Áudio 159 – Responsabilidade Social e Projeto Testemunhos da Escravatura

Testemunhos da Escravatura – Memória Africana: O projeto integra a programação da Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura, e parte das representações e das novas narrativas construídas do que a escravatura foi no passado e pretende contribuir para uma consciencialização dos equipamentos culturais, bem como contribuir para a construção de uma discussão do que, ainda no presente, significa a escravatura. 42 instituições participaram deste projeto que envolve exposições, documentos e objetos em destaque e uma página web.

Intelectuais e ativistas negros criticam a  concepção do projeto e a abordagem feita pelos equipamentos considerando que se focaram na ótica da dominação dos povos africanos negligenciando o aspecto da resistência dos mesmos e por não ter incluído curadores negros nem ter havido um diálogo com coletivos, associações de afrodescendentes e de países africanos.

Ana Cristina Leite, uma das curadoras do projeto Testemunhos da Escravatura – Memória Africana, a cargo do Gabinete de Estudos Olisiponenses, fala-nos dos objetivos do projeto e das opções feitas para a sua realização.

Mais infos:

Obra de sobre Fernanda do Vale (Preta Fernanda), mencionada na entrevista:

Recordações d’uma colonial (memórias da preta Fernanda) [por] A. Totta & F. Machado (1912)

 

 

Nós No Cabelo – Testemunho Pedro Lopes

Testemunho de Pedro Lopes

 

Sobre o projeto “Nós no Cabelo”:

Conceito- Partindo da ideia que o cabelo natural é um ato político e revolucionário, torna-se necessário a discussão e elaboração de ferramentas que trabalhem nesse mesmo campo. “Nós No Cabelo” pretende ser mais um instrumento de partilha de testemunhos/experiências sobre o cabelo africano na primeira pessoa. A ideia é desconstruir a ideia de cabelo ruim/sem valor/menos bom/indomável e resgatar a nossa negritude, que é muitas vezes auto-negada/reprimida pela pressão ou repressão de padrões de beleza impostos. É questionar/debater o significado, a importância do cabelo para nós enquanto sujeitos negros, através da divulgação/narração de histórias, empoderando o nosso consciente e inconsciente.

A escolha do nome surge por ter duplo sentido:
1- Por retratar as nossas ideias sobre o cabelo, ou seja pensar-se o cabelo (ex: o representa; diferentes fases; processo de negação/aceitação; desvalorização/valorização; reconhecimento; cabelo/cultura; cabelo/resistência; cabelo/poder; etc)
2- Por a mente “andar cheia de nós” enquanto estamos numa fase mais inconsciente ou de desconhecimento sobre a importância do cabelo, levando na maioria das vezes a amputarmos parte daquilo que somos e que faz parte de nós. Aqui os nós acabam por ser as ideias baralhadas. Então a ideia é desenrolar os nós.
Como será feito- Através da recolha de testemunhos e divulgação semanal (sábado) de uma experiência. Todas estas experiências servirão de base, de recolha de informações, troca de experiências/ideias, discussão, reconhecimento e fortalecimento da autoestima direcionado especialmente para os desconhecedores/as de toda a potencialização do seu cabelo.

Adere enviando o teu testemunho por mensagem privada e partilha!

Mentora e responsável do projeto – Mariama Djaló
Coadjuvante – Carlos Graça

Áudio 158 – Bullying E Racismo Na Escola

“Para mim o Ministério da Educação é o verdadeiro bully (…) é aquele que exerce o seu poder de forma desequilibrada, e de forma continua e que não beneficia, de todo, o trabalho que poderia e deveria ser feito com os jovens e, em particular, jovens e comunidades com um perfil mais específico, que deviam ter técnicos, professores e pessoas com um perfil adequado para trabalhar naquelas comunidades.” (Nelson Lima)

O nosso entrevistado no dia da criança: Nelson Lima, ex-coordenador do projeto “Stop Bullying!” da Amnistia Internacional (2014-2016). O projeto “Stop Bullying! Teve uma abordagem baseada nos direitos humanos para combater a discriminação nas escolas” e esteve em curso em quatro países na Europa: Portugal, Itália, Irlanda e Polónia, no âmbito do programa de Educação para os Direitos Humanos da Amnistia Internacional.