Nós No Cabelo – Testemunho de Renata

Olá chamo-me Renata e tenho 27 anos. Há um ano e tal decidi não usar mais químicos (desfrisantes) no meu cabelo. Como usava sempre extensões, o meu cabelo ficou muito danificado e tinha sempre a necessidade de desfrisar alguma parte para ficar liso e igual à tissagem. Decidi cuidar do meu próprio cabelo e usar os produtos adequados para deixá-lo mais saudável e garanto que, cada vez mais, estou feliz e satisfeita com o resultado. Esta decisão não só foi tomada pelo facto do meu cabelo estar danificado, mas também porque decidi aceitar-me como a mulher africana poderosa que sou. O meu afro representa as minhas origens, a minha cultura, a minha força, poder e o meu valor. O meu cabelo é bonito e não preciso de cobri-lo com outros penteados “aceitáveis”.

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Áudio 155 – Desfazendo os “Nós No Cabelo”

Um artigo que apresenta um estudo argumentando que as mulheres negras que utilizam o cabelo natural tem a autoestima baixa, motivou Mariama Djalo a questionar outras mulheres negra, como ela, que se decidiram por utilizar o cabelo como lhes cresce da cabeça, ou seja natural, se se identificavam com o que dizia o artigo. Mariama resolveu, com um grupo de amigas do Brasil, Guiné-Bissau, Lisboa, Porto, Londres e outros lugares do mundo, partilhar as suas histórias de modo a mostrar que, elas ficaram com a autoestima mais alta, a partir do momento em que começaram a utilizar o cabelo natural, contrariando o artigo em questão.

Mariama Djalo, enviou-nos o primeiro testemunho do projeto “Nós No Cabelo” que pretende ser mais um instrumento de partilha de testemunhos/experiências sobre o cabelo africano na primeira pessoa.

A Afrolis aloja o projeto “Nós No Cabelo” e todos os sábados será partilhado um testemunho de alguém da nossa comunidade sobre o significado do cabelo para si. Participem enviando o testemunho gravado em áudio, vídeo, ou escrito para mary_csc@hotmail.com ou para cjg_86@hotmail.com.

Testemunho de Mariamaa Djalo, a mentora do projeto “Nós No Cabelo”.

“Olá sou a Mariama e tenho alguns anos de idade. Nunca fui uma pessoa de usar desfriso no cabelo. A minha mãe nunca deixou, pois, ela sempre dizia que tinha um bom cabelo e que o desfriso iria acabar por estragá-lo.

 À medida que fui crescendo, desfrisar o cabelo passou a ser algo que não me chamava a atenção. Mas o engraçado é que eu gostava de esticá-lo. Achava que não era algo agressivo… Ainda me recordo do cheiro a cabelo queimado.

 Muitas vezes usava a minha carapinha natural mas sentia-me intimidada com o algo… Talvez devido a certos olhares e comentários que me faziam acreditar que devia cobrir o cabelo com tranças ou com a chapa de alisamento.

 Em fevereiro de 2013, após anos de hesitação, decidi encarar o BIG CHOP – cortei o cabelo à rapaz! Inicialmente foi um choque mas ao ver-me ao espelho senti-me LIVRE, LEVE E LINDA!! Após anos de agressões para com o cabelo, tentando domá-lo com ferro quente… UFAAAAAA que alívio!

 Em agosto de 2013, iniciei a minha caminhada com as rastas. No princípio, ouvi vários comentários negativos sobre a minha decisão mas a minha cabeça já estava livre dessa escravidão mental. Nenhum desses comentários me afetava, pois voltar às minhas raízes elevou a minha autoestima e comecei a acreditar que era bonita no meu padrão natural.

 O meu cabelo para mim significa o orgulho e a aceitação das minhas raízes, que perante a sociedade onde a supremacia branca é tão forte que leva muitos a acreditar que o meu cabelo natural é feio. Para mim, o cabelo natural tornou-se um ato de resistência contra essas mentiras idealizadas pela sociedade.

Cada dia que passa, sinto-me mais linda e melhor com a minha aceitação e vou quebrando, rebentando com os tabus negativos criados sobre os nossos cabelos naturais.

BE THE REAL U…”

Enviem o vosso contributo em vídeo, áudio ou por escrito para mary_csc@hotmail.com  (Mariama Djalo)  ou para cjg_86@hotmail.com  (Carlos Graça).

Sobre o projeto “Nós no Cabelo”:

Conceito- Partindo da ideia que o cabelo natural é um ato político e revolucionário, torna-se necessário a discussão e elaboração de ferramentas que trabalhem nesse mesmo campo. “Nós No Cabelo” pretende ser mais um instrumento de partilha de testemunhos/experiências sobre o cabelo africano na primeira pessoa. A ideia é desconstruir a ideia de cabelo ruim/sem valor/menos bom/indomável e resgatar a nossa negritude, que é muitas vezes auto-negada/reprimida pela pressão ou repressão de padrões de beleza impostos. É questionar/debater o significado, a importância do cabelo para nós enquanto sujeitos negros, através da divulgação/narração de histórias, empoderando o nosso consciente e inconsciente.

A escolha do nome surge por ter duplo sentido:
1- Por retratar as nossas ideias sobre o cabelo, ou seja pensar-se o cabelo (ex: o representa; diferentes fases; processo de negação/aceitação; desvalorização/valorização; reconhecimento; cabelo/cultura; cabelo/resistência; cabelo/poder; etc)
2- Por a mente “andar cheia de nós” enquanto estamos numa fase mais inconsciente ou de desconhecimento sobre a importância do cabelo, levando na maioria das vezes a amputarmos parte daquilo que somos e que faz parte de nós. Aqui os nós acabam por ser as ideias baralhadas. Então a ideia é desenrolar os nós.
Como será feito- Através da recolha de testemunhos e divulgação semanal (sábado) de uma experiência. Todas estas experiências servirão de base, de recolha de informações, troca de experiências/ideias, discussão, reconhecimento e fortalecimento da autoestima direcionado especialmente para os desconhecedores/as de toda a potencialização do seu cabelo.

Adere enviando o teu testemunho por mensagem privada e partilha!

Mentora e responsável do projeto – Mariama Djaló
Coadjuvante – Carlos Graça

Áudio 120 – Sobre o “Afro Lisboa”, filme realizado por Ariel de Bigault

Ariel de Bigault e francesa e foi precursora da divulgação das ‘culturas chamadas lusófonas’, E uma agente cultural, investigadora e documentarista. Dois dos seus filmes chamaram-nos a atenção, o Afro Lisboa e o Margem Atlântica. Na entrevista de hoje falamos sobre estes trabalhos, que mostram que a luta por um espaço na cena cultural portuguesa, por parte de afrodescendentes, já vem de há muito.

Comentando a música pós-colonial no Lisboa Mistura

O Lisboa Mistura está de volta em 2016 e a Afrolis esteve na Casa Intendente para ouvir a conversa sobre “A música pós-colonial de Portugal – do irromper do Hip Hop nos anos 1990 às manifestações Afro-House do presente”
com Vitor Belanciano, António Brito Guterres, Teresa Fradique, António Contador, Rui Miguel Abreu.

António Contador, um dos oradores:

“Música pós-colonial pode ser o rap que se fazia cá nos anos noventa, pode ser também o Kuduro que se fazia em Portugal nos anos noventa aqui, em Lisboa, e que mudou, que se transformou e que hoje é consumido, se calhar, em maior escala, em Portugal, em Lisboa, mas também nos arredores, em Paris, etc. É também, eventualmente, o Funaná que se dança no BLeza, mas, se calhar, o que me interessava mais dizer é a profunda repulsa que tenho com o termo pós-colonial. Eu acho que há um grande trabalho a fazer em encontrar um novo termo que sirva melhor, que seja mais positivo, que seja mais construtivo. Da mesma forma como segunda geração de imigrantes não serve para classificar ou para qualificar os jovens filhos de imigrantes africanos que são, em larga maioria, portugueses. E, por isso, música pós-colonial serve, se calhar, o contexto histórico português que, talvez, exista ainda, mas que é necessário ultrapassar. E, talvez, o trabalho a fazer é, precisamente, desconstruir esse termo pós-colonial e, sobretudo, substitui-lo por outro, que seja mais carregado de vida e menos carregado do passado histórico complicado. Portanto, se calhar há um trabalho a fazer sobre a história de Portugal, sobre a história da vida dos portugueses, brancos e pretos, mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais, para que esses termos deixem de fazer sentido.” (António Contador – orador)

“É interessante, de facto, ouvir essa questão sobre música pós-colonial, porque à priori uma pessoa pode-se questionar “o que é, de facto, música colonial e música pós-colonial?”  até porque a chamada música colonial também tem um histórico de mistura e de origens diversificadas, como a chamada música pós-colonial, que se produz hoje em Portugal, fruto desse território plantado à beira-mar, que hoje se chama Portugal. Por isso, a mim, me faz imensa confusão ter que se criar um caixote para se chamar essa música produzida nos dias de hoje e a dos outros tempos, como se ela não tivesse sido produzida no mesmo território e fruto de experiências diversificadas de um passado e de um presente. Eu acho que não é nenhuma novidade, os povos andarem a trocar experiências, a enriquecerem o que chamam de cultura popular ou cultura nacional. Eu acho que é importante, em primeiro lugar, olhar para essa dimensão do que é a música em Portugal. Agora, os caixotes, eu acho que isso é um problema de quem precisa de colocar as pessoas num espaço que não é um espaço global, que não é um espaço total, e assim os coloca à parte, e fora do chamado público geral. Eu próprio digo várias vezes que há uma questão fundamental, para qualquer artista, a sua maior ambição, seja nas artes plásticas, no cinema, na dança ou na música, a sua primeira ambição é atingir um público global, não é atingir um público em específico. Por isso, essa ideia da música pós-colonial nos remete para uma dimensão de público específico, que parar mim é discriminatório, porque a produção artística visa, única e exclusivamente, todas as pessoas interessadas nela. “ (Manuel dos Santos – público)

 

Áudio 115 – Kimi Djabaté, Músico Griot

“Nós não podemos ter vergonha de quem somos! Eu não tenho vergonha de ser griot”

Músico guineense, vocalista, balafonista, guitarrista e considerado embaixador da cultura mandinga e guineense em Portugal, Kimi Djabaté, é o nosso convidado de hoje.
No próximo sábado, 2 de julho, estará no palco do Grupo Desportivo da Pena, em Lisboa, para fechar a tour da Musa.

 

 

Áudio 105 – Hip Hop com Story Teller

Story Teller é um jovem artista no registo Hip-Hop / Rap, originário da República Democrática do Congo. Na sua infância passou pela Guinée-Bissau e Estados-Unidos ( New York ), aonde aprende a falar o inglês, língua na qual escreve e canta. Em 2005 grava os seus primeiros sons no ” home studio ” e em 2008, ele lança o som ” Bom Apetite ” em colaboração com o seu grupo La Famillia Kings , Iminente, seu amigo de infância, e mais 2 amigos . Em 2010, lança o som ” Welcome To La Famillia . Em 2011, participa em alguns projetos ( Mixtapes / compilações ) em França, através da editora Amazone Hustler , gerida pela Sultane De Saba , que lhe deu a oportunidade de expor o seu talento ao lado de artistas confirmados e reis do ” Underground ” francês , nomes como Furax Barbarosa , Jeff Le Nerf , John Gali , Alibi Montana , e Sultan ( entre outros ). Em Janeiro de 2016, lança o seu primeiro single / vídeo , ” Green ” Vamos conhecê-lo melhor
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