Nós No Cabelo – Testemunho de Cátia Moreira

Toda a minha vida conheci a minha carapinha de várias maneiras: desfrisada, trançada, com tissagens, postiços entre outras.

Tudo isto só ia deteriorando, não só o meu cabelo que agora sei ser parte da minha essência e das minhas raízes, mas também a percepção que eu tinha em relação ao ser africano, porque o estereótipo que conheci desde muito cedo foi, que uma africana para ser aceite na sociedade tinha de ter um cabelo liso, claro e completamente perfeito. Ou seja, tínhamos que sacrificar a nossa carapinha em prol de uma aceitação física por parte dos mais ignorantes.

Resolvi meter um ponto final a este ciclo de ir matando aos poucos aquilo que nasceu comigo, que foi crescendo comigo, que me foi concedido pelos meus antepassados que é a minha carapinha, rija, encaracolada, preta, brilhante e linda.

Vai fazer três anos que uso o meu cabelo natural, sem químicos e sem fachadas. Descobri que sou mais feliz, mais bonita até. Hoje acordo e vejo todos os dias a mesma pessoa, o mesmo eu, e sabe tão bem… é uma sensação petrificante porque nós podemos ser bonitas com o que nós temos com o que nos pertence sem termos que recorrer a modas e a estereótipos de que a mulher africana só é bonita com perucas lisas, claras e brilhantes.

Pode ser ou parecer exagero da minha parte, mas eu sou uma pessoa diferente graças à minha carapinha natural, porque sei que é real e é minha.

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Áudio 91 – Inocência Mata Sobre Literaturas Africanas Em Língua Portuguesa

“O facto é que as editoras portuguesas publicam autores brancos e mestiços, maioritariamente. Esta é uma constatação! Não me impeçam de dizer isso!”, declara Inocência Mata.

Professora e escritora santomense recebeu o prémio FEMINA 2015, pelo seu trabalho de investigação e ensino de literaturas escritas em língua portuguesa. Inocência Mata é doutora em Letras e pós-doutorada em Estudos Pós-coloniais. Entre os livros publicados estão: Ficção e História na Literatura Angolana: o caso de Pepetela; A Literatura Africana e a Crítica Pós-Colonial: Reconversões; Polifonias Insulares: Cultura e Literatura de São Tomé e Príncipe e muitos mais. Atualmente é professora associada do Departamento de Português da Universidade de Macau.

Áudio 52 – África Positiva na produção cinematográfica da brasileira Cine Group

“Uma coisa interessante que descobrimos, é que nem o próprio continente conhece o continente. O Congo conhece pouco Moçambique. Moçambique conhece pouco a Nigéria. A Nigéria conhece pouco a África do Sul e assim por diante.” (Monica Monteiro)

Hoje temos uma convidada afro-brasileira por convicção. Monica Monteiro, diretora da produtora de cinema brasileira Cine Group. A Cine Group, é uma das maiores produtoras independentes da televisão brasileira e atua no mercado desde 1997 no Brasil e no exterior.  Trabalha com diversas temáticas e atualmente tem produzido vários documentários de séries com conteúdos africanos. Monica Monteiro  encontra-se em Lisboa por ocasião do Festin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa para promover o trabalho da produtora Cine Group. O Festin começou as exibições no cinema S. Jorge a 8 de Abril e continuará até 15 de Abril.

Convite: Exibição do Documentário “Mulheres africanas – Rede invisível” e debate “Direitos e Desafios das mulheres”

Mulheres invisiveisMulheres africanas – Rede invisível é um filme sobre todas as mulheres. É um filme que expõe uma invisibilidade universal no que toca as mulheres. Esta invisibilidade dessensibiliza-nos para os contributos das mulheres em diferentes sociedades, seja na política, na área dos negócios, na ciência, na cultura ou na vida familiar. Criar espaços de promoção desta rede invisível que envolve, fortalece e enriquece o mundo é tarefa de todos.

A AfroLis convida-vos a estar, no dia 1 de abril, no Grupo Excursionista e Recreativo Amigos do Minho, pelas 19h, para a exibição do documentário “Mulheres Africanas – A Rede Invisível”, incluído no Mouradoc – Ciclo de cinema da Associação Renovar A Mouraria.

Sinopse

Este documentário oferece um panorama das conquistas e lutas das mulheres do continente africano no último século. Conta com depoimentos de cinco mulheres que contam suas histórias de vida: Graça Machel, ativista de direitos humanos e esposa de Nelson Mandela; Mama Sara Masari, empresária; Leymah Gbowee, vencedora do Prémio Nobel da Paz; Luísa Diogo, ex-Primeira Ministra de Moçambique e Nadine Gordiner, vencedora do Prémio Nobel de Literatura. Além disso, o documentário celebra as vitórias das mulheres comuns que encaram os desafios do dia-a-dia com esperança e determinação.

Após o filme, a AfroLis dinamiza o debate sobre “Direitos e Desafios das mulheres”
com a presença de:

Romualda Fernandes

 

– Romualda Fernandes, jurista e assessora na Assembleia Municipal

 

Eugénia Costa Quaresma I – Eugénia Costa Quaresma, diretora do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana, responsável da Obra Católica Portuguesa de Migrações

 

Beatriz Gomes Diaz

 

– Beatriz Gomes Dias, ativista do SOS Racismo e Membro da Assembleia da freguesia de Arroios

 

Belinha

 

– Anabela Rodrigues, co-cordenadora da Associação Grupo Teatro do Oprimido de Lisboa e uma das mentoras do AMI-AFRO

Hora: 19h

Local: Grupo Excursionista e Recreativo Os Amigos do Minho

Morada: R. do Benformoso 244 1º, 1100- 086 Lisboa (Zona do Intendente)