Regresso do Afrotela com Welket Bungué

Afrotela é um projeto da Afrolis – Associação Cultural onde olhamos para afrodescendentes na tela e discutimos as representações disponíveis das nossas comunidades. As primeiras duas sessões foram no mês de outubro de 2016 com filmes que retravavam afrolisboetas e para as quais foram convidados participantes dos filmes para debater as temáticas tratadas. A partir de novembro de 2016 até março de 2017, criou-se uma parceria com a produtora Nega Filmes Produções que passou a fazer a curadoria das sessões e a dirigir os debates que se seguiam ao visionamento dos filmes. As sessões passaram a ser mensais e feitas em dois locais por mês, uma vez no centro de Lisboa (Casa Mocambo) e outra na Cova da Moura (Tabacaria Tropical). Para a temporada de 2019, a Afrolis convida o ator e realizador Welket Bungué a retomar o projeto fazendo a curadoria das sessões cinematográficas que serão feitas em ambiente intimista com uma regularidade mensal.

A sessão de abertura será no dia 13 de dezembro com a exibição dos filmes ‘Soulleimane’, de Paulo Pancadas e ‘Terra Amarela’, de Dinis M. Costa, pelas 21:30, na Casa Mocambo (evento gratuito).

 

 

 

 

 

Programação completa AQUI

 

Acerca da Curadoria

Balanta e luso-guineense, Welket Bungué, nasce em Xitole (Guiné-Bissau) a 7 de fevereiro de 1988. Welket iniciou a sua formação artística em 2005. É licenciado em Teatro no ramo de Atores (ESTC/Lisboa) e pós-graduado em Performance (UniRio/RJ). É Membro Permanente da Academia Portuguesa de Cinema desde 2015, Em 2012 foi distinguido com “Prémio de Melhor Ator” pela sua interpretação em MÜTTER, realizou as curtas-metragens MENSAGEM,WOODGREEN e BASTIEN no qual foi distinguido pelo ‘Prémio de Melhor Ator’ nos prémios Shortcutz 2017. É também locutor para entidades internacionais, desenvolve Escrita Dramática, Argumento de Cinema, Performances e Teatro. Atualmente vive entre o Rio de Janeiro e Berlim.

Apresentação: CARLOS KANGOMA

Carlos KangomaCarlos Kangoma aka Lucy é músico e produtor executivo do programa Ecos Urbanos. Natural de Angola, nascido a 29 de outubro de 1984. Mudou-se para Portugal em 1987 devido ao flagelo da guerra. Vive a sua infância na região da Venda do Pinheiro e aos 12 anos vai para Odivelas e conhece o rap. Formou o grupo Mentes Criminosas e editou o primeiro álbum em 2009 intitulado ‘Cara ou Coroa’, nessa altura concilia os concertos com o curso de Línguas, Literaturas e Culturas da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Passados 3 anos de digressão, forma juntamente com alguns músicos de Odivelas um novo colectivo intitulado Odc Gang e lança o seu segundo trabalho colectivo intitulado ‘Escumalha’, nessa altura concilia a segunda digressão com o curso profissional de Microbiologia Alimentar no CFPSA. Em 2016 finalmente lança o seu primeiro trabalho a solo intitulado ‘Uma História Para Contar’. Após o lançamento do álbum, decide embarcar na produção de um programa cultural ( ecos urbanos) , com o intuito de divulgar artistas e organizações num cenário mais intimista e formato casual. Neste momento já vai lançar o seu 2 álbum a solo intitulado ‘Primeiro Capítulo’ enquanto vai dando espetáculos a nível nacional e internacional.

 

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Áudio 186 – 40 Anos de Cadernos Negros

 

Desde 1978 a produção literária afro-brasileira teve um grande impulso com a criação da série Cadernos Negros, organizada pelo coletivo Quilombhoje.   Ao longo de 40 anos foram publicados volumes os Cadernos Negros alterando-se entre contos e poemas, tornando-se uma forma de veicular a cultura, o pensamento e o modo de vida dos afro-brasileiros. Quarenta volumes passados, reconhece-se o contributo dos Cadernos Negros para a visibilidade de autores afrodescendentes e fortalecimento não só a literatura negra, mas também da produção literária das periferias. Esmeralda Ribeiro é uma das fundadoras se conta-nos mais

Áudio 185 – INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal

O “INSTITUTO DA MULHER NEGRA EM PORTUGAL – INMUNE”, fundado por 27 mulheres negra, apresenta-se como sendo “uma entidade feminista interseccional e anti-racista, constituída por mulheres, de direito privado, sem fins lucrativos, solidário, apartidário, mas não apolítico, que combate o silenciamento das mulheres negras, africanas e afrodescendentes na História e no tempo presente e promove o empoderamento, a participação social e política de mulheres, a igualdade de direitos, a paridade e a justiça social, fomentando através das suas atividades e reflexões, um ambiente propício à afirmação e valorização da herança e da cultura negra e africana em Portugal.”

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A apresentação oficial da organização foi no dia 20 de outubro, de 2018, na Cordoaria Nacional. Aqui quem nos apresenta o INMUNE são 3 das 27 fundadoras, Neusa Trovoada, Angela Graça e Denise Viana.

Próxima atividade INMUNE: Feira de Inverno – Campanha de recolha de roupa a decorrer

Áudio 184 – Registo da Palestra “QUE SIGNIFICA DESCOLONIZAR?”

“Que significa descolonizar, em face da atualização das feridas constituídas historicamente pelo processo de instauração da colonialidade como força ordenadora do mundo? Que significa descolonizar, quando o rolo compressor da necropolítica existe em nosso encalço e os nossos fantasmas nunca descansam face à reprodução de morte como expetativa de vida de comunidades inteiras? Que significa descolonizar, quando as nossas memórias são sistematicamente apagadas como forma de garantir que os nossos futuros nunca cheguem? Esta roda de conversa partirá destas e de outras questões, interarticulando as questões levantadas pelas obras incluídas no arquivo com a atualidade das lutas por uma justiça descolonial e pela abolição de estruturas racistas em Portugal e no mundo.” Esta foi a proposta de discussão da palestra com Jota Mombaça e Joacine Katar Moreira, realizada na Galeria Av. da Índia, a 30 de setembro. A palestra fez parte de uma programação de três dias chamada Ocupação Jota Mombaça.

Biografias

Jota Mombaça (1991), artista nascida e criada no Nordeste do Brasil, identifica-se como sendo uma bicha não binária, que escreve, performa e faz estudos académicos em torno das relações entre monstruosidade e humanidade, estudos kuir, giros descoloniais, interseccionalidade política, justiça anti-colonial, redistribuição da violência, ficção visionária e tensões entre ética, estética, arte e política nas produções de conhecimentos do sul-do-sul globalizado.

Joacine Katar Moreira (1982), nascida na Guiné-Bissau, é feminista e activista negra, doutorada em Estudos Africanos e Investigadora do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, licenciada em História Moderna e Contemporânea – vertente de Gestão e Animação de Bens Culturais e um mestre em Estudos do Desenvolvimento.  É presidente e fundadora do INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal, que reúne 27 mulheres de diversas áreas e que lutam contra a invisibilização e o silenciamento de mulheres, jovens e meninas negras na História e no tempo presente.

Algumas notas sobre a visibilidade do caso do inquérito de recolha de dados étnico-raciais nas escolas

Cristina Roldão, socióloga e co-autora do estudo  Afrodescendentes no sistema educativo, deixou esta tarde uma publicação na sua página do Facebook que achamos pertinente partilhar com os nossos seguidores.

Tendo como referência o artigo do JN “Inquérito nas escolas para saber quem é filho de ciganos ou africanos”,

a socióloga escreve o seguinte:

“Algumas notas sobre a visibilidade do caso do inquérito de recolha de dados étnico-raciais nas escolas [ver links para artigos no final do texto]:

0. É interessante e paradoxal que o mesmo jornal (JN) que publicou em primeira mão, em letras garrafais e na primeira página este caso, tenha silenciado por completo (como outros) uma das maiores mobilizações nacionais de luta contra o racismo, que decorreu no dia 15 de setembro, sábado passado. Na notícia também não é feita a devida distinção entre essa recolha e aquela que se pretende realizar nos censos 2021. Esta última é o que realmente está em cima da mesa. Custa a crer que este silêncio seja um mero acaso.

1. A tipologia de ascendência utilizada no inquérito da CLOO, empresa de consultadoria em economia comportamental, e financiado até estoirar na praça pública pela Fundação Belmiro Azevedo, tem fragilidades conceptuais grosseiras. Não só os autores do inquérito não denominam a que tipo de ascendência se referem, como ao separar a categoria portugueses da categoria ciganos, fica manifesta a incorrecta sobreposição entre o conceito de pertença nacional e o de origem étnico-racial.

2. Mas, mais grave do que isso, são as consequências sociais e políticas de uma tipologia tão mal forjada. Ela reforça a ideia racista de que se é cigano então não é português, não é daqui, colocando-os fora do corpo imaginado da nação e, portanto, socialmente desligitimados nas suas reivindicações de igualdade de direitos e oportunidades. Por outro lado, a tipologia tem subjacente a ideia de que ser-se português é ser-se branco, mais uma vez contribuindo para estereótipos que urge combater e não reforçar. A desculpa de que foi um erro na impressão, desculpem lá, mas é curta.

3. Como eu e outros têm defendido, a origem étnico-racial é uma questão que deve ser introduzida nos Censos 2021, mas sendo uma pergunta particularmente sensível deve ser:
– acompanhada de uma explicitação dos seus objectivos e inequivocamente servir a promoção da igualdade étnico-racial e o combate ao racismo;
– deve ser explicitado e de forma inequívoca que é de resposta facultativa;
– deve assegurar a anonimização dos dados;
– e deve ser feita por instituições reconhecidas pelas suas competências técnicas, pelo seu âmbito de trabalho no combate às desigualdades étnico-raciais e racismo, pelo seu serviço público, como garantia da qualidade e segurança desse processo de recolha.

4. A recolha de dados étnico-raciais tem que contar com o envolvimento das comunidades racializadas para que estas possam participar no processo de definição de categorias, procedimentos, objectivos e se possam apropriar, nos seus próprios termos, dos resultados dessa recolha;

5. A recolha de dados étnico-raciais não deve ser feita de forma ad-hoc aqui e ali e não se pode transformar num mero procedimento administrativo de classificação, deve estar enquadrada num Plano Nacional de Combate às Desigualdades Étnico-raciais e Racismo que estabeleça as linhas orientadoras que devem regular esse tipo de recolha. É esse plano, essa estratégia política, que efetivamente tem tardado a surgir.”

Outros artigos referentes ao mesmo assunto:

Inquérito feito na escola pergunta a pais se são ciganos ou brasileiros

“Cigano, africano ou brasileiro?” Pais denunciam “inquérito racista” nas escolas

Escolas fazem inquérito para saber quem é filho de ciganos ou africanos

Escolas fazem inquérito para saber quem é filho de cigano

“Portuguesa, cigana, chinesa, africana, Europa de Leste, indiana ou brasileira.” Pais denunciam inquérito nas escolas

Áudio 183 – Mobilização Nacional De Luta Contra O Racismo 2018

“Os vários casos de racismo que têm sido discutidos na praça pública são só a ponta do icebergue daquilo que as nossas comunidades sofrem no seu dia-a-dia, sem que se faça justiça. Precisamos de sair à rua, juntos/as, para combater o racismo, manifestarmos o nosso repúdio e a nossa solidariedade para com as vítimas de discriminação racial. Por isso, chamamos todos/as à Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo, no dia 15 de Setembro, sábado, às 15 horas em Braga (Av. Central/Chafariz), Lisboa (Rossio) e Porto (Praça da República).”

Coletivos promotores:
Afrolis – Associação Cultural; GTO Lx – Grupo de Teatro do Oprimido; MUXIMA; FEMAFRO – Ass. de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes; DJASS – Ass. de Afrodescendentes; Observatório do Controlo e Repressão; Casa do Brasil; CAIPE – Coletivo de Ação Imigrante e Periférica; Consciência Negra; Socialismo Revolucionário; SOS Racismo; Plataforma Gueto; Nêga Filmes; Ass. Cultural Moinho da Juventude; Associação Muticultural do Carregado; Associação dos Filhos e Amigos de Farim (AFAFC); APEB – Ass. de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros de Coimbra; Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra; Letras Nómadas – Ass. de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas; Em Luta; Teatro Griot; INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal; Associação Nasce e Renasce; Associação Krizo; A Gazua; Coletivo Chá das Pretas; Festival Feminista do Porto; A Coletiva; Núcleo Antifascista de Braga; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Braga); STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center; AIM – Alternative Internacional Movement; Banda Exkurraçados; Hevgeniks; Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afodescententes; Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (SOLIM); Kalina – Associação dos Imigrantes de Leste; Comunidade Bangladesh do Porto; União Romani Portuguesa; AMEC – Associação de Mediadores Ciganos; CIAP – Centro Incentivar a Partilha; Associação Mais Brasil; Coordenadora Antifascista Portugal.

Áudio 182 – Documentário “Privilégios” de Rosa Miranda

Rosa Miranda é uma mulher negra, licenciada em cinema e audiovisual, no Brasil, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense. Como cineasta realizou mais de 17 produções cinematográficas além de produzir diversos eventos culturais ligados a promoção da sétima arte negra em diversas instituições.

Atualmente é curadora e produtora do Cineclube Atlântico Negro, ministra oficinas livres na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, na Casa Naara, é fundadora do coletivo Kbça D’ Nêga e cineasta associada da Associação de Profissionais do Audiovisual Negros. Aqui em Portugal está a promover o documentário “Privilégios”, que questiona os privilégios que se tem nessa sociedade e faz uma chamada para reflexão sobre o tema que abrange as relações vinculadas às opressões de género, raça e classe.

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