Especial: A ironia de Sentir o Racismo em Pessoa

Quando um irmão ou uma irmã diz que sofreu racismo, nós acreditamos. Quando um irmão ou uma irmã diz que sofreu racismo, nós ouvimos porque é o eco da nossa dor. Quando um irmão ou uma irmã sofre racismo não o/a silenciamos. Nós, negros, sabemos reconhecer o racismo em ações concretas mas também num olhar, numa entoação, num desleixe da linguagem corporal.

Foi o que aconteceu com o irmão José Luiz Tavares, no dia 21 de março de 2018, Dia Mundial da Poesia e dia Internacional Para a Eliminação da Discriminação Racial. Foi nesse dia que o poeta, negro, cabo-verdiano sentiu o racismo, em Pessoa, na sua Casa. Uma Casa que frequentou e estimou por muito tempo. Uma Casa cuja obra traduziu e, por sinal, o próprio poema “Tabacaria”, que o  levou a Campo de Ourique nesse dia, se incluiu nessa obra, numa tradução de 2007.  E, por ironia do destino, no dia em que se celebrava a poesia e o combate à discriminação racial, José Luiz Tavares, um poeta negro, sentiu o racismo em pessoa.

O poeta cabo-verdiano quis entrar numa sessão esgotada, em que se lia o poema “Tabacaria”, lançado em livro, traduzido para  crioulo por Apolo de Carvalho, membro da Afrolis – Associação Cultural, que assina como co-editora da obra bilingue, mas não o deixaram entrar. Até aí tudo bem – a sessão estava lotada.  Mas depois entram duas pessoas para a sessão esgotada após se ter sido negado o acesso a José Luiz Tavares. Ficou tudo mal!

A Afrolis contactou a direção da Casa Fernando Pessoa para saber qual a sua versão do sucedido e foi-nos informado que a entrada de duas pessoas após José Luiz Tavares ter sido impedido de entrar foi um engano e que já falaram com o poeta. Mas o nosso irmão diz-nos que foi racismo. E quando um irmão ou irmã nos diz que sofreu racismo, nós acreditamos.

José Luiz Tavares traduziu o poema “Tabacaria” para crioulo em 2007. Apolo de Carvalho traduziu o mesmo texto para a mesma língua em 2018. Brindamos o trabalho de ambos pela continuidade do esforço de passar conhecimento de forma transparente e crítica. Porque precisamos de saber quem faz o Trabalho e a que custo.

 

Mais informações: UM AMARGO DIA MUNDIAL DA POESIA

Autora: Carla Fernandes

 

 

 

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2 comentários sobre “Especial: A ironia de Sentir o Racismo em Pessoa

  1. Estou pasma, como se diria no Brasil!!!!

    Querida Carla, há comportamentos tão hediondos, que parecem somente um pesadelo!!!

    Grata por levantar sua voz contra “crimes”.

    Beijo da Regina Correia

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