Áudio 175 – Judoca negro, Célio Dias, assume-se homossexual

“Somos super-heróis. (…) É um estigma. O negro não pode ser doente mental. O negro não pode ser gay. O negro não pode ser transexual. Existe uma parte da comunidade que tem este pensamento que não possibilita a nossa expressão enquanto indivíduos.” Célio Dias é judoca e foi atleta olímpico. Homem negro, assume-se como homossexual e sofre de uma doença mental, a síndrome esquizo compulsiva. Tentou o suicídio por duas vezes mas agora procura partilhar a sua história para inspirar outros a contarem narrativas diferentes.

Mais sobre Célio Dias: Entrevista Record

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Especial: A ironia de Sentir o Racismo em Pessoa

Quando um irmão ou uma irmã diz que sofreu racismo, nós acreditamos. Quando um irmão ou uma irmã diz que sofreu racismo, nós ouvimos porque é o eco da nossa dor. Quando um irmão ou uma irmã sofre racismo não o/a silenciamos. Nós, negros, sabemos reconhecer o racismo em ações concretas mas também num olhar, numa entoação, num desleixe da linguagem corporal.

Foi o que aconteceu com o irmão José Luiz Tavares, no dia 21 de março de 2018, Dia Mundial da Poesia e dia Internacional Para a Eliminação da Discriminação Racial. Foi nesse dia que o poeta, negro, cabo-verdiano sentiu o racismo, em Pessoa, na sua Casa. Uma Casa que frequentou e estimou por muito tempo. Uma Casa cuja obra traduziu e, por sinal, o próprio poema “Tabacaria”, que o  levou a Campo de Ourique nesse dia, se incluiu nessa obra, numa tradução de 2007.  E, por ironia do destino, no dia em que se celebrava a poesia e o combate à discriminação racial, José Luiz Tavares, um poeta negro, sentiu o racismo em pessoa.

O poeta cabo-verdiano quis entrar numa sessão esgotada, em que se lia o poema “Tabacaria”, lançado em livro, traduzido para  crioulo por Apolo de Carvalho, membro da Afrolis – Associação Cultural, que assina como co-editora da obra bilingue, mas não o deixaram entrar. Até aí tudo bem – a sessão estava lotada.  Mas depois entram duas pessoas para a sessão esgotada após se ter sido negado o acesso a José Luiz Tavares. Ficou tudo mal!

A Afrolis contactou a direção da Casa Fernando Pessoa para saber qual a sua versão do sucedido e foi-nos informado que a entrada de duas pessoas após José Luiz Tavares ter sido impedido de entrar foi um engano e que já falaram com o poeta. Mas o nosso irmão diz-nos que foi racismo. E quando um irmão ou irmã nos diz que sofreu racismo, nós acreditamos.

José Luiz Tavares traduziu o poema “Tabacaria” para crioulo em 2007. Apolo de Carvalho traduziu o mesmo texto para a mesma língua em 2018. Brindamos o trabalho de ambos pela continuidade do esforço de passar conhecimento de forma transparente e crítica. Porque precisamos de saber quem faz o Trabalho e a que custo.

 

Mais informações: UM AMARGO DIA MUNDIAL DA POESIA

Autora: Carla Fernandes

 

 

 

Áudio 174 – Saúde mental da mulher negra – Papo Preta com Shenia Karlsson

“O racismo é alienante e esquizofrenizante(…) Vamos empoderar por dentro! Criar recursos para transitar [na sociedade]e ocupar! Não adianta querer ocupar e não saber ocupar!”

Shenia Karlsson, psicóloga social negra, uma das fundadoras do Papo Preta, um projeto terapêutico, a funcionar no Rio de Janeiro, voltado para a saúde e bem estar mental da mulher negra.

 

Áudio 173 – Welket Bungué Apresenta Websérie “Vã Alma” E Mais…

Welket Bungué apresenta-se como Balanta e luso-guineense, nascido em Xitole, Guiné-Bissau (1988) e é o nosso convidado desta semana. O ator, locutor e realizador dá-nos a conhecer a websérie ‘Vã Alma’ escrita e realizada por si, uma co-produção KUSSA Productions e Comicalate. ‘Vã Alma’ tem estreia prevista para o primeiro semestre de 2018 e conta no elenco com Gio Lourenço, Cleo Tavares, Mauro Herminio, Bruno Miguel Mateus entre outros. A data de lançamento do videoclip ‘Luta Pa Bu Vida’ é dia 1 de Março no YOUTUBE @Dambù Official.

Áudio 172 – Apresentação Do Livro “Djidiu – A Herança do Ouvido”

No áudio de hoje temos um excerto da apresentação do nosso livro Djidiu – A Herança do Ouvido na livraria Tigre de Papel em Arroios, no dia 21 de Fevereiro de 2018. Foi mais um momento Djidiu  em que nos unimos em torno de nós próprios para partilhar com todos os dispostos a ouvir. A apresentação neste áudio é um excerto da intervenção de Carlos Graça, um dos djidius do livro.

Áudio 171 – Agadá – Companhia de Dança Afro Contemporânea

Lúcia Afonso, Jorge Cipriano e David Amado formam a constelação perfeita para a criação da Agadá – uma Companhia de Dança Afro Contemporânea. Este projeto tem o intuito de abrir espaço para bailarinos negros e aumentar a diversidade no chamado ballet clássico. A primeira Audição vai ser no dia 16 de fevereiro de 2018 no Jazzy Dance Studios em Saldanha, e as inscrições têm sido feitas através do email: ciaagada@gmail.com

“As pessoas acham que certos tipos de dança são reservadas para certas pessoas. Eu, por ser bailarino clássico, as pessoas acham: mas você não é branco; você não é mulher; você não tem esse corpo de bailarino… Mas eu quero fazer essa fusão para criar algo novo e para criar um espaço para pessoas que se parecem comigo. (…) Eu quero contar historias negras com o ballet (…)”, David Amado.

Áudio 170 – Literatura infantil negra “O Pequeno Rasul”

“Era uma vez um pequeno feijão africano que…” E o resto contam-nos Akil de Sousa e Andreia Tavares no livro infantil Pequeno Rasul. Este livro foi pensado para o seu filho, Diego, que, como muitas crianças negras, poucas histórias tem nas quais se consegue rever.  O lançamento do livro vai ser no próximo dia 17 de Fevereiro, pelas 16h, na Associação Juvenil TACE, (Rua Augusto Nobre, nº4A, Outurela – Carnaxide, Oeiras-Lisboa).