas de posição e ações coletivas que têm colocado na ordem do dia a discriminação e os atropelos à dignidade de que são vítimas os negros e imigrantes. Por conseguinte, e de forma a reparar injustiças, o coletivo Consciência Negra apela a todas as pessoas e organizações que lutam contra o racismo e pelos direitos dos imigrantes, à realização de ações em comum. ”

José Pereira, membro do Coletivo Consciência Negra, apresenta o coletivo e a sua proposta. Vamos ouvir!