Livro Djidiu – A Herança do Ouvido, por Joacine Katar Moreira

“Não há revolução sem amor, sem cultura e sem sonhos. Não há revolução sem ódio, sem separações e sem unidade.

Carlos Graça, Carla Lima, Carla Fernandes, Luzia Gomes, Apolo de Carvalho (Esq. p/ dir.)

O Djidiu escolheu o amor para expressar os mais diversos sentimentos que habitam os afrodescendentes portugueses: sobre a educação, a cultura, representatividade, as liberdades, a família, as violências, opressões e exclusões que marcam as suas vidas. A sociedade portuguesa recusa ser racista, mas como pode não ser racista se apenas considera portugueses os brancos que a habitam? Perguntam-nos sempre de onde somos. Nós vivemos aqui, nós crescemos aqui, nós trabalhamos aqui, contribuímos aqui, construímos aqui, nascemos aqui e morremos aqui. Mas não somos daqui. Por outro lado e falando agora para os activistas de que sou parte, este livro para mim simboliza a diversidade. Não é um livro que fala a uma só voz. Cada autor verbaliza a sua própria história, as suas experiências individuais, na sua própria voz e olhar sobre a história e o presente, mesmo que muito do que é relatado nos seja familiar ou nos toque profundamente.

Joacine Katar Moreira, Carla Fernandes, Anabela Rodrigues, Cristina Roldão (esq. p/ dir.)

 

É esta diversidade que o activismo negro em Portugal tem de aceitar. Esta pluralidade de vozes e de lugares de fala entre nós. Porque a verdadeira unidade, não é a que acontece entre partes iguais, mas sim entre alas diferentes de pensamento e de acção. Quando dois pensamentos iguais se encontram elas se fundem. Quando dois pensamentos diferentes dialogam, eles continuam sendo dois e continuam dialogando, ocupando mais espaço de intervenção. Temos de controlar a vontade da fala única e a necessidade de convergência sempre, porque a nossa força está na pluralidade das nossas vozes. É preciso aceitar as diferenças e nunca, jamais encerrar as fileiras. Esta obra vem provar-nos que é este o caminho.”

Joacine Katar Moreira sobre o livro Djidiu – A Herança do Ouvido, no dia 23 de janeiro de 2018, na apresentação da obra, no Museu do Aljube.

Onde comprar o livro:
Livraria Ler Devagar (LXFactory)
Livraria Ferin (Chiado)
Livraria Tigre de Papel (Arroios)
Livraria Distopia (Sao Bento)
Livraria Pó dos Livros (Saldanha)

Nós Nos Livros: Joaquim Pinto de Andrade – uma quase autobiografia

Eu acho importante ler este livro porque…

Por Adolfo Maria

Joaquim Pinto de Andrade é um dos pioneiros do moderno nacionalismo angolano, por isso sofreu durante treze anos prisões e desterros impostos pelo regime colonial português, ao qual se opôs tenazmente pelas suas acções: consciencializando angolanos sobre os ideais da independência, integrando grupos políticos nacionalistas, desafiando em corajosa atitude os esbirros coloniais quando estava  preso, dizendo-lhes olhos nos olhos porque era justa a luta dos angolanos e porque ele, J. P. Andrade, devia estar ao lado do seu povo na luta pela independência de Angola. E, já no país independente, continuou sempre ao lado do povo, afrontando temerariamente a intimidação e a repressão, reclamando contra as injustiças, pugnando pela democracia, sempre digno, sempre coerente, numa exemplar atitude de cidadão.

Foto: Salambende Mucari

Sobre ele e o seu combate foi publicado agora um livro Joaquim Pinto de Andrade – uma quase autobiografia . Editado pela “Afrontamento”, é uma publicação resultante do incansável esforço de recolha documental feito pela mulher de Joaquim, a Tó, e coroado com o precioso trabalho final executado pela Diana Andringa, dando-nos uma obra onde impera o rigor.

Numerosos documentos ilustram a porfiada luta de Joaquim Pinto de Andrade pela independência e dignidade do povo angolano, nomeadamente o corajoso combate contra a tenebrosa polícia do regime salazarista, a PIDE, e depois pela democracia no seio do MPLA e em Angola. Discursos, cartas e comunicações do Joaquim aqui publicados revelam a sua erudição e cultura  (Joaquim Pinto de Andrade, padre quando foi preso, era formado em Filosofia e Teologia, dominava sete línguas: latim, italiano, francês, inglês, alemão, kimbundu e português).

Nesta obra de cuidada edição: Joaquim Pinto de Andrade – uma quase autobiografia, acompanhamos o exaltante percurso deste nacionalista angolano, um humanista e incansável combatente da liberdade, que tem craveira universal, mas que está pouco presente na historiografia angolana e é ignorado ou minimizado pelas várias histórias oficiais: a do MPLA e a de Angola.

Áudio 138 – Aqu’Alva Stória – Festival, contado por Adriano Reis

A Associação de Dinamização Ambiental, Social e Cultural de Portugal (RJ ANIMA) promove o Aqu’Alva Stória – Festival, que arranca oficialmente no dia 10 de janeiro, mas decorre de 1 a 8 de abril de 2017. Anualmente o festival dedica-se à descoberta da narração oral de um dos países de comunidades em que se fala o português. Nesta segunda edição do festival o país convidado é Timor. Adriano Reis, contador de histórias, ator e dinamizador cultural cabo-verdiano, conta-nos mais sobre esta iniciativa da qual é  impulsionador, através da RJ ANIMA.

 

Áudio 136 – Primeira Edição da Feira Afro na Crew Hassan

Feira Afro: “Esta iniciativa tem como objetivos principais contribuir para a promoção, valorização das culturas e artes africanas feitas também por afrodescendentes, dando visibilidade aos trabalhos das/os criadoras/es de várias disciplinas, num processo de pontes que permitam uma ampla e saudável vivência com respeito entre os mesmos e mais cidadãos do mundo tudo num ambiente harmonioso de uma feira o que proporciona oportunidade de trocas, vendas e descobertas.” É assim que os organizadores da Feira Afro apresentam este espaço de trocas culturais. Aqui, na Afrolis, quem fala mais sobre a iniciativa é Alexandre Yewa, membro da chamada Afro Crew e do Coletivo kilomboewa.

No final da Feira Afro, ainda se pode assistir ao concerto do Afroroots com Klement Tsamba, que também estará no espaço Crew Hassan na noite de 23 de dezembro.

Gravação feita através do Skype

Áudio 121 – Tabacaria Tropical Sta Bazofo

“Bazofo” é uma palavra do crioulo de Cabo Verde que descreve alguém com estilo e atitude. Mas é também uma pequena marca de roupa sustentável e ética da Cova da Moura, fundada por Vítor Sanches, o dono da Tabacaria Tropical. A Tabacaria Tropical abriu em Junho de 2015 e já tem um vasto leque de eventos realizados naquele espaço que” sta bazofo”! Na Cova da Moura não é raro ouvir-se dizer `Bu sta bazofo!`, não só porque muitas pessoas falam crioulo, mas também porque, segundo Vitor Sanches, há muita gente com muito estilo que representa a cultura daquele bairro a sua identidade.

A Bazofo e a Tabacaria Tropical estão presentes nas seguintes redes sociais:

Áudio 113 – Racismo em Português, com Joana Gorjão Henriques

A nossa entrevistada de hoje é Joana Gorjão Henriques, jornalista do Público e autora do livro Racismo em Português.

Consciente do meu lugar de privilégio – o de jornalista branca de um país que tem dominado a versão do que foi a história colonial – procurei na escrita das reportagens dar primazia aos testemunhos pessoais. Mais do que tecer julgamentos sobre se o que as pessoas contaram estava certo ou errado, quis sobretudo ouvir o que sentem e como olham para a discriminação racial exercida pelos portugueses durante o colonialismo, que narrativas perduram em cada país, que cicatrizes permanecem. Quis ouvir a sua versão da história.Joana Gorjão Henriques

O livro já pode ser comprado na página da editora Tinta da China e, a partir de dia 24 de junho, podem comprá-lo em todas as livrarias do país.

Apoios para a realização do trabalho de Joana Gorjão Henriques: Público e Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Áudio 112 – Armindo Tavares e histórias verídicas de CV

ARMINDO MARTINS TAVARES é um escritor natural de Cabo Verde, da ilha de Santiago, que se naturalizou português há mais de 20 anos e vive na área de Grande Lisboa. Trabalha e faz as suas investigações sobre o processo da formação do povo de Cabo Verde e escreve desde peças de teatro, poesia a histórias infantis. Aqui Armindo Martins Tavares fala-nos de o seu novo livro “Café com água da Tóbia”.

 

Para  comprar o livro podem contactar diretamente com o autor:

Tel. 965248325

Email: amtavares3@hotmail.com

Especial Nós Nos Livros: 12 tons de negro

Todas as quintas-feiras costumamos publicar uma entrevista áudio com uma pessoa da comunidade negra a viver em Lisboa. Esta semana temos uma excepção! Apresentamos “Um Ano Em Busca Da Minha Negritude”, por Eliana Nzualo, que nos disponibilizou uma lista de livros que leu durante um ano!

 

  • AmericanahAmericanah (Chimamanda Ngozi Adichie): Já escrevi sobre este livro aqui. A história acompanha a ida de Ifemelu da Nigéria para os Estados Unidos da América e a (re)construção da sua identidade num espaço onde nem sempre se sente bem-vinda ou sequer vista.

Zami – A New Spelling Of My Name (Audre Lorde): Uma autobiografia sobre amor. Sobre como Audre, uma mulher descendente de imigrantes, lésbica, negra, gorda nos anos 50 nos EUA encontra o melhor em si e no mundo.

 

Be lovedBeloved (Toni Morrison): Baseado numa história verídica, é o trágico destino de Sethe, uma escrava fugitiva que se vê obrigada a matar a própria filha para salvá-la da escravidão e o regresso imaginado da menina para se juntar à família.

I Know Why The Caged Bird Sings (Maya Angelou): Esta autobiografia comove e diverte: numa infância marcada pelo abandono, racismo e violação sexual, há sempre luzes de compaixão, amor e esperança.

 

Aké – The Years of Childhood (Wole Soyinka): Imaginem uma fotografia da Nigéria antes e durante a Segunda Guerra Mundial tirada por um astuto e curioso rapaz de 5 anos. Pois é, este livro é mesmo isso.

The Beautytul Ones Are Not Yet Born (Ayi Kwei Armah): No Ghana pós-independência, onde reina a corrupção, um pobre e honesto funcionário publico procura manter os seus valores, mesmo sem o apoio dos colegas e da família.

Ghana Must Go (Taiye Selasi): A busca da família Sais, de origem nigeriana e ganesa, pela união, justiça e verdade à medida que as suas vidas individuais os afastam de quem eles sempre sonharam ser.Ghana must go

Dead Aid – Why Aid Is Not Working and How There Is Another Way For Africa (Dambisa Moyo): Um livro sobre a mentira da ajuda humanitária e das consequências económicas, políticas e sociais para os países africanos e sobre uma possível solução sustentável.

Ain’t I A Woman – Black Women And Feminism (bell hooks): Um estudo histórico da marginalidade da mulher negra no movimento feminista desde a Escravatura aos anos 70-80 nos EUA.

Maka Na Sanzala – Mafuta (Uanhenga Xitu): Em Angola, numa vila onde pouco se sente o poder colonial, a história de uma jovem moça para manter a honra da sua família.

Ninguem matou suhuraBalada de Amor Ao Vento (Paulina Chiziane): Um amor verdadeiro no Sul de Moçambique, num casamento polígamo e a força de uma mulher, Sarnau para não ter de abandonar os seus sonhos.

Ninguém Matou Suhura (Lília Momplé): Este livro é uma colectânea de contos que contam um pouco da História de Moçambique no período colonial, onde os personagens, sentimentos e circunstâncias formam uma moldura daquilo que era a sua realidade.

Por Eliana Nzualo
Desde pequena que sempre me interessei por histórias.
Contar histórias é uma arte que descobri na escola ao ler escritores como sophia de mello breyner andressen; luis de camões; josé saramago; luís de stau monteiro e eça de queirós, entre outros que certamente muitos afrolisboetas devem reconhecer dos livros de leitura obrigatória do currículo português.

Aliás, é uma pena que em Portugal, um país cuja História passa por África, não se cultive mais a literatura africana (ou pelo menos lusófona).
E infelizmente os nomes que acompanharam a minha infância, à semelhança de outros africanos na diáspora, são nomes de quem conta histórias de pessoas brancas; de meios urbanos; de famílias aristocratas; histórias de situações e realidades que negam ou ignoram uma parte de mim.

Eliana Nzualo Colaboradora R

Eliana Nzualo

Eu precisava de encontrar validade nas histórias que eu ouvia ao meu redor. Eram histórias diversas: africanas; americanas; portuguesas; sobre mulheres; sobre homens; sobre liberdade; sobre colonialismo; sobre escravidão… histórias para que eu descobrisse a minha História.
Então decidi: vou ler negritude.

Desafiei-me a ler um livro por mês durante todo o ano de 2015 e tinha apenas um único critério: autor negro.
Nessa viagem pela negritude passei por Angola, Moçambique, Gana, Nigéria, Inglaterra e EUA.

Percorri séculos na História mundial e andei por cheiros e paisagens que jamais tinha visto, mas que ainda assim, me eram familiares.
Encontrei negras lésbicas no movimento feminista nas Fábricas Americanas dos anos 60. Deparei-me com escravas fugitivas assassinas. Perdi-me nas teias da corrupção em África no período pós-colonial.

E descobri, a cada página virada, uma nova cor para a minha identidade.
Por 12 meses mergulhei em mim mesma e surgi na margem da Literatura. E que lindo lugar para se estar!

Áudio 109 – Lançamento do livro A Leste de Tudo: Flaviano Mindela Dos Santos

Flaviano Mindela Dos Santos, pintor, fotógrafo e escritor, lança o seu livro A Leste de Tudo no Bar/Restaurante Tabernáculo.  Flaviano fala-nos do seu percurso como escritor, de histórias da sua infância. e de famílias perseguidas durante o colonialismo.  Na mesa de apresentação: A editora representada por Paula OZ, o autor Flaviano Mindela Dos Santos, o apresentador Abílio Bragança Neto e Hernâni Miguel.

A LESTE DE TUDO – Crónicas de uma Infância: uma história verídica, bastante marcante, emocionante e expressiva.