Áudio 102 – 1º Encontro Kolafölö

Entrevista com Marisa Paulo, bailarina de danças africanas e com o percussionista André Rodrigues Soares, organizadores do  1º Encontro Kolafölö, evento em que todos nós vamos poder aprender um pouco das suas artes: dança e percussão.  O Encontro Kolafölö realiza-se a 23 e 24 de Abril no Polo Cultural Gaivotas, mas atenção(!!!!!) que as inscrições para os workshops têm de ser feitas até dia 31 de Março. Mais infos

Programa e inscrições:

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Áudio 99 – We Love Carapinha

Telma e Carla iniciaram um canal no youtube em Fevereiro de 2015 e desde então  têm dado dicas valiosas a pessoas que, tal como elas, também tiveram dificuldades em tratar dos seus cabelos naturais e em outros estados. Vamos conhece-las melhor e saber o que têm partilhado e aprendido com o seu Vlogue We Love Carapinha.

 

 

Áudio 94 – Harambee Todos Juntos Por África

Maria José Figueiredo é a presidente da associação Harambee Portugal que funciona no pais desde 2009. O lançamento da Harambee internacional, a instituição mãe,  foi feito informalmente, em 2002, com o objetivo de  reunir fundos para ajudar os africanos a construírem o seu próprio futuro e criar e difundir um olhar positivo sobre África. Trata-se de uma dupla missão: Ajudar África a ajudar-se e Comunicar África. Maria José Figueiredo é a minha convidada de hoje e conta-nos como tudo funciona.

HARAMBEE: Termo suaíli que significa TODOS JUNTOS, TODOS À UMA

 

Áudio 73 – “Esse cabelo” explicado por Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola (Luanda) mas cresceu nos arredores de Lisboa. A paixão pela escrita levou-a a tirar um doutoramento em Teoria da Literatura, mas foram as questões sobre a sua identidade que fizeram com que o sonho de escrever um livro se realizasse. Djaimilia Pereira de Almeida passou da teoria à prática e publicou o seu primeiro livro intitulado “Esse cabelo”. – “A história da relação desta rapariga com o cabelo tem a ver com o facto de aquilo que lhe é natural ser qualquer coisa que ela vive como um inimigo. ”

Comprar o livro!

Áudio 72 – Mikas cria novas formas de saborear a noite lisboeta

“Eu gosto do lado da aventura, porque estimula essa necessidade de fazeres diferente, de marcares a diferença! (…)”

Mikas é um nome simples, a sua forma de estar é igualmente simples. Mas o que estará por detrás do Mikas empreendedor? Hoje vamos conversar com um moçambicano empreendedor que tem mudado a noite Lisboeta há décadas, seja através de restaurantes com comida de fusão ou bares nocturnos com uma programação variada e alternativa. O Bicaense, a Velha Senhora, Restaurante Costa do Castelo, Clube Ferroviário, só para menciona alguns locais, fazem parte da lista de espaços impulsionados ou dinamizados por Mikas. Recentemente o bar A Tabacaria na Rua de São Paulo n° 75-77 juntou-se a estes nomes de referencia. Recomenda-se!

Áudio 64 – Blaxploitation e Afrofuturismo no Queer Festival Lisboa

Pedro Marum um dos programadores do Queer Festival volta a falar com a AfroLis sobre a parceria que fazem, mais uma vez com, o Africa. Cont. Desta vez, as duas entidades juntam-se na realização do ciclo “Are you for real?” Uma viagem Afrofuturista do Blaxploitation às Utopias Queer Visuais e Sonoras, que vai acontecer de 4 a 11 de julho. Pedro Marum conta-nos mais em entrevista.

Nós Nos Livros: “Sangue Negro” de Noémia de Souza

Eu acho importante ler este livro porque…

por Hirondina Joshua

Um livro que me fez viajar sem sair do sítio foi: ” Sangue Negro ” de Noémia de Sousa, poeta moçambicana.
É um livro de poemas ou atrevo-me: é um livro de poesia.
Que assenta na realidade diária, tem uma forte expressão coloquial. Poesia de combate mas que ao mesmo nos traz intimidade, privacidade do quotidiano da autora. Nota-se nele o “modus vivendi” das pessoas que a cercavam e mais particularmente o meio envolvente.
Textos que passamos disso, afinal contam a História de um povo, a vida das gentes diversas unidas por uma só força. A força de viver e ver a vida mais digna com respeito aos Direitos Humanos.
Poesia do quotidiano, mas com alma divina e para seres humanos que na verdade buscam afinal um pouco do que têm dentro: a bondade, a justiça e a misericórdia.

DEIXA PASSAR O MEU POVO

Noite morna de Moçambique
e sons longínquos de marimbas chegam até mim
— certos e constantes —
vindos nem eu sei donde.
Em minha casa de madeira e zinco,
abro o rádio e deixo-me embalar…
Mas as vozes da América remexem-me a alma e os nervos.
E Robeson e Maria cantam para mim
spirituals negros do Harlem.
Let my people go
Snague Negro— oh deixa passar o meu povo,
deixa passar o meu povo –,
dizem.
E eu abro os olhos e já não posso dormir.
Dentro de mim soam-me Anderson e Paul
e não são doces vozes de embalo.
Let my people go.

Nervosamente,
sento-me à mesa e escrevo…
(Dentro de mim,
oh let my people go…)
deixa passar o meu povo.

E já não sou mais que instrumento
do meu sangue em turbilhão
com Marian me ajudando
com sua voz profunda — minha Irmã.

Escrevo…
Na minha mesa, vultos familiares se vêm debruçar.
Minha Mãe de mãos rudes e rosto cansado
e revoltas, dores, humilhações,
tatuando de negro o virgem papel branco.
E Paulo, que não conheço
mas é do mesmo sangue e da mesma seiva amada de Moçambique,
e misérias, janelas gradeadas, adeuses de magaíças,
algodoais, e meu inesquecível companheiro branco,
e Zé — meu irmão — e Saul,
e tu, Amigo de doce olhar azul,
pegando na minha mão e me obrigando a escrever
com o fel que me vem da revolta.
Noemia de SouzaTodos se vêm debruçar sobre o meu ombro,
enquanto escrevo, noite adiante,
com Marian e Robeson vigiando pelo olho luminoso do rádio
— let my people go,
oh let my people go.

E enquanto me vierem do Harlem
vozes de lamentação
e meus vultos familiares me visitarem
em longas noites de insônia,
não poderei deixar-me embalar pela música fútil
das valsas de Strauss.
Escreverei, escreverei,
com Robeson e Marian gritando comigo:
Let my people go,
OH DEIXA PASSAR O MEU POVO.