Áudio 158 – Isabél Zuaa sobre ser atriz negra

“O maior talento é permanecer nesse meio que é tão hostil para corpos que são diferentes (…) Nós somos diferentes e temos que assumir essa diferença sem constrangimentos.” (Isabél Zuaa)

Isabél Zuaa nasceu de uma mãe angolana e de um pai da Guiné-Bissau em Lisboa.  Foi aqui que iniciou a carreira de atriz e bailarina e foi para o Brasil para alargar os seus horizontes e aprofundar a sua formação. Integrou-se no grupo de Gustavo Ciriaco e, no cinema, como coprotagonista do filme Joaquim. Aqui em Portugal faz parte do elenco da peça de teatro Moçambique , de Jorge Andrade, que ganhou o prémio de “Melhor Espectáculo”, da Sociedade Portuguesa de Autores e foi nomeada para os Globos de Ouro.

 

 

Áudio 155 – Desfazendo os “Nós No Cabelo”

Um artigo que apresenta um estudo argumentando que as mulheres negras que utilizam o cabelo natural tem a autoestima baixa, motivou Mariama Djalo a questionar outras mulheres negra, como ela, que se decidiram por utilizar o cabelo como lhes cresce da cabeça, ou seja natural, se se identificavam com o que dizia o artigo. Mariama resolveu, com um grupo de amigas do Brasil, Guiné-Bissau, Lisboa, Porto, Londres e outros lugares do mundo, partilhar as suas histórias de modo a mostrar que, elas ficaram com a autoestima mais alta, a partir do momento em que começaram a utilizar o cabelo natural, contrariando o artigo em questão.

Mariama Djalo, enviou-nos o primeiro testemunho do projeto “Nós No Cabelo” que pretende ser mais um instrumento de partilha de testemunhos/experiências sobre o cabelo africano na primeira pessoa.

A Afrolis aloja o projeto “Nós No Cabelo” e todos os sábados será partilhado um testemunho de alguém da nossa comunidade sobre o significado do cabelo para si. Participem enviando o testemunho gravado em áudio, vídeo, ou escrito para mary_csc@hotmail.com ou para cjg_86@hotmail.com.

Testemunho de Mariamaa Djalo, a mentora do projeto “Nós No Cabelo”.

“Olá sou a Mariama e tenho alguns anos de idade. Nunca fui uma pessoa de usar desfriso no cabelo. A minha mãe nunca deixou, pois, ela sempre dizia que tinha um bom cabelo e que o desfriso iria acabar por estragá-lo.

 À medida que fui crescendo, desfrisar o cabelo passou a ser algo que não me chamava a atenção. Mas o engraçado é que eu gostava de esticá-lo. Achava que não era algo agressivo… Ainda me recordo do cheiro a cabelo queimado.

 Muitas vezes usava a minha carapinha natural mas sentia-me intimidada com o algo… Talvez devido a certos olhares e comentários que me faziam acreditar que devia cobrir o cabelo com tranças ou com a chapa de alisamento.

 Em fevereiro de 2013, após anos de hesitação, decidi encarar o BIG CHOP – cortei o cabelo à rapaz! Inicialmente foi um choque mas ao ver-me ao espelho senti-me LIVRE, LEVE E LINDA!! Após anos de agressões para com o cabelo, tentando domá-lo com ferro quente… UFAAAAAA que alívio!

 Em agosto de 2013, iniciei a minha caminhada com as rastas. No princípio, ouvi vários comentários negativos sobre a minha decisão mas a minha cabeça já estava livre dessa escravidão mental. Nenhum desses comentários me afetava, pois voltar às minhas raízes elevou a minha autoestima e comecei a acreditar que era bonita no meu padrão natural.

 O meu cabelo para mim significa o orgulho e a aceitação das minhas raízes, que perante a sociedade onde a supremacia branca é tão forte que leva muitos a acreditar que o meu cabelo natural é feio. Para mim, o cabelo natural tornou-se um ato de resistência contra essas mentiras idealizadas pela sociedade.

Cada dia que passa, sinto-me mais linda e melhor com a minha aceitação e vou quebrando, rebentando com os tabus negativos criados sobre os nossos cabelos naturais.

BE THE REAL U…”

Enviem o vosso contributo em vídeo, áudio ou por escrito para mary_csc@hotmail.com  (Mariama Djalo)  ou para cjg_86@hotmail.com  (Carlos Graça).

Sobre o projeto “Nós no Cabelo”:

Conceito- Partindo da ideia que o cabelo natural é um ato político e revolucionário, torna-se necessário a discussão e elaboração de ferramentas que trabalhem nesse mesmo campo. “Nós No Cabelo” pretende ser mais um instrumento de partilha de testemunhos/experiências sobre o cabelo africano na primeira pessoa. A ideia é desconstruir a ideia de cabelo ruim/sem valor/menos bom/indomável e resgatar a nossa negritude, que é muitas vezes auto-negada/reprimida pela pressão ou repressão de padrões de beleza impostos. É questionar/debater o significado, a importância do cabelo para nós enquanto sujeitos negros, através da divulgação/narração de histórias, empoderando o nosso consciente e inconsciente.

A escolha do nome surge por ter duplo sentido:
1- Por retratar as nossas ideias sobre o cabelo, ou seja pensar-se o cabelo (ex: o representa; diferentes fases; processo de negação/aceitação; desvalorização/valorização; reconhecimento; cabelo/cultura; cabelo/resistência; cabelo/poder; etc)
2- Por a mente “andar cheia de nós” enquanto estamos numa fase mais inconsciente ou de desconhecimento sobre a importância do cabelo, levando na maioria das vezes a amputarmos parte daquilo que somos e que faz parte de nós. Aqui os nós acabam por ser as ideias baralhadas. Então a ideia é desenrolar os nós.
Como será feito- Através da recolha de testemunhos e divulgação semanal (sábado) de uma experiência. Todas estas experiências servirão de base, de recolha de informações, troca de experiências/ideias, discussão, reconhecimento e fortalecimento da autoestima direcionado especialmente para os desconhecedores/as de toda a potencialização do seu cabelo.

Adere enviando o teu testemunho por mensagem privada e partilha!

Mentora e responsável do projeto – Mariama Djaló
Coadjuvante – Carlos Graça

Áudio 128 – Exposição Bantumen: a participação de Piera Moreau

A Bantumen, apresenta-se como a primeira revista masculina online, dedicada à comunidade africana de língua oficial portuguesa, que dá a conhecer tendências de lifestyle e entretenimento. Esta publicação vai realizar uma exposição de 3 a 5 de Novembro, que vai fundir, no mesmo espaço, arte plástica, fotografia e música. O evento vai acontecer, aqui em Lisboa, na Casa de Angola, em parceria com a FUBA (especialista em curadoria, dedicada a artistas africanos) e a BC (empresa de organização de eventos).

A nossa convidada de hoje, Piera Moreau, é uma das artistas plásticas angolanas convidadas.

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Áudio 127 – Sobre “Relatos de uma rapariga nada pudica…”

Lolo Arziki dizia-se uma “rapariga nada pudica” e, nesta entrevista, vamos saber como chegou a esta conclusão…

Formada em vídeo e cinema documental pelo Instituto Politécnico de Tomar, Lolo Arziki é, atualmente, estudante de mestrado em Estética e Estudos Artísticos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Hoje (20/10/16), a vídeo performance Relatos de uma rapariga nada pudica vai ser um dos pontos de partida para as Conversas Feministas deste mês no espaço Com Calma, onde também estará presente a plataforma Queering style apresentada pela Alexandra Santos que também ja foi nossa convidada.

 

Informações sobre Conversas Feministas AQUI

 

Áudio 120 – Sobre o “Afro Lisboa”, filme realizado por Ariel de Bigault

Ariel de Bigault e francesa e foi precursora da divulgação das ‘culturas chamadas lusófonas’, E uma agente cultural, investigadora e documentarista. Dois dos seus filmes chamaram-nos a atenção, o Afro Lisboa e o Margem Atlântica. Na entrevista de hoje falamos sobre estes trabalhos, que mostram que a luta por um espaço na cena cultural portuguesa, por parte de afrodescendentes, já vem de há muito.