Áudio 91 – Inocência Mata Sobre Literaturas Africanas Em Língua Portuguesa

“O facto é que as editoras portuguesas publicam autores brancos e mestiços, maioritariamente. Esta é uma constatação! Não me impeçam de dizer isso!”, declara Inocência Mata.

Professora e escritora santomense recebeu o prémio FEMINA 2015, pelo seu trabalho de investigação e ensino de literaturas escritas em língua portuguesa. Inocência Mata é doutora em Letras e pós-doutorada em Estudos Pós-coloniais. Entre os livros publicados estão: Ficção e História na Literatura Angolana: o caso de Pepetela; A Literatura Africana e a Crítica Pós-Colonial: Reconversões; Polifonias Insulares: Cultura e Literatura de São Tomé e Príncipe e muitos mais. Atualmente é professora associada do Departamento de Português da Universidade de Macau.

Reportagem: Sons de Liberdade por Angola

Liberdade ja

Por Ana Yekenha Ernesto

“A liberdade é palavra única, não tem plural!”. Eram estas as palavras de ordem que davam início ao concerto marcado para dia 11 de novembro, em Lisboa. Nesta data especial para todos os angolanos, o motivo era de comemoração e lamento. No dia em que se celebra a independência de Angola, lamenta-se a falta de liberdade.

“Comemora-se a independência sem se esquecer quem ainda luta por ela”, dizia António Macedo, homem que já escreveu o seu nome na história das artes em Portugal. No palco declamava um poema, com a entoação própria de quem vive o teatro, e apresentava aquela que seria “uma noite de música, noite de poesia e noite de liberdade”.

Às 18h30, enquanto começava a anoitecer, o primeiro artista subiu ao palco. As pessoas iam chegando, vindas do trabalho ou da escola, aproveitando do fim do dia para apoiar uma causa ou apenas ouvir boa música. O concerto “Liberdade já”, organizado pelo grupo Liberdade aos presos políticos em Angola, a Amnistia Internacional, a associação Solidariedade Imigrante e que contava com o apoio de várias associações, iniciava.

À capela, um grupo no palco repetia o pedido de uma das primeiras manifestações em Angola a causar problemas nos últimos anos: “menos cuca, mais água”. Batida completava a performance com rimas e batuque. Para fechar o ato inicial, fotografias dos 15 presos políticos foram mostradas em palco.

Enquanto o cabo-verdiano Dino D’ Santiago subia ao palco, provando mais uma vez que o apoio à causa não tem barreiras e NBC pedia, em palco, para cantarmos “songs of freedom”, alguns dos presentes assinavam a petição que a Amnistia Internacional passava pela libertação dos 15 jovens presos em Luanda.

“ ’Tá-se mal!”, disse Laura Ferreira, em resposta aos versos do Bob da Rage Sense. Laura referiu logo que apoiava o MPLA porque devemos a eles a independência e a liberdade em Angola. “Se não fossem eles ainda estávamos lá a explorar-vos”, acrescenta a senhora de  64 anos, que se deslocou a Campolide para marcar a sua presença no dia da independência de Angola. Laura afirmou ainda que  “Enquanto tiver forças tenho de apoiar as causas que defendo (…) mesmo que isso implique ouvir músicas de que não gosta muito”.
A música, no entanto, foi o que mais atraiu Jenny. Com 21 anos, a jovem foi atraída pelos nomes presentes no cartaz, mas não ignora a causa. Depois de Francisco Fanhais, subiriam ao palco improvisado no Jardim da Amnistia Internacional também Ana Bacalhau, Terrakota, Vicente Palma, Ana Moura, Gospel Collective e Joana Alegre- No cartaz, os nomes de Karyna Gomes, Luís Varatojo, Luisa Sobral, Luiz Caracol, Márcia, Milton Gulli Octapush, Samuel Úria, Sara Tavares, Selma Uamusse, Sérgio Godinho, Tiago Gomes, Tó Trips e Rita Red Shoes também dão força ao evento. Com duetos e solos, os músicos juntaram-se ao movimento e deram música e voz a quem não o pode fazer.

Beatriz Nogueira, com 20 anos, reconhece a importância da causa e diz que “quanto mais gente se mexer melhor”. “Não sei se vai ter algum resultado concreto mas sei que vai sensibilizar os portugueses e não só e vai fazer com que os angolanos saibam que não estão sozinhos”, explica a jovem voluntária do evento.

Para Tiago Fonseca, 21 anos, é óbvio que o evento vai ter resultados positivos. “Mobilizações de pessoas sempre são espetaculares”. “Quando há visibilidade há ações para resolver os problemas”, acrescenta Carminho Archer, também com 21 anos, enquanto iam comprar comida a uma das roulottes presentes no local.

José Brandão veio a este concerto porque “direitos humanos e democracia nunca são demais”. Com 54 anos, o jornalista diz que nunca foi a Angola nem irá “enquanto estes governantes e esta gente que se apodera de tudo lá estiver”.

O poema A cor da Liberdade, de Manuel Alegre é declamado no palco. “O teu nome é liberdade”. O nosso? Música, poesia e liberdade.”

Áudio 83 – Concerto Liberdade Já!

Esta quarta-feira, 11 de novembro, dia em que muitos celebraram os 40 anos da independência de Angola, em Lisboa, no Jardim de Campolide, mais de 30 artistas subiram a um palco, num concerto gratuito, para lembrar que ainda se tem de lutar pela Justiça e a Liberdade de todos os presos políticos em Angola. Eu estive lá com a Ana Yekenha Ernesto que escreveu uma reportagem para ser publicada no audiblogue Rádio AfroLis assim como no facebook. E eu deixo-vos com alguns dos momentos musicais do concerto com Sara Tavares, NBC, Dino d Santiago, Karyna Gomes, Selma Uamusse, Batida entre muitos outros.

“Deteriora-se o estado de saúde de vários activistas detidos no caso conhecido como 15+2, relativo aos 15 ativistas detidos desde 20 de Junho e acusados de actos preparatórios de tentativa de golpe de Estado e atentado contra o Presidente José Eduardo dos Santos, tal como as ativistas Rosa Conde e Laurinda Gouveia, que aguardam em liberdade o julgamento agendado para começar dia 16 de Novembro.” Ler mais (Artigo da RFI)

 

Áudio 80 – Literatura infantil vinda de Angola

A nossa convidada é a escritora angolana Isabel Lafayette, autora da obra As Orelhas de Mutaba, que venceu a edição de 2010 do “Concurso Caxinde de Conto Infantil” em Luanda. Agora em Portugal continua a promover o seu livro nunca esquecendo o papel que a Associação Chá de Caxinde teve na sua produção literária. Vamos conhecer melhor Isabel Lafayette que, entre outras coisas, comenta também situação da liberdade de expressão no seu país.

 

 

Áudio 79 – Hiphop tuga na voz de J.Cap

J.Cap rapper/produtor(aka Mauro Simões) natural de angola. De momento Independente prepara-se para lançar o seu segundo álbum chamado Harry Jones. Os temas têm influencias diversificadas e foram produzidos e misturados pelo próprio J.Cap, com participações de Regula, Halloween, Sam the Kid, Valete, Sir Scratch, Bambino Black Company, Birro e muitos mais.

Saibam mais sobre o artista:

http://www.facebook.com/jcap.mauro.simoes
http://www.facebook.com/JCapoficial
http://www.twitter.com/jcapoficial
http://www.youtube.com/jcapoficia
http://www.instagram.com/jcapoficial

Áudio 78 – África descrita por africanos ou por europeus?

“Muitos académicos africanos dizem que o conhecimento não podia estar dependente de uma intervenção de organizações ocidentais em África, mas do interesse dos próprios africanos em se conhecerem, de terem um conhecimento melhor e muito mais aprofundado sobre eles próprios.” (Paulo Inglês)

O meu convidado de hoje é Paulo Inglês, investigador na área de estudos africanos, na Universidade de Munique, e  de momento a viver em Bayreuth, na Alemanha. Hoje vamos falar sobre a produção de conhecimento sobre África por africanos.

 

Áudio 77 – Jovens Afrodescendentes E As Eleições Legislativas

“Muitos jovens estão cá mas não se sentem portugueses de primeira (…) eles não se sentem portugueses então não sentem, de certa forma, também a necessidade de participar ativamente.” Cythia Neto

Hoje temos um programa um pouco diferente. Não temos um convidado mas temos uma reportagem. Em vésperas de eleições legislativas, marcadas para o próximo domingo, 4 de outubro, quisemos saber qual é a atitude de jovens afrodescendentes a viver em Lisboa perante o voto e a participação política de pessoas de origem africana em Portugal. A reportagem é de Ana Yekenha Ernesto

PéKáPéLá: Angolanamente…

Por Cristina Carlos

Eu sou angolana, mas não posso, nem devo falar pelo povo. Para “eles” o meu gingar é tão estranho como o meu falar – rápido demais, mesmo para o Semba e em flagrante desrespeito pelas regras básicas da dança nacional.

Na vida como na dança, o homem manda e não se enfrentam os obstáculos, contornam-se! E, entre a saída da mulher e um retrocesso bem feito, mantendo calmamente a postura, como que se caminhando, fala-se sorrindo com o adversário, enquanto a música chora “ me tiraram a vaidade…”.

Gosto da dança, admito. Não respeito todas as regras e, por vezes, o meu par fica cansado. Mas com uma risada nervosa,  é verdade, já não peço desculpa – disfarço! Aula N.1: a mulher nunca se engana é mal conduzida!

Angolanamente

Kizomba é uma dança completa, complexa e tão distinta como cada parceiro que te pede para dançar.  Aprendi a ter calma e não aceitar dançar com toda a gente, porque os meus passos são jovens e inseguros, logo convém ganhar confiança…  Gosto de dançar com o profissional que  me faz brilhar, com uma condução sem falhas,  e até eu que sou novata na coisa pareço ter nascido a dançar. Também posso dançar com o moço gostoso que  “me deixa nervosa” , mas tem sempre algo de novo para me ensinar, mesmo  que  pare a meio para me corrigir, desde que fale e  continue a dançar. Adoro o querido que se esforça tanto para me ensinar novos passos, que aposta em dar reforço positivo. Ele faz tanto esforço,  vejo-o a lutar contra os meus vícios, lá sorri e diz “vamos começar de novo”. Mas fico  bem longe do  Mr. Swag que,  simplesmente, não permite espaço entre nós, peço licença e ele diz “ Vê-se logo que é de Lisboa!”.

Mas o meu cabelo já é tissagem brasileira e tenho roupa que só uso em Angola.  Por isso vou-me deixar estar assim,  entre o  Semba e a passada até aprender a atarraxar em sociedade… quiçá a minha fala se molde ao ritmo nacional e aí sim eu seja uma Angolana de verdade.

 

Áudio 75 – Um olhar angolano sobre Lisboa em pintura

 

“É inserir a arte no ambiente em que vivo.” Eunice Nepalanga  é angolana, vive em Portugal há mais de 20 anos e é artista de rua. Há cerca de 9 anos, tem as ruas de Lisboa como motivos para as suas pinturas, que vão nas memórias e nas bagagens de muitos turistas que visitam a capital portuguesa. Saibam como contactar com Eunice Nepalanga clicando aqui.

Foto retirada do site Bantumen

Áudio 73 – “Esse cabelo” explicado por Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola (Luanda) mas cresceu nos arredores de Lisboa. A paixão pela escrita levou-a a tirar um doutoramento em Teoria da Literatura, mas foram as questões sobre a sua identidade que fizeram com que o sonho de escrever um livro se realizasse. Djaimilia Pereira de Almeida passou da teoria à prática e publicou o seu primeiro livro intitulado “Esse cabelo”. – “A história da relação desta rapariga com o cabelo tem a ver com o facto de aquilo que lhe é natural ser qualquer coisa que ela vive como um inimigo. ”

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