Áudio 73 – “Esse cabelo” explicado por Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola (Luanda) mas cresceu nos arredores de Lisboa. A paixão pela escrita levou-a a tirar um doutoramento em Teoria da Literatura, mas foram as questões sobre a sua identidade que fizeram com que o sonho de escrever um livro se realizasse. Djaimilia Pereira de Almeida passou da teoria à prática e publicou o seu primeiro livro intitulado “Esse cabelo”. – “A história da relação desta rapariga com o cabelo tem a ver com o facto de aquilo que lhe é natural ser qualquer coisa que ela vive como um inimigo. ”

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Áudio 72 – Mikas cria novas formas de saborear a noite lisboeta

“Eu gosto do lado da aventura, porque estimula essa necessidade de fazeres diferente, de marcares a diferença! (…)”

Mikas é um nome simples, a sua forma de estar é igualmente simples. Mas o que estará por detrás do Mikas empreendedor? Hoje vamos conversar com um moçambicano empreendedor que tem mudado a noite Lisboeta há décadas, seja através de restaurantes com comida de fusão ou bares nocturnos com uma programação variada e alternativa. O Bicaense, a Velha Senhora, Restaurante Costa do Castelo, Clube Ferroviário, só para menciona alguns locais, fazem parte da lista de espaços impulsionados ou dinamizados por Mikas. Recentemente o bar A Tabacaria na Rua de São Paulo n° 75-77 juntou-se a estes nomes de referencia. Recomenda-se!

Áudio 64 – Blaxploitation e Afrofuturismo no Queer Festival Lisboa

Pedro Marum um dos programadores do Queer Festival volta a falar com a AfroLis sobre a parceria que fazem, mais uma vez com, o Africa. Cont. Desta vez, as duas entidades juntam-se na realização do ciclo “Are you for real?” Uma viagem Afrofuturista do Blaxploitation às Utopias Queer Visuais e Sonoras, que vai acontecer de 4 a 11 de julho. Pedro Marum conta-nos mais em entrevista.

Nós Nos Livros: “Sangue Negro” de Noémia de Souza

Eu acho importante ler este livro porque…

por Hirondina Joshua

Um livro que me fez viajar sem sair do sítio foi: ” Sangue Negro ” de Noémia de Sousa, poeta moçambicana.
É um livro de poemas ou atrevo-me: é um livro de poesia.
Que assenta na realidade diária, tem uma forte expressão coloquial. Poesia de combate mas que ao mesmo nos traz intimidade, privacidade do quotidiano da autora. Nota-se nele o “modus vivendi” das pessoas que a cercavam e mais particularmente o meio envolvente.
Textos que passamos disso, afinal contam a História de um povo, a vida das gentes diversas unidas por uma só força. A força de viver e ver a vida mais digna com respeito aos Direitos Humanos.
Poesia do quotidiano, mas com alma divina e para seres humanos que na verdade buscam afinal um pouco do que têm dentro: a bondade, a justiça e a misericórdia.

DEIXA PASSAR O MEU POVO

Noite morna de Moçambique
e sons longínquos de marimbas chegam até mim
— certos e constantes —
vindos nem eu sei donde.
Em minha casa de madeira e zinco,
abro o rádio e deixo-me embalar…
Mas as vozes da América remexem-me a alma e os nervos.
E Robeson e Maria cantam para mim
spirituals negros do Harlem.
Let my people go
Snague Negro— oh deixa passar o meu povo,
deixa passar o meu povo –,
dizem.
E eu abro os olhos e já não posso dormir.
Dentro de mim soam-me Anderson e Paul
e não são doces vozes de embalo.
Let my people go.

Nervosamente,
sento-me à mesa e escrevo…
(Dentro de mim,
oh let my people go…)
deixa passar o meu povo.

E já não sou mais que instrumento
do meu sangue em turbilhão
com Marian me ajudando
com sua voz profunda — minha Irmã.

Escrevo…
Na minha mesa, vultos familiares se vêm debruçar.
Minha Mãe de mãos rudes e rosto cansado
e revoltas, dores, humilhações,
tatuando de negro o virgem papel branco.
E Paulo, que não conheço
mas é do mesmo sangue e da mesma seiva amada de Moçambique,
e misérias, janelas gradeadas, adeuses de magaíças,
algodoais, e meu inesquecível companheiro branco,
e Zé — meu irmão — e Saul,
e tu, Amigo de doce olhar azul,
pegando na minha mão e me obrigando a escrever
com o fel que me vem da revolta.
Noemia de SouzaTodos se vêm debruçar sobre o meu ombro,
enquanto escrevo, noite adiante,
com Marian e Robeson vigiando pelo olho luminoso do rádio
— let my people go,
oh let my people go.

E enquanto me vierem do Harlem
vozes de lamentação
e meus vultos familiares me visitarem
em longas noites de insônia,
não poderei deixar-me embalar pela música fútil
das valsas de Strauss.
Escreverei, escreverei,
com Robeson e Marian gritando comigo:
Let my people go,
OH DEIXA PASSAR O MEU POVO.

Nós Nos Livros: “A minha empregada” de Maggie Gee

Eu acho importante ler este livro porque…

por Joacine Katar

FullSizeRenderÉ um livro que procura retratar as relações raciais, culturais e afectivas que se estabelecem entre uma família inglesa londrina (Vanessa Henman, seu filho Justin e o pai deste Trevor) e a empregada ugandesa Mary Tendo, assim como o questionamento dos lugares-comuns e os pré-conceitos existentes.

Li-o há alguns anos atrás e no final fiquei com uma vontade imensa de continuá-lo, agora por palavras minhas e com outras coordenadas, porque o livro trata de uma categoria profissional sobre a qual sempre quis escrever, que são as empregadas domésticas negras na Europa, geralmente imigrantes africanas e de condição social e económica muito desfavorecida. Enfim, mulheres de rostos e corpos invisíveis, cujos nomes são as únicas coisas que se materializam nas casas onde trabalham, nomes estes que têm donas e patroas, que regra geral ignoram as suas vidas e as suas experiências.

Porém, quando as empregadas-trabalho dão lugar às empregadas-pessoa, elas conseguem a relativização dos valores e os padrões culturais das famílias e das sociedades onde estão inseridas, inspirando até a criação cultural europeia, de que este livro de Maggie Gee é exemplo, e aqui mais próximo de nós, o mais recente filme “Bobô” da realizadora portuguesa Inês Oliveira, que foi baseada na relação que começa quando a patroa consegue olhar com olhos de pessoa para a empregada-pessoa que ali se encontrava. Penso neste livro e recordo-me também do pouco que sei do Movimento Negro no Brasil, onde as empregadas domésticas negras são uma das faces da necessidade de mudança cultural e política induzida pela luta contra o racismo, a violência e a segregação racial, sendo símbolos da desigualdade social, da exploração económica e do racismo institucional que se quer transformado!

Nós, as crianças, sempre soubemos que tínhamos de deixar a aldeia. Para voltar. Mais, melhores, diferentes. Eram os nossos pais que nos diziam para ir. Viam-nos como professores, advogados, dentistas, médicos, até presidentes. Não viam que poderíamos ser porteiros e empregados de limpeza, motoristas de táxi ou arrumadores de carros? – apesar das nossas habilitações e diplomas. (Mary Tendo)

 Maggie Gee, numa escrita fluída e espontânea, foca as personagens Vanessa e Mary e consegue apresentar-nos os dois lados da moeda, os preconceitos e as críticas mentais que cada uma das personagens faz permanentemente à outra, provando, ao mesmo tempo, que são mais as constantes do que as mudanças no que diz respeito ao hipotético choque cultural existente entre elas.

O facto é que V. Henman personifica o indivíduo branco europeu preconceituoso e arrogante, que sofre de um complexo de superioridade frágil e que subestima permanentemente os imigrantes africanos, menosprezando a sua cultura, ainda que partilhando quotidianamente o mesmo espaço físico. Ao mesmo tempo, a autora apresenta-nos o retrato de um imigrante africano na figura de M. Tendo, que encontra na Europa um escape às sérias dificuldades do seu país de origem, sem que isso represente necessariamente a melhoria das suas condições de vida, e foca também a falsa submissão destes face aos seus patrões brancos, por quem muitas vezes nutrem um profundo desprezo, conscientes da exploração económica de que são alvo, mas que aceitam por falta de melhores opções. Simultaneamente, estas relações dão lugar a espaço para negociações formais e subtis, avanços e recuos, numa luta simbólica e também efetiva pelo controlo. Aqui entram os afectos, as dependências de ambas as partes e a desconfiança permanente que ameaça minar a boa convivência.

Vanessa Henman é uma escritora neurótica, desligada das suas origens e que se refugia na escrita para fazer face à sua solidão, à depressão do seu filho com quem não tem uma relação afectiva salutar, ao seu ex-marido de quem tem ciúmes e a quem continua ligada emocionalmente, e que se sente posta em causa por Mary Tendo, a sua empregada negra de curvas generosas, “uma africana pujante e corajosa, imbuída de valores ancestrais sobre a família, a boa alimentação, a vida saudável”. Tendo vem desequilibrar os dados pré-determinados da vida dos Henman, apontando alternativas de vida e ocupando um lugar central na estabilidade emocional da família. Contudo, ela tem os seus planos pessoais e o seu trabalho em casa dos Henman está ligado a um projecto financeiro que a faz negociar e explorar a dependência dos Henman a seu benefício. Porém, a vida familiar de Tendo também se encontra longe do desejado, tendo sido afastada do seu único filho pelo pai deste.

Um aspecto importante presente neste livro, e que é sintomático em muitas famílias de imigrantes negros, são os problemas familiares de Mary Tendo, especialmente os do seu filho Jamie Jamil. Ocupada a cuidar de Justin, Mary não pôde dar a mesma atenção a Jamie, hoje um jovem problemático. Em resposta ao amor e à atenção que sempre recebeu de Mary, Justin corresponde e tem em Mary a figura maternal que lhe falta e que o consegue tirar da depressão, mas terá ela a mesma força e capacidade de salvar o seu próprio filho?

Mãe Preta - pinturaEste facto remete-me para um passado mais distante que é o das escravas negras, que pode ser representado pelo quadro intitulado “Mãe Preta”, sobre o Brasil de 1912, do pintor Lucílio de Albuquerque, exposto no Museu de Belas Artes da Bahia, Salvador.

Aqui, a ama-de-leite negra amamenta o bebé louro da sinhá, enquanto olha enternecidamente para o seu próprio filho, deitado no chão como que esperando a sua vez, desapropriado do seu lugar natural, que é ocupado e explorado pelo bebé branco. Este é sem dúvida um panorama de hierarquia, de subjugação e da diferença racial e social, mas também é um espaço de partilha, um espaço de intimidade e um espaço de amor. Provavelmente esta escrava amou as duas crianças e a exploração da sua hiperfeminiilidade constrata com a secura formal da mãe branca, que ama mas não nutre nem cuida dos seus filhos, como tão bem retratou Maggie Gee neste livro.

Joacine Katar Moreira 

(Investigadora associada do CEI-Instituto Universitário de Lisboa)

Nós Nos Livros: “Um Negro Que Quis Viver” de Richard Wright

O negro que quis viverEu acho importante ler este livro porque…

por Griot Alkebu-lan

“Um Negro Que Quis Viver” (título original “Black Boy”), de Richard Wright, é um livro em que só o título diz tudo. Não só diz tudo, como, na minha opinião, diz muito a um/a jovem negro/a, visto que, ao longo de toda a história, o autor traz-nos as vivências de um jovem negro, que se assemelham às de tantos/as outros/as jovens negros/as desde a infância até à fase adulta, onde tudo o que esse ser deseja é viver, viver como um ser normal e não viver condicionado segundo regras, valores e pré-julgamentos.

É uma autobiografia que fala maioritariamente dos dramas e desafios que um negro vive durante toda a sua vida, somente por ter uma cor diferente à da sociedade em que se encontra inserido e onde tem que aprender a adaptar-se forçadamente a esse meio (ou meios, uma vez que muda muitas vezes de residência). No decorrer da história, apercebermo-nos como a família, o ambiente escolar e o trabalho o pressionam para ser socialmente correto de acordo com a sua “limitação”, ser negro.

Richard cresce com uma personalidade bem vincada, num ambiente familiar que cada vez se deteriora mais. Um ambiente duro, onde o tentam mudar constantemente, achando ser o melhor para ele, mas que se revela num isolamento, acabando mesmo por desistirem da sua “salvação”. É daqueles livros que mal uma pessoa comece a ler não deseja parar. O desenrolar da história vai-nos prendendo cada vez mais, é um livro apaixonante, onde, por vezes, dava por mim não só a sorrir para as letras, mas também a rir alto devido à inocência da personagem principal em determinadas situações. É uma busca incessante não só de felicidade, liberdade e realização, mas de uma vida vivida segundo a sua vontade, onde encontrará o seu escape na leitura e na escrita.

Áudio 61 – Questionando identidades “Afro” com Joacine Katar

“Eu acho importante refletirmos sobre a necessidade de usarmos este “afro” antes de usarmos a palavra lisboeta. Não podem os descendentes de africanos serem apenas lisboetas?”, questiona Joacine Katar, a nossa convidada.

Joacnie Katar, mulher, africana de origem guineense, feminista a viver em Lisboa desde a sua infância, é investigadora associada no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, licenciada em história Moderna e Contemporânea pelo ISCTE e mestre em Estudos Africanos. No seu doutoramento trabalha questões de género e o seu impacto no desenvolvimento político da Guiné-Bissau.

Entrevista com Realizadora Ike Bertels sobre o filme “Guerrilla Grannies

**Áudio em inglês

Rádio AfroLis (RA): Obrigada Ike por falar com a AfroLis sobre o filme que trouxe [ao Festival Rotas e Rituais], ”Guerrilla Grannies”. Pode falar-me um pouco sobre o filme, do que trata o filme?

Ike Bertels (IB): É a história de três mulheres da guerrilha que vi num filme quando eu própria era muito jovem. Tinha visto, por acaso, um filme sobre uma guerra de guerrilha em Moçambique e a maior parte desses filmes de guerra eram sobre homens que libertaram o país e neste filme havia três mulheres sentadas no mato com as suas espingardas e falaram sobre o que estavam a fazer e porquê. E elas estavam tão entusiasmadas e cheias de esperança e acreditavam que eram capazes, juntamente com os homens, de mudar o mundo, de mudar o seu mundo, de mudar Moçambique que foi colonizado por muito tempo e tornar-se independentes. Eu fiquei impressionada com isso porque eu própria era jovem e queria libertar-me da vida em que vivíamos e fiquei tocada por elas. Depois de ver o filme fiquei a pensar no que teria acontecida a estas três mulheres, então fui procura-las. Eu vivo na Holanda e é longe, então levei muito tempo para descobrir. Se elas ainda estavam vivas e onde viviam.

RA: Depois de vermos o filme, disse que esta foi uma viagem em três fases. Esta foi primeira fase, qual foi a segunda?

IB: A primeira fase foi um filme que fiz em 1984, que se chamava “Mulheres da Revolução” [“Women of the revolution”]. Foi um filme onde tentei retratá-las com as imagens que tinha visto. Então mostrei-lhes num cinema, às três mulheres, depois da independência, eu vi com elas como elas eram quando eram jovens. Este foi o ponto de partida para falar sobre os seus ideais e no que eles se tinham tornado.

Depois de 1984, quando terminei o filme, a vida delas mudou porque houve uma nova guerra. A guerra civil que se iniciou entre os dois grupos políticos a FRELIMO, principal partido,  e a RENAMO. Durante a guerra eu não podia encontrar-me com elas, estas mulheres que tinha filmado e de quem tinha gostado tanto, então, depois da guerra fui vê-las e pensei que seria importante fazer outro filme sobre elas.

 

guerrilla_granniecopiaQuando fui a segunda vez, ficámos mais próximas umas das outras. Elas ficaram impressionadas por eu ter querido voltar. E, depois, voltei a Moçambique por um outro motivo e quis encontrar-me com elas, novamente, e nessa altura fui mesmo convidada para as suas casas e para conhecer as suas famílias. E, a partir daí, encontrávamo-nos todos os anos. Eu ia lá todos os anos para vê-las. Depois disso decidi que tinha de fazer um terceiro filme porque assim tinha a imagem completa. A situação em Moçambique era uma história paralela às vidas delas, às suas lutas.

RA: De que modo é que este filme mudou a sua maneira de olhar para as mulheres em África ou para as mulheres em geral?

IB: Durante o primeiro filme que fiz, estava impressionada e admirava-as porque elas tinha feito uma coisa tão maravilhosa. Mas vivi com elas a fase da desilusão por não terem conseguido cumprir o sonho por completo e terem de lidar com a realidade, mesmo sendo uma má realidade, então, aprendi com isso. Também aprendi com a força delas a nunca desistir, continuar. O que também achei muito importante, para mim, foi a forma como elas mostraram que podiam continuar a viver sem o apoio de homens, mesmo estando sozinhas a cuidar, não só da própria família, mas da família alargada. A Amélia é um bom exemplo com a sua pequena machamba (horta). Ela alimentava uma família grande, de trinta pessoas. Para mim isso foi incrível e faz-te ficar humilde e pensar que é um bom exemplo para todas as mulheres, estejas em África ou no norte.

RA: Agora só para resumir, estivemos sempre a falar “delas”, mas na realidade,  acabou de dizer  o nome de uma delas, Amélia. Mas gostaria que descrevesse cada uma delas. Eu vou dizer o nome e queria que me desse três adjetivos para cada uma delas.  Não sei se é difícil descrevê-las com apenas três adjetivos, mas essa seria a minha sugestão. Se sentir que precisa de alargar a explicação pode fazê-lo. Vou começar pela Amélia:

IB: A Amélia é uma mulher, dura, cheia de humor, fuma muito e é muito severa com os homens.

RA: Maria?

IB: A Maria é uma mulher muito inteligente mas burguesa, que consegue sempre encontrar uma forma de melhorar a sua vida e a da sua família.

RA: E agora, vamos falar sobre a Mónica, a única que ainda está viva.

IB: A Mónica é uma agricultora, apesar de não praticar a agricultura, no sentido em que tem opiniões fortes e bem assentes na terra. Ela é uma mulher muito forte e terra a terra. Ela também tem um tipo de humor muito peculiar que não é muito fácil de compreender porque ela tem um sentido de liderança natural, e se ela sente que tu és uma pessoa igualmente forte, ela gosta de entrar em “combate”.

RA: Se tivesse de convidar as pessoas a verem o filme o que diria?

IB: Eu diria que estas três mulheres, por elas próprias significarem tanto e viverem uma vida normal com as suas famílias, pode mostrar-nos algo sobre a vida em África que não vemos frequentemente. E também por causa do tempo que passamos com elas, porque as vemos a mudar e a crescer e a lidar com dificuldades. O que também gostei foi que tive a oportunidade de contar histórias paralelas através das quais também podemos ver o crescimento de um país que se torna independente e com as mesmas lutas e os mesmos problemas que elas sentem pessoalmente.