Áudio 184 – Registo da Palestra “QUE SIGNIFICA DESCOLONIZAR?”

“Que significa descolonizar, em face da atualização das feridas constituídas historicamente pelo processo de instauração da colonialidade como força ordenadora do mundo? Que significa descolonizar, quando o rolo compressor da necropolítica existe em nosso encalço e os nossos fantasmas nunca descansam face à reprodução de morte como expetativa de vida de comunidades inteiras? Que significa descolonizar, quando as nossas memórias são sistematicamente apagadas como forma de garantir que os nossos futuros nunca cheguem? Esta roda de conversa partirá destas e de outras questões, interarticulando as questões levantadas pelas obras incluídas no arquivo com a atualidade das lutas por uma justiça descolonial e pela abolição de estruturas racistas em Portugal e no mundo.” Esta foi a proposta de discussão da palestra com Jota Mombaça e Joacine Katar Moreira, realizada na Galeria Av. da Índia, a 30 de setembro. A palestra fez parte de uma programação de três dias chamada Ocupação Jota Mombaça.

Biografias

Jota Mombaça (1991), artista nascida e criada no Nordeste do Brasil, identifica-se como sendo uma bicha não binária, que escreve, performa e faz estudos académicos em torno das relações entre monstruosidade e humanidade, estudos kuir, giros descoloniais, interseccionalidade política, justiça anti-colonial, redistribuição da violência, ficção visionária e tensões entre ética, estética, arte e política nas produções de conhecimentos do sul-do-sul globalizado.

Joacine Katar Moreira (1982), nascida na Guiné-Bissau, é feminista e activista negra, doutorada em Estudos Africanos e Investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, licenciada em História Moderna e Contemporânea – vertente de Gestão e Animação de Bens Culturais e um mestre em Estudos do Desenvolvimento.  É presidente e fundadora do INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal, que reúne 27 mulheres de diversas áreas e que lutam contra a invisibilização e o silenciamento de mulheres, jovens e meninas negras na História e no tempo presente.

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Algumas notas sobre a visibilidade do caso do inquérito de recolha de dados étnico-raciais nas escolas

Cristina Roldão, socióloga e co-autora do estudo  Afrodescendentes no sistema educativo, deixou esta tarde uma publicação na sua página do Facebook que achamos pertinente partilhar com os nossos seguidores.

Tendo como referência o artigo do JN “Inquérito nas escolas para saber quem é filho de ciganos ou africanos”,

a socióloga escreve o seguinte:

“Algumas notas sobre a visibilidade do caso do inquérito de recolha de dados étnico-raciais nas escolas [ver links para artigos no final do texto]:

0. É interessante e paradoxal que o mesmo jornal (JN) que publicou em primeira mão, em letras garrafais e na primeira página este caso, tenha silenciado por completo (como outros) uma das maiores mobilizações nacionais de luta contra o racismo, que decorreu no dia 15 de setembro, sábado passado. Na notícia também não é feita a devida distinção entre essa recolha e aquela que se pretende realizar nos censos 2021. Esta última é o que realmente está em cima da mesa. Custa a crer que este silêncio seja um mero acaso.

1. A tipologia de ascendência utilizada no inquérito da CLOO, empresa de consultadoria em economia comportamental, e financiado até estoirar na praça pública pela Fundação Belmiro Azevedo, tem fragilidades conceptuais grosseiras. Não só os autores do inquérito não denominam a que tipo de ascendência se referem, como ao separar a categoria portugueses da categoria ciganos, fica manifesta a incorrecta sobreposição entre o conceito de pertença nacional e o de origem étnico-racial.

2. Mas, mais grave do que isso, são as consequências sociais e políticas de uma tipologia tão mal forjada. Ela reforça a ideia racista de que se é cigano então não é português, não é daqui, colocando-os fora do corpo imaginado da nação e, portanto, socialmente desligitimados nas suas reivindicações de igualdade de direitos e oportunidades. Por outro lado, a tipologia tem subjacente a ideia de que ser-se português é ser-se branco, mais uma vez contribuindo para estereótipos que urge combater e não reforçar. A desculpa de que foi um erro na impressão, desculpem lá, mas é curta.

3. Como eu e outros têm defendido, a origem étnico-racial é uma questão que deve ser introduzida nos Censos 2021, mas sendo uma pergunta particularmente sensível deve ser:
– acompanhada de uma explicitação dos seus objectivos e inequivocamente servir a promoção da igualdade étnico-racial e o combate ao racismo;
– deve ser explicitado e de forma inequívoca que é de resposta facultativa;
– deve assegurar a anonimização dos dados;
– e deve ser feita por instituições reconhecidas pelas suas competências técnicas, pelo seu âmbito de trabalho no combate às desigualdades étnico-raciais e racismo, pelo seu serviço público, como garantia da qualidade e segurança desse processo de recolha.

4. A recolha de dados étnico-raciais tem que contar com o envolvimento das comunidades racializadas para que estas possam participar no processo de definição de categorias, procedimentos, objectivos e se possam apropriar, nos seus próprios termos, dos resultados dessa recolha;

5. A recolha de dados étnico-raciais não deve ser feita de forma ad-hoc aqui e ali e não se pode transformar num mero procedimento administrativo de classificação, deve estar enquadrada num Plano Nacional de Combate às Desigualdades Étnico-raciais e Racismo que estabeleça as linhas orientadoras que devem regular esse tipo de recolha. É esse plano, essa estratégia política, que efetivamente tem tardado a surgir.”

Outros artigos referentes ao mesmo assunto:

Inquérito feito na escola pergunta a pais se são ciganos ou brasileiros

“Cigano, africano ou brasileiro?” Pais denunciam “inquérito racista” nas escolas

Escolas fazem inquérito para saber quem é filho de ciganos ou africanos

Escolas fazem inquérito para saber quem é filho de cigano

“Portuguesa, cigana, chinesa, africana, Europa de Leste, indiana ou brasileira.” Pais denunciam inquérito nas escolas

Áudio 183 – Mobilização Nacional De Luta Contra O Racismo 2018

“Os vários casos de racismo que têm sido discutidos na praça pública são só a ponta do icebergue daquilo que as nossas comunidades sofrem no seu dia-a-dia, sem que se faça justiça. Precisamos de sair à rua, juntos/as, para combater o racismo, manifestarmos o nosso repúdio e a nossa solidariedade para com as vítimas de discriminação racial. Por isso, chamamos todos/as à Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo, no dia 15 de Setembro, sábado, às 15 horas em Braga (Av. Central/Chafariz), Lisboa (Rossio) e Porto (Praça da República).”

Coletivos promotores:
Afrolis – Associação Cultural; GTO Lx – Grupo de Teatro do Oprimido; MUXIMA; FEMAFRO – Ass. de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes; DJASS – Ass. de Afrodescendentes; Observatório do Controlo e Repressão; Casa do Brasil; CAIPE – Coletivo de Ação Imigrante e Periférica; Consciência Negra; Socialismo Revolucionário; SOS Racismo; Plataforma Gueto; Nêga Filmes; Ass. Cultural Moinho da Juventude; Associação Muticultural do Carregado; Associação dos Filhos e Amigos de Farim (AFAFC); APEB – Ass. de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros de Coimbra; Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra; Letras Nómadas – Ass. de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas; Em Luta; Teatro Griot; INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal; Associação Nasce e Renasce; Associação Krizo; A Gazua; Coletivo Chá das Pretas; Festival Feminista do Porto; A Coletiva; Núcleo Antifascista de Braga; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Braga); STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center; AIM – Alternative Internacional Movement; Banda Exkurraçados; Hevgeniks; Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afodescententes; Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (SOLIM); Kalina – Associação dos Imigrantes de Leste; Comunidade Bangladesh do Porto; União Romani Portuguesa; AMEC – Associação de Mediadores Ciganos; CIAP – Centro Incentivar a Partilha; Associação Mais Brasil; Coordenadora Antifascista Portugal.

Áudio 182 – Documentário “Privilégios” de Rosa Miranda

Rosa Miranda é uma mulher negra, licenciada em cinema e audiovisual, no Brasil, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense. Como cineasta realizou mais de 17 produções cinematográficas além de produzir diversos eventos culturais ligados a promoção da sétima arte negra em diversas instituições.

Atualmente é curadora e produtora do Cineclube Atlântico Negro, ministra oficinas livres na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, na Casa Naara, é fundadora do coletivo Kbça D’ Nêga e cineasta associada da Associação de Profissionais do Audiovisual Negros. Aqui em Portugal está a promover o documentário “Privilégios”, que questiona os privilégios que se tem nessa sociedade e faz uma chamada para reflexão sobre o tema que abrange as relações vinculadas às opressões de género, raça e classe.

Foto 1

Áudio 181 – Vidas Negras Importam

A 22 de maio de 2018 teve início o julgamento de 17 agentes da esquadra de Alfragide, acusados de tortura e racismo a seis jovens da Cova da Moura. Este processo diz respeito a um caso que remonta a 5 de fevereiro de 2015, altura em que entrevistei uma das vítimas, LBC ou Flávio Almada. Esta é uma acusação inédita dirigida a quase uma esquadra inteira. No entanto, não tem sido fácil para as vítimas reviver o sucedido e elas precisam do nosso apoio. Mulheres negras juntaram-se para apelar à participação nas audiências do julgamento que terminaram esta semana mas vão continuar em setembro no Tribunal de Sintra.

LBC juntou também a sua voz às vozes destas mulheres negras relembrando a importância deste e de outros casos de violência contra corpos negros, como foi o de Nicol Quinayas. A jovem mulher negra foi agredida na noite de S. João, no Porto, por um segurança de uma empresa, ao serviço da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
Esta sexta-feira, 13 de julho, vai haver uma concentração contra o Racismo de Estado e pela Punição de Crimes Racistas. O Encontro esta marcado para as 18h, no Largo de São Domingos, no Rossio, em Lisboa.

Áudio 180 – Serviço Social e Combate ao Racismo

Esta quinta-feira vamos falar sobre as expressões do racismo na educação brasileira e os contributos do Serviço Social e tentar fazer um paralelo com o que acontece em Portugal.

 

Heide de Jesus Damasceno, apresentou o tema no Lugar de Fala, em Alfama, Lisboa, no mês de junho e diz-nos que “o quotidiano das escolas é repleto de situações discriminatórias. Quando se trata de ser uma aluna negra, as expressões do racismo e de género promovem articulações perversas que podem perdurar por toda vida pessoal e académica. O Serviço Social pode contribuir através de análises sobre as reproduções sociais do racismo na política de educação e nas relações dentro da escola.”

Heide de Jesus Damasceno atua como assistente social do Instituto Federal da Bahia / Campus de Salvador e assistente social colaboradora do Instituto Cultural Steve Biko, ambos no Estado da Bahia, Brasil. Cursa o doutorado em Serviço Social pelo Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE-IUL. É licenciada e mestre em Serviço Social pela Universidade Federal de Sergipe (Brasil). Pesquisadora na área do Serviço Social, Educação e Racismo.

Título da pesquisa de tese: As Trajetórias Escolares das Estudantes Afrodescendentes/Negras na Educação Profissional em Portugal e Brasil: contributos para a intervenção do Serviço Social.

Áudio 179 – Mostras do Espetáculo Igbádú – O Céu e a Terra

A Companhia de dança afro contemporânea – Agadá, apresenta mostras do seu primeiro espetáculo “Igbádú – O Céu e a Terra” nos dias 19, 20 e 27 de maio. O musical é coreografado por Jorge Cipriano, um dos fundadores e sonhadores da companhia, e gira em torno do processo de criação do mundo a partir do povo iorubá, no sentido de valorizar uma visão contemporânea dos mitos africanos sobre a criação do planeta Terra e dos seres humanos . Pedro Henrique Barbosa, o diretor artístico da Companhia, fala-nos do espetáculo.

Mostra no Museu Nacional do Teatro, 19 de maio